Sábado, 6 de Junho de 2026
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Escassez de aguardente preocupa

Em plena fase de vindimas, o Douro começa a ter problemas no abastecimento de aguardente para a elaboração (beneficiação) dos mostos destinados ao vinho do Porto. O alerta foi lançado pelo presidente da Real Companhia Velha, Pedro Silva Reis, que teme um desequilíbrio neste setor, que pode mesmo afetar a produção deste vinho generoso

O preço elevado da aguardente, que pode ultrapassar os 3 euros/litro, e alguma escassez nos mercados de origem e habitualmente abastecedores (França, Espanha, Itália e até do Norte de África), está a preocupar os produtores e exportadores.

A discussão sobre esta matéria tem aumentado na própria região do Douro. A Real Companhia Velha está preocupada e já chamou a atenção para esta realidade. “Neste momento, sente-se alguma falta de aguardente no mercado e, se isto continuar assim, pode afetar a produção do vinho do Porto, pois sem aguardente este não se faz”, contou, ao Nosso Jornal, Pedro Silva Reis. Esta situação é comum a outras empresas da região, num setor onde a procura mundial começa a ser maior que a oferta.

Outra das causas pode estar também relacionada com as baixas produções de vinho no chamado novo mundo, nomeadamente no Chile e na Argentina. A falta deste destilado, volta a evidenciar um assunto que tem sido muito focado nos últimos tempos na região: a produção por ela própria de aguardente.

Pedro Silva Reis defendeu uma solução de equilíbrio. “Há três anos que já se sabia que isto poderia acontecer (preços elevados e falta de produto), mas nada se fez. Agora, há que adotar uma posição de equilíbrio. O Douro tem de ter uma estratégia para a questão da aguardente. Pode vir a produzi-la, no entanto não chegará para responder à procura, nem em custo nem em quantidade. Quando se sabe que metade da sua produção é destinada ao vinho do Porto, não estou a ver espaço que chegue para responder às solicitações. Ainda por cima, o moscatel e vinho de mesa já atingem uma produção anual de 3 milhões de caixas. Para ultrapassar este problema tinha de se aumentar a respetiva área de cultivo, atendendo a que estamos numa zona de montanha. A destilação de vinhos de baixa qualidade e porventura excedentários seria uma das soluções, assim como a criação de unidades de destilação noutras regiões para abastecer o próprio mercado”, acrescentou.

Recorde-se que, normalmente, adicionam-se 100 litros de aguardente a 450 litros de mosto em fermentação, que dá para uma pipa de 550 litros.


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