Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Eleições para a Associação de Futebol de Vila Real

Perguntamos aos dois candidatos aos órgãos sociais da AFVR quais as expectativas para as eleições que decorrem no próximo dia 27. Há muitas ideias de ambos os lados e a “luta” pela vitória promete ser renhida. Fique com alguns dos argumentos apresentados pelos candidatos, Costa Pereira e António José Marques.

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Costa Pereira

“Estamos em condições de reduzir os custos dos clubes”

 

 

1 – Afirmar a AFVR como parceiro de inquestionável credibilidade em todos os fóruns e instâncias. Apostar na valorização da formação de todos os agentes desportivos. Consolidação da AFVR, como entidade que potencia a logística existente no distrito, para que do futebol ao futsal se agregue a autoestima dos clubes, a sua pluralidade e diferença, a marca distintiva de cada um, se dê visibilidade à região, se criem condições, juntamente com outros parceiros locais, regionais ou nacionais, para que todos pratiquem futebol ou futsal.

Consolidar a AFVR no roteiro das competições de Futebol e Futsal em Portugal com a experiência do saber feito na participação nos principais fóruns do futebol nacional.

Liderar um projeto que é de muitos, que é de todos, com a paixão de quem foi praticante, dirigente e com a disponibilidade e a vontade de tornar o futebol/futsal melhor no distrito nos anos vindouros.

Responder ao apelo dos vários agentes desportivos do distrito, para continuarmos a desenvolver o nosso trabalho em prol do futebol/futsal no distrito.

Lutar para que o Estado consagre finalmente o Estatuto do Dirigente Associativo Amador e lhe reconhecer, através de legislação adequada, o inestimável serviço que prestam aos seus clubes e à sociedade em geral.

Sensibilizar os diversos parceiros, em especial, as autarquias, IPDJ, FPF para aumentarmos no distrito o número de relvados e sintéticos para a prática do futebol e pavilhões para a prática de futsal, bem como melhoramentos de algumas das infraestruturas desportivas existentes.

 

2 – A AFVR é e sempre será dos clubes. Nesse sentido, os seus clubes filiados têm tido sempre uma participação ativa na vida da nossa Associação. Estivemos sempre à disposição dos clubes para com eles colaborar no que foi necessário. Para nós todos os clubes filiados na AFVR mereceram-nos o mesmo tratamento e respeito. Temos vindo a assistir nos últimos anos a transformações profundas na AFVR que foram analisadas, discutidas pelos clubes e posteriormente votadas em Assembleias Gerais da AFVR.

A alteração dos nossos estatutos é um dos vários exemplos que nós podemos referir. Somos uma Associação pioneira no país onde toda a família do futebol (dirigentes, treinadores, jogadores e árbitros) está representada.

As alterações aos regulamentos, quadros competitivos são sempre analisadas, discutidas com os nossos clubes, para podermos alcançar maior qualidade, organização e justiça das respetivas competições. Somos pragmáticos, de quem sabe o porquê, para quê e para quem do futebol tem uma estratégia para colocar em prática.

Consideramos que os nossos clubes são fundamentais no quotidiano da AFVR e por isso a nossa ligação com eles é dum diálogo permanente, tendo em vista que o futebol/futsal existe para pessoas concretas e para servir a comunidade.

 

3 – A liga amadora deve começar por ser analisada sobre o que diz a legislação desportiva em vigor. O Regime Jurídico das Federações Desportivas refere num dos seus articulados que a competência para a organização de campeonatos não profissionais é da responsabilidade da FPF. Esta, por sua vez, delega alguns dos seus campeonatos nas Associações Distritais/Regionais, que têm de cumprir as leis em vigor.

A FPF nunca delegou a organização de campeonatos em nenhuma liga amadora. Diz a legislação em vigor que qualquer prova desportiva deve obedecer a vários itens, entre os quais seguros e exames médicos obrigatórios. Como se sabe estes preceitos não estão a ser cumpridos pelas ligas amadoras. Ao não cumprir a lei, essas ligas estão a pôr em causa a saúde e segurança física de atletas, árbitros, dirigentes e outros, bem como, numa concorrência desigual com as Associações distritais/regionais.

Tem a AFVR, bem como outras Associações do país, alertado a FPF para essa situação, para que esta, junto das entidades competentes, tomem medidas para o enquadramento jurídico dessas ligas no panorama do futebol/futsal nacional.

Queremos que todos pratiquem futebol/futsal. Mas defendemos que as práticas organizadas devem ser enquadradas de acordo com os diplomas jurídico/normativo do desporto em Portugal. Se assim acontecer, como esperamos, haverá inversão da tendência, que irá favorecer as Associações distritais/regionais.

 

4 – As regras para a época desportiva 2014/15 estão definidas desde julho 2014.Com mandatos de rigor económico-financeiro e gestão prudente, permitiram-nos pagar o leasing da sede (dezembro 2014) e consolidar as contas da AFVR. Por isso, agora, estamos em condições de avaliar os custos Clubes/AFVR e assim criar condições para permitir aos clubes que na próxima época desportiva vejam a redução dos mesmos, permitindo assim os clubes manter a sua atividade, enquanto coletividades dinamizadoras do fomento do futebol/futsal na sua localidade.

Vamos promover no início da nova época desportiva um debate entre os clubes filiados na AFVR para em conjunto planearmos a próxima época desportiva tendo em conta a diversidade de cada um dos nossos clubes.

 

António José Marques

“Juntos vamos preparar a próxima época desportiva com vista a aliviar a carga financeira sobre os clubes

 

1 – As decisões que foram tomadas durante estes últimos anos e os problemas que foram ignorados têm deixado o futebol/futsal da AFVR numa situação difícil.

