São três boas novidades, em termos culturais, para a região duriense. A construção do Edifício Sede do Museu do Douro está na fase terminal. O velho Teatrinho da rua da Ferreirinha vai ser recuperado. E, em 9 deste mês, vai ser apresentada a candidatura global do estudo, concepção e implantação de dez pólos nucleados do Museu do Douro.
A calendarização de obra da construção do imóvel (antigo edifício da Companhia) para o Museu do Douro está, assim, a ser cumprida à risca e a sua conclusão anuncia-se para finais de Junho próximo, enquanto a data de 14 de Dezembro é apontada como a da sua inauguração. O fim das obras, em Junho, representa uma antecipação de cerca de três meses em relação ao previsto. Em Setembro de 2007, a data oficial da conclusão ventilada apontava para Outubro deste ano.
O velho Teatrinho, situado na confluência das ruas da Vareira e Ferreirinha, vai ser recuperado. O repto lançado por Maia Pinto, no ano passado, para a recuperação do Teatrinho, teve eco na Câmara Municipal de Peso da Régua, Museu do Douro e Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, IVDP que lançaram mãos à obra e tencionam apresentar, ainda este ano, uma candidatura ao QREN.
“A ideia é recuperar e revitalizar o espaço do Teatrinho, a primeira sala de espectáculos de Peso da Régua e servir de complemento importante cultural à sede do Museu do Douro, situada apenas a algumas centenas de metros. Ganha assim corpo a criação de um anfiteatro e auditório, em complemento à sede do Museu”.
Uma outra iniciativa que “solidifica” a rede de conhecimento do Museu do Douro é a apresentação pública de uma candidatura global, em 9 de Abril próximo, referente à elaboração de um estudo de concepção e implantação de pólos do Museu do Douro. Ao todo, são dez municípios da região duriense que irão, numa primeira fase, acolher as unidades museológicas. Entre outros, estão os de Lamego, Freixo de Espada à Cinta, Alijó, Resende, Meda, Tabuaço, Moncorvo e Sabrosa. Esta rede é uma alternativa à estrutura polinuclear, pelo que o Museu está, assim, a implementar uma rede de Museus do Douro de gestão descentralizada e de programação integrada, de forma a potenciar iniciativas dispersas e estimular a itinerância de exposições e outras acções culturais, como também a possibilidade do lançamento de iniciativas comuns, à escala regional. Neste contexto, surgem, assim, o Núcleo do Pão e do Vinho (em Favaios), o Museu do Imaginário (em Tabuaço), o Núcleo da Amêndoa (em Vila Nova de Foz Côa), o Núcleo do Arrais e da Cereja (em Resende), o Núcleo do Vinho (em S. João da Pesqueira) e o núcleo da Seda (em Freixo de Espada à Cinta), unidades integradas nesta candidatura.
O Director do Museu do Douro, Fernando Maia Pinto, fez, ao Nosso Jornal, o ponto da situação da construção do edifício sede do Museu do Douro, “sem derrapagens orçamentais e fiel ao projecto inicial, sendo que as obras estarão concluídas em Junho deste ano. Está tudo a correr como o previsto, quer em termos de execução orçamental quer em termos de execução física. Estamos já na fase de acabamentos, os prazos são perfeitamente exequíveis, entre Junho e Dezembro decorrerá o período de apetrechamento do edifício, com a instalação de todo o mobiliário, sistema informático e colocação de elementos de exposição inaugural pessoal. Mas tudo levará o seu devido tempo”.
Segundo este responsável, um dos maiores constrangimentos, no decorrer dos trabalhos, teve a ver com as escavações e contenção de terras. “O edifício estava envelhecido, mas foi tudo ultrapassado e, agora, estamos numa fase terminal da obra. Aproveitamos ao máximo aquilo que tínhamos prometido no início, nomeadamente as paredes, fachadas, ombreiras de janelas e portas do antigo edifício da Casa da Companhia”, salientou.
Ainda de salientar que o imóvel, cujas obras estão a cargo da empresa João Fernandes da Silva, SA, de Braga, terá três acessos: ao restaurante, ao espaço museológico e ao piano-bar, este com acesso pelo pátio. Quanto ao Teatrinho, a boa nova, anunciada ao Nosso Jornal: “Vai haver uma candidatura conjunta, entre o IVDP, a Câmara Municipal e o Museu do Douro, a um programa comunitário que reveja a sua recuperação. Ficará vocacionado para aquilo que a sua própria arquitectura e espaço contempla, ou seja, a realização de espectáculos culturais, nomeadamente peças teatrais. Será uma unidade que irá complementar o Museu”.
Refira-se que imóvel que pertenceu à Real Companhia Velha está a sofrer uma remodelação total, num investimento de mais de cinco milhões de euros, aos quais se acrescentam mais 2,5 milhões, em equipamentos, logo na fase inicial. Ficará dotado de uma grande área de exposições, localizada no pátio que separa a ala norte da ala sul do antigo edifício, terá 10,7 metros de altura e uma estrutura de vidro, para permitir a entrada de luz natural. Está já construído um passadiço de madeira, suspenso, a cerca de 4,5 metros de altura, com três metros de largura, o qual permitirá a ligação com os pisos superiores do edifício. A sede do Museu do Douro possuirá, ainda, biblioteca, arquivo, área para o serviço educativo do Museu do Douro e alas de apoio técnico, nomeadamente sanitários e arrumos. Os custos do projecto serão repartidos entre o Programa Operacional da Cultura (POC) e o Programa Operacional do Norte. A sede desta unidade museológica vai ocupar a Casa da Companhia, edifício adquirido à Real Companhia Velha, por 1,7 milhões de euros.
O Museu do Douro foi criado, em 1997, por Decreto-lei aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República. A sua gestão está a cargo, desde 2006, da Fundação Museu do Douro que integra 19 autarquias da região e 26 entidades privadas, bem como o Ministério da Cultura. Actualmente, a sua área de exposições funciona no Armazém 43, cedido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto.
De salientar, ainda, que o Museu do Douro está interessado em colaborar num projecto turístico-cultural para a Linha do Corgo, conforme Maia Pinto manifestou, em Setembro do ano passado, ao Nosso Jornal, mas aqui com a participação das autarquias servidas por esta via-férrea.
José Manuel Cardoso



