Esta descida do quantitativo em relação ao fixado na vindima anterior saiu da reunião do Conselho Interprofissional, embora tenha sido chumbada pela Produção, foi justificada pelo presidente do IVDP, Luciano Vilhena Pereira. “Face à conjuntura, este é um valor ajustado às necessidades e ao futuro do Vinho do Porto”. Para esta decisão concorreu o facto de “não se terem concretizado as expectativas de aumentar as vendas, a nível nacional e mundial, entre os países compradores de vinho do Porto, no ano passado”.
Vilhena Pereira manifestou confiança que “a fixação desta quantidade de mosto disponível para a produção de Vinho do Porto permita que os preços na produção subam significativamente”. Por sua vez, a Associação de Viticultores Independentes do Douro, Avidouro, já manifestou a sua contestação aos números adiantados, considerando mesmo “um roubo” à lavoura duriense. “Esta redução em 25 mil pipas (550 litros a pipa), equivale a dizer que, para esta campanha, o “Benefício” no Douro vai ser de apenas 85 mil pipas, quando no ano passado foi de 110 mil. A consumar-se este anúncio, tratar-se-á de um autêntico roubo à lavoura duriense”. Em sinal de protesto, a Avidouro prepara um “Buzinão” para o dia 27 de Julho, às 9h30, na Régua, para chamar a atenção do Governo e demais Órgãos de Soberania para a gravidade da situação, e reclamar um “Plano de Emergência” para a Região Demarcada do Douro.
Casa do Douro contra a redução, mas espera que o Comércio suba os preços
O presidente da Casa do Douro, Manuel António dos Santos, também levantou a voz contra esta quebra no benefício. “Deixámos bem claro o nosso desacordo relativamente a esta situação, porque a produção já é uma catástrofe, e com uma diminuição desta natureza mais catastrófica fica, salvo se o Comércio iniciar aqui uma subida de preço”. O dirigente defende como compensação “uma subida no preço para absorver a diminuição do quantitativo, cujo valor por pipa seria na ordem dos 1.250,00€”.
O responsável deixou claro que não entende como é que “nove cooperativas indicaram ao presidente do IVDP que o número ideal a beneficiar seriam as 80 mil pipas de vinho”. Manuel António dos Santos fez questão de salientar ainda que a CD tinha uma proposta em que “admitia uma pequena diminuição do quantitativo do benefício”, não as 110 mil pipas de vinho, mas sim as 100 mil pipas. “Propusemos também que houvesse uma delegação do Conselho Interprofissional que se dirigisse rapidamente ao Ministro das Finanças e à Sra. Ministra da Agricultura demonstrando-lhe, mais uma vez, que o Governo anterior retirou do IVDP cerca de 8 milhões de euros, que são propriedade exclusiva da Produção e do Comércio. Estes poderiam ser utilizados pelo IVDP e pelo Interprofissional na aquisição de 10 mil pipas de vinho, que ficariam em regime de bloqueio para serem lançadas no mercado quando fosse necessário, e 90 mil pipas eram efectivamente adquiridas e postas no mercado. Temos tido tantas dificuldades de levar isto por diante que optámos por votar a proposta do Comércio em primeiro lugar. Tal como já desconfiávamos fez-se aqui uma aliança entre o Comércio e o Sr. presidente do IVDP, uma aliança que não nos satisfaz”.
O presidente da CD adiantou ainda que já solicitou por duas vezes à Ministra da Agricultura que recebesse a instituição. “Compreendemos que é um governo em início de funções, e a complexidade do problema da Casa do Douro, mas estamos a aguardar uma reunião com a Sra. Ministra. Apesar dos sacrifícios que os trabalhadores vivem, apesar dos sacrifícios que esta instituição vive, apesar de ela provocar sacrifícios a terceiras pessoas, vivemos na expectativa serena e estamos crentes que a breve prazo seremos recebidos. Não queremos favores, queremos apenas justiça”, concluiu.