O panorama do futebol nacional e sobretudo regional está a mudar rapidamente e isso significa que precisamos de mudanças radicais para fazer face aos novos desafios com que nos deparamos.

Ao longo de vários meses, falamos com muitos agentes desportivos e presidentes de clubes, ficamos impressionados com a vontade que todos partilharam em ter políticas diferentes para o futebol/futsal distrital.

Neste momento quem lidera o destino associativo parece incapaz de trabalhar com a generalidade dos clubes, dar resposta aos seus problemas, a falta de comunicação faz com que sejamos incapazes de avançar.

É fundamental mudar a linha de pensamento e torna-se essencial que haja uma união à volta do futebol/futsal do distrito, através de uma gestão estratégica capaz de tornar a AFVR numa instituição eficaz, e de um planeamento estratégico desportivo adequado, que catapulte e estimule a vida dos clubes e por consequência dê uma visibilidade da AFVR que esteja de acordo com os seus pergaminhos.

Neste sentido, o nosso principal objetivo é reduzir os encargos dos clubes com o futebol, através de um plano diretor que estabelecemos que visará o cumprimento deste propósito. Não pensarei sequer em me recandidatar caso este objetivo não seja atingido.

 

2 – Não nos parece que sejamos nós as pessoas indicadas para responder a essa questão, quem eventualmente poderá elucidar esse fenómeno, se é que ele existe, é quem lidera os destinos da AFVR.

Contudo e uma vez que me faz essa pergunta posso lhe dar uma visão sobre o que pensamos, ser comungada por muitos dos agentes desportivos que contactamos recentemente, não sabemos se estas serão razões suficientemente válidas para esse, eventual afastamento…

É nosso entender, em face do que temos vindo a ouvir, que um dos problemas principais do eventual afastamento da AFVR tem sido a quase absoluta incapacidade de os atuais dirigentes associativos dialogarem abertamente com aqueles que diariamente deixam as suas famílias a favor de um voluntariado desportivo por carolice e que esta direção da AFVR teima em não entender e colaborar.

A falta de estímulo e de conhecimento da realidade quotidiana dos nossos clubes, acabam por detonar numa falta de representatividade institucional, os clubes não se reveem nesta linha de atuação. Por outro lado, um outro aspeto que nos parece de todo relevante e que tem estado na origem de um número enorme de problemas prende-se com o paradigma relacionado com a existência da AFVR. Referimo-nos concretamente à ideia que nos parece desajustada de que a AFVR é apenas um representação territorial da FPF e não existindo propriamente uma representação dos clubes da região na FPF como nos parece que deveria acontecer. Isto tem de alguma forma impedido que os clubes e os seus interesses não sejam considerados no momento da formulação de políticas de desenvolvimento promovidas pela FPF. A maior evidência deste facto tem a ver com ausência de representatividade de elementos da AFVR na FPF.

Procuraremos mudar este estado de alma, queremos ser representativos dos clubes interna e externamente, dizer presente em todas as suas atividades e momentos importantes. Nenhum clube/agente desportivo ficará sem resposta aos seus problemas, anseios ou preocupações.

 

3 – Não nos parece que a co-existência seja prejudicial. A liga Amadora tem a sua própria filosofia, como a AFVR também tem, respeitamos quem opta por uma ou por outra. No entanto estaremos atentos aos clubes que eventualmente queiram “regressar” às nossas competições.

Nem todos os clubes optaram para a Liga Amadora, simplesmente desistiram da sua atividade, por diversas razões que não nos cabem a nós responder a elas. Parece-nos que quem lidera, ou não, os desígnios do futebol distrital, não acautelou sequer esta situação, daí termos um campeonato da divisão de Honra com apenas 14 clubes.

Queremos revitalizar esta competição, procurar que as sedes de concelho que neste momento não participam no campeonato da divisão de Honra, a curto/médio prazo possam de novo fazer parte do nosso quadro competitivo, sabendo que existem dificuldades inerentes a esse processo que queremos tornear, junto dos clubes e respetivas edilidades.

 

4 – A realidade de uma Associação de Futebol não pode aludir a uma única medida/iniciativa a tomar, como sendo prioritária. Haverá com toda a certeza algumas medidas que podem e devem ser tomadas desde o primeiro momento e em simultâneo.

Será fundamental, propor à FPF alteração de alguns pontos dos estatutos bem como do regulamento eleitoral, que têm falhas gravíssimas para um estado de direito democrático. Permitir ajuizamentos do que quer que seja em causa própria não nos parece, de todo, digno de uma sociedade democratizada, pondo em causa o direito à transparência e igualdade.

Uma certeza queremos dar a todos os clubes, queremos uma AFVR isenta, rigorosa e transparente, onde vigora um tratamento igual para todos os clubes/agentes desportivos.

Queremos que os clubes sintam em nós uma verdadeira representatividade, que estaremos à frente dos seus desígnios, para servir os clubes e não nos servirmos deles.

Queremos única e simplesmente, dar um novo rumo ao futebol/futsal no distrito, mas que só será possível um futuro diferente com ajuda/colaboração de todos.

Seremos lideres da ação única e exclusivamente porque dependemos do nosso trabalho, da implementação das nossas ideias porque somos merecedores da confiança dos clubes, jamais seremos lideres da ação devido a vícios de forma ou de questões processuais que inibem quem quer que seja de desenvolver/e/ou implementar o seu projeto.

Como medida fundamental, sem ser a primeira, deverá ser reunir com todos os clubes para os ouvir sem pressões de qualquer índole para que possamos juntos preparar de imediato a próxima época desportiva com vista a aliviar a carga financeira sobre os clubes.

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