No espaço de uma semana, o Hospital de Vila Real foi notícia, a nível nacional, pelos piores motivos, através de duas situações que puseram em causa a eficácia do Serviço de Urgências daquela unidade de Saúde. Se, no primeiro caso, a família não vai avançar com qualquer acusação, já no segundo os familiares da alegada vítima garantiram que vão apresentar queixa.
Os familiares de José Carvalho Monteiro, de 76 anos, que residia em Agarez e que faleceu, no dia 5, nas Urgências do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), confirmaram, ao Nosso Jornal, que mantêm a intenção de acusar aquela Unidade hospitalar de “negligência médica e falta de acompanhamento”.
“Mandam um doente tomar um medicamento para os vómitos, juntamente com a sopa, quando, afinal, o meu pai tinha uma infecção grave, respiratória e renal, conforme um dos médicos nos disse”, afirmou Engrácia Silva, filha de José Carvalho Monteiro, recordando que, antes de se deslocar às Urgências do Hospital de Vila Real, pela última vez, no Sábado, o vila-realense já teria sido atendido, dias antes, naquele serviço, com queixas de fortes dores e vómitos.
“Na primeira vez que deu entrada (pelas 9 horas do dia 3) demorou cerca de duas horas para ser observado nas Urgências. Na Sexta-feira, entrou às 20 horas e só por volta das 15 horas de Sábado é que teve cama, na Unidade de Cuidados Intensivos. Durante este tempo, padeceu, no corredor, onde havia uma grande confusão”, relata, ainda, Engrácia Silva.
Os familiares do falecido esperam, agora, os resultados da autópsia, realizada no dia 8, para interpor uma acção, contra o CHTMAD.
Este caso surge apenas alguns dias depois de ter sido lançada, na comunicação social nacional, a notícia de que, também naquela CHTMAD, uma vítima de um acidente de viação, no IP4, teria falecido, depois de ter dado entrada no Serviço de Urgências, onde teria recebido a pulseira cor de laranja, a segunda na escala de gravidade do sistema de Triagem de Manchester.
Julieta Gomes (conhecida, em Vila Real, por desempenhar a função de Presidente do Núcleo de Murça da Cruz Vermelha Portuguesa) foi uma das vítimas de um acidente de viação, ocorrido no IP4, junto à Pousada do Marão, o qual resultou, ainda, em mais dois feridos.
“Consciente e colaborante” e apresentando, aparentemente, ferimentos sem gravidade, Julieta Gomes esperou, no local do acidente, que decorressem os trabalhos de socorro das outras duas vítimas da colisão frontal, tendo sido conduzida, depois, para as Urgências do Hospital de Vila Real, onde, pouco tempo depois, foi submetida a uma cirurgia a que não resistiu.
Fonte próxima da família garantiu, ao Nosso Jornal, que não será apresentada qualquer queixa contra o CHTMAD, explicando que, na visão da família, “a haver qualquer tipo de negligência, esta não tem a ver com o atendimento, nas Urgências, mas, sim, na demora do transporte de Julieta Gomes até o Hospital”.
“Demoraram cerca de duas horas a transportá-la, para Vila Real. Inclusivamente, um dos bombeiros, no local, chegou mesmo a chamar a atenção para a possibilidade de conduzir a vítima, antes de ser acabada a operação de socorro das outras duas pessoas”, o que acabou por não acontecer.
Em relação ao septuagenário, Carlos Vaz, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar, explica que, numa primeira análise, “foram feitos os procedimentos normais”, em todas as suas idas às Urgências, realçando que, no Sábado, “o utente foi atendido, com rapidez, tendo passado por três médicos de diferentes especialidades, encontrando-se em observação, quando faleceu, após uma paragem cardiorespiratória”. No entanto, foi já aberto um auto de averiguações, segundo o qual a Direcção Clínica irá agir, em conformidade.
Relativamente ao caso de Julieta Gomes, o mesmo responsável sublinha que, ao contrário do que foi noticiado, por alguns meios de comunicação, esta recebeu a pulseira cor de laranja e não amarela, no sistema de triagem das Urgências, tendo sido atendida “sem qualquer perda de tempo, conforme indicam os registos”.
“Não foi levantado qualquer inquérito. Não houve qualquer queixa, até ao momento, nem nos parece haver razão clínica para tal”, explicou o Presidente do Conselho de Administração.
No âmbito das duas mortes, foram levantadas dúvidas sobre a fiabilidade do sistema de Triagem de Manchester, ao que o Hospital responde, frisando que, em funcionamento no CHTMAD, desde 2003, o sistema é considerado “um excelente meio de triagem, com bons resultados”.
MM e Jmcardoso


