Sábado, 6 de Junho de 2026
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Estado de saúde do Museu do Douro “é razoável”

Ciente que os próximos tempos serão difíceis, o director do Museu do Douro mostra-se confiante no futuro e deixa a garantia de que a saúde da instituição é muito boa no que diz respeito à vontade de trabalhar, precisando os projectos apenas de novo enquadramento fruto da realidade financeira que vive o país. Entre os projectos em curso, de sublinhar a manutenção da aposta na rede de núcleos espalhada pela região e a inauguração, em Julho, da exposição “D. Antónia Adelaide Ferreira, uma vida singular”.

“Há uma saúde muito grande em termos de vontade e de capacidade de realização, mas há que dosear esse esforço e adaptar os projectos à realidade”, sublinhou Maia Pinto, director do Museu do Douro, no dia 16, depois da cerimónia de entrega da Menção Especial do Prémio Museu Europeu do Ano 2011, um galardão atribuído pelo European Museum Fórum.

Apesar de estar ciente de que terá agora início “uma fase crítica” para o Museu do Douro, o mesmo responsável acredita que, com “um esforço de imaginação e adaptação” e “havendo vontade”, será possível “levar todos os projectos a bom porto”.

Maia Pinto comentou ainda a falta de pagamento dos valores concertados com os fundadores, uma situação que, segundo o director, acabará por ser resolvida. “Eu tenho sempre a esperança que os fundadores paguem estes prémios e realizações, como por exemplo a exposição dedicada à Dona Antónia, são um estímulo para que o façam”, frisou. Reconhecendo a situação financeira vivida por alguns fundadores do Museu, nomeadamente as autarquias, o director do museu revelou que “mais cedo ou mais tarde eles pagarão”, e adiantou mesmo que “tem havido já alguma recuperação económica que advém precisamente da tentativa de cumprimento desses fundadores”.

Relativamente ao prémio, entre as características que levaram o European Museum Fórum a atribuir a menção honrosa ao museu duriense, os juízes que analisaram a candidatura sublinharam a “sua qualidade de relacionamento com a região”, um aspecto que continua a ser trabalhado pela direcção da unidade museológica e que está prestes a ganhar um novo fôlego com o início das obras, até ao final do ano, de dois dos pólos da rede de núcleos do Museu do Douro, nomeadamente os de São João da Pesqueira e de Freixo de Espada à Cinta.

“A constituição da rede de núcleos está a decorrer a bom ritmo”, garantiu Maia Pinto, revelando então que, “concluídos os projectos de execução dos dois núcleos”, será a breve trecho lançado o concurso público e adjudicadas as obras, que deverão iniciar “até ao final do ano”.

Relativamente aos restantes núcleos que vão integrar a rede, o director do Museu deixou a garantia que todos os projectos estão de pé, no entanto lembrou que este é um caminho que “se faz passo a passo”.

Margarida Ruas, embaixadora em Portugal do European Museum Fórum, confirmou que a característica mais sublinhada pelo painel de responsáveis que analisou a candidatura do Museu do Douro foi a sua “integração na região”. “Foi muito elogiado pelo excelente trabalho que faz em todo o território”, referiu.

A mesma responsável considerou o Museu do Douro como um exemplo do que realmente deve ser um Museu. “Não devem ser apenas lugares de memórias, devem ser lugares onde nós construímos novas memórias. Quando saímos de um Museu e nos sentimos maiores como seres humanos, temos um bom museu. Os juízes da European Fórum sentiram isso aqui”, garantiu Margarida Ruas.

“Os Museus são pontos fulcrais que explodem para o Mundo e este é um deles, toca que o visita com o seu património, com o seu acervo, que não é só físico, é também imaterial, se nos lembrarmos da quantidade enorme de visionários, de homens e mulheres, que trabalharam toda esta região. Toda essa riqueza e esta força está neste museu e não pode ser esquecida”.

Além do Museu do Douro, na edição de 2011 do Prémio atribuído pelo European Museum Fórum, do qual saiu vencedor o Museu Galo-Romano de Tongeren, na Bélgica, foram também atribuídas menções honrosas às várias outras instituições, nomeadamente o Museu da Experiência Musical Britânica (Reino Unido), o Museu do Artista e do Contador de Histórias (Rússia), o Museu espanhol da Memória da Andaluzia, o Museu Nacional Schiller (Alemanha) e o Museu da Guerra Civil (Finlândia).


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