Tudo aconteceu na segunda-feira, por volta da 1h00, na residência do casal na pequena aldeia barrosã de Atilhó, a cerca de 5 km de Carvalhelhos. O agressor, Jeremias Pereira, e a vítima, Maria Fernanda Medeiros Rio, estiveram a discutir num dos quartos da habitação e o marido terá alvejado a mulher com uma pistola na zona da face e seguidamente golpeou-a repetidas vezes no pescoço com uma navalha. Este ato deixou os familiares e amigos surpreendidos e não sabem explicar o motivo de tal atitude.
Embora o homicida andasse a tomar medicação para uma depressão nervosa, nos últimos dias não terá tomado os medicamentos, um facto que os familiares já tinham notado e que lhe terá provocado algum desequilíbrio psíquico.
Segundo a mãe da vítima, Ermelinda Fernandes, de 84 anos, o casal estava num dos quartos de cima da casa a falar, quando a idosa começou a ouvir muitos gritos da sua filha. De imediato, subiu as escadas e pediu para abrirem a porta, só que tal não aconteceu. A octogenária foi então buscar uma machada e começou a abrir um buraco na porta do quarto, só que esta estava fechada à chave e não conseguiu entrar. Sozinha e sem mais ninguém em casa, pediu socorro a uma vizinha. De regresso ao local do crime, já não ouviu a sua filha gritar. Quando pediram para abrir a porta do quarto, o agressor “saiu empunhando a arma e faca para as duas mulheres, fugindo de seguida”. Ao entrarem no quarto, depararam com um cenário de horror. “O corpo da minha filha estava estendido no chão de barriga para o ar e com muito sangue na cabeça e no pescoço, e também havia sangue na cama”, referiu.
Depois do ato, homicida queria confessar-se e depois afogar-se
Depois do ato tresloucado, o agressor andou a monte durante a noite. No entanto, a meio da manhã de terça-feira foi encontrado em Lamas da Missa, Barragem de Pisões, por um amigo e antigo “comando militar”, residente em Vilarinho Seco. Estava sentado numa pedra, perto da água, e com duas facas e uma pistola.
Segundo apuramos, Jeremias Pereira terá dito que primeiro se queria confessar a um padre e depois afogar–se. Porém, foi demovido das suas intenções e confiou ao seu amigo as duas facas, a pistola e algum dinheiro que trazia consigo, entregando-se depois à GNR.
De sublinhar que, a população da aldeia de Atilhó considerava o casal “boas pessoas e trabalhadoras”, nunca notou qualquer problema entre eles e foi o primeiro crime do género ocorrido na aldeia. A vítima era agricultora e deixa uma filha, de 27 anos, e um filho, de 30, emigrante em França.
A GNR entregou o homicida à Polícia Judiciária de Vila Real. Depois de ouvido no Tribunal de Boticas, o juiz decretou como medida de coação a prisão preventiva.





