Primeiro registo – a questão racial. Tenho de relatar um episódio vivido na infância para que melhor se entenda o que senti na noite de 4 de Novembro. Eu tinha oito anos, ou pouco mais, e vivia em Luanda, cidade então de uma pacatez provinciana, onde se jantava muito cedo e, por não haver televisão, as pessoas se deitavam com as galinhas. Num começo de noite, um dos criados da casa pediu a minha mãe licença para ir ver um primo à Cadeia da Reclusão, onde estava a caminho de São Tomé para cumprir o “contrato”. Minha mãe autorizou e, de imediato, deu ao rapaz um cobertor, alguma roupa, sal, café e fósforos. Eu pedi
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