Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Espírito académico precisa de um novo fôlego em Vila Real

Alguns regressaram mais de duas décadas depois de ter acabado o curso, outros ainda têm como recente a passagem pela academia transmontana. São dos mais variados cursos e residem em diferentes pontos do país. O que têm em comum? A UTAD no currículo, o espírito académico bem vivo na memória e o amor por uma universidade e uma região que ainda ‘sentem na pele’. Para os atuais universitários fica o conselho: “façam um esforço acrescido” para aproveitarem ao máximo a passagem pela academia, porque “a vida não é só estudar”…

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Integrado nas comemorações dos 40 anos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), o “Alumni” 2014 trouxe, no dia 31, mais de meia milhar de antigos alunos, um evento com muitos reencontros e recordações e a constatação que a cidade precisa de “mais vida académica”.

Helena Tavares, ex-aluna do curso de Engenharia Agrícola (turma de 89/90), residente agora na Azambuja, foi uma das participantes do encontro de antigos estudantes, evento que lhe vai ficar marcado na pele, graças a uma tatuagem do logotipo da UTAD no ombro.

“Levei daqui muito boas recordações, muitas amizades e muitas histórias para contar”, recorda a ex-aluna sem conseguir distinguir um momento em especial da sua vida académica mas deixando a certeza de que ainda tem bem vivo o espírito académico.

Depois de uma cerimónia na Aula Magna, onde não faltaram relatos de outros tempos, sempre com a irreverência e boa disposição própria da vida universitária, os participantes do “Alumni” deslocaram-se ao Pioledo para o descerramento de uma lápide comemorativa e mais um momento de convívio.

Marcando presença em todos os encontros realizados, Helena Tavares considera que a UTAD tem evoluído muito, mas lamenta que “em termos de vida académica” a cidade esteja “um pouco deserta”. “Acho que se perdeu um pouco o espírito”.

Também Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, que estudou na UTAD entre 87 e 94, reconheceu a quebra no espírito, justificando o fenómeno com o processo de Bolonha, que reduziu a permanência dos estudantes nas universidades para três anos e “empobreceu ou limitou as ligações que sedimentavam esse tal espírito”.

O autarca recorda como viveu esse espírito ao máximo, ao integrar uma tuna, ser seccionista de uma modalidade desportiva (Taekwondo) e mesmo presidente da Associação Académica numa altura em que “o Ensino Superior marcava a agenda política do país”.

Entre os momentos que mais o marcaram, Rui Santos recorda a primeira vez que atou com a tuna numa semana académica, a sua eleição, “nada espectável”, enquanto dirigente associativo e, finalmente, o dia em que, enquanto representante dos alunos transmontanos “abriu todos os telejornais” para comentar a nomeação de Manuela Ferreira Leite e dar voz a luta dos estudantes contra “a célebre lei das propinas”.

No âmbito do “Alumni”, a UTAD editou uma revista onde recolheu o testemunho de diversos antigos alunos que hoje assumem um lugar de destaque a nível profissional em instituições públicas ou particulares, como por exemplo Emídio Gomes, que lidera a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Jorge Dias, diretor geral da Gran Cruz Porto, Filipe Pinto, eleito Melhor Artista Português na edição de 2013 dos European Music Awards da MTV, ou Pedro Caixinha, treinador do Santos Laguna, no México.

“São alguns dos exemplos de profissionais que saíram da UTAD e hoje desempenham cargos que demonstra que a UTAD merece continuar no campeonato do ensino superior em Portugal, mesmo em momentos difíceis como o atual”, explicou António Fontaínhas Fernandes, reitor da UTAD.

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