Maria Teresa Horta, escritora reconhecida com o Prémio Literário D. Dinis 2011 (atribuído pela Fundação Casa de Mateus) pelo romance “As Luzes de Leonor”, recusou receber o galardão das mãos do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o que exigiu o cancelamento da cerimónia, que estava agendada para a próxima semana.
A notícia foi divulgada por vários órgãos de comunicação social nacionais e confirmada pela própria escritora num texto publicado no seu perfil oficial do Facebook.
“Numa carta dirigida no domingo, dia 16, ao administrador-delegado da Fundação da Casa de Mateus, Fernando Albuquerque, Maria Teresa Horta, que recordava as fortes reservas opostas quando lhe foi comunicada, em junho último, a escolha do primeiro-ministro para proceder à entrega do galardão, manifestou a sua recusa definitiva em participar na cerimónia do próximo dia 28, face ‘às recentes e graves intervenções’ de Pedro Passos Coelho”, relata o texto publicado na rede social da internet.
A explicação continua, revelando que “no mesmo dia, a escritora falou com os membros do júri – Vasco Graça Moura, Fernando Pinto do Amaral e Nuno Júdice, que, por unanimidade, atribuíram o prestigiado prémio, tendo-lhes comunicado a sua tomada de posição”.
Na última segunda-feira, a decisão foi então transmitida à administração do grupo Leya, “à qual solicitou a designação de um representante que recebesse o prémio em seu lugar”, sendo que, no dia seguinte, foi confirmado por Fernando Albuquerque, responsável pela Fundação Casa de Mateus, “o cancelamento da cerimónia de dia 28”.
Até a hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível entrar em contacto com a direção da Fundação vila-realense, no entanto, na sua página da internet a instituição revela que “a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente”.
“As Luzes de Leonor” é um romance que exigiu 13 anos de investigação e conta a vida da marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750-1839), neta dos marqueses de Távora e avó em quinto grau da escritora e poetisa.
Maria Teresa Mascarenhas Horta nasceu em Lisboa em 20 de maio de 1937. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dedicou-se ao cine-clubismo, como dirigente do ABC Cine-Clube, ao jornalismo e à questão do feminismo, tendo feito parte do Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Em conjunto lançaram o livro “Novas Cartas Portuguesas”. Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, tendo sido também chefe de redação da revista “Mulheres”. “Amor Habitado” (1963), “Ana” (1974) e “O Destino” (1997) estão entre as mais de duas dezenas de obras publicadas.
Patrocinado pela Direção- -Geral do Livro e das Bibliotecas e pela Caixa Geral de Depósitos, o Prémio D. Dinis, que habitualmente é entregue em setembro, conta com uma lista de galardoados que começou com Agustina Bessa Luís e Almeida Faria, em 1980, até João Barrento, em 2010, passando por nomes como Miguel Torga, Virgílio Ferreira, Fernando Namora, José Saramago, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes e António Pires Cabral, entre muitos outros.






