Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022

Estradas da região estão sujas e pouco asseadas

Quando se pugna por um Douro mais limpo, mais atractivo, as vias de comunicação apresentam um grande estado de desmazelo, quanto à limpeza das sua bermas. Raras são as estradas que se apresentam limpas e asseadas. O Encarregado de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, quer pôr fim à falta de asseio das vias rodoviárias durienses […]

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Quando se pugna por um Douro mais limpo, mais atractivo, as vias de comunicação apresentam um grande estado de desmazelo, quanto à limpeza das sua bermas. Raras são as estradas que se apresentam limpas e asseadas. O Encarregado de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, quer pôr fim à falta de asseio das vias rodoviárias durienses e vai propor um plano, para ser cumprido.

Apesar de a UNESCO ter consagrado a região, esta continua a ter pontos negros, em termos ambientais e impactos visuais negativos. Desde a marginal Régua-Pinhão até ao próprio IP4, o panorama é confrangedor. A vegetação chega a invadir a própria faixa de rodagem. Lixos e, até, alguma degradação do próprio piso são frequentes. Pelo meio, algumas estradas municipais também são um mau exemplo. A responsabilidade pela limpeza das vias nacionais e IP’s é da empresa pública Estradas de Portugal. Por sua vez, a manutenção e limpeza da rede de vias municipais cabe às autarquias.

 

Domínio público não constitui um bom exemplo

 

Um dos autarcas que está descontente com este mau aspecto é o Presidente da Câmara Municipal de Murça, João Teixeira. Ainda há cerca de duas semanas, enviou um ofício à Estradas de Portugal – Delegação de Vila Real, a chamar a atenção para a limpeza da área de descanso de Sobredo, no IP4 e do nó de acesso à própria vila.

“Revela total desleixo o estado a que o espaço do IP4 de Sobredo está votado. Muita vegetação, não há limpeza e, ainda por cima, muito lixo. É uma má imagem que fica para quem precisa de parar naquela área” – sublinhou, para acrescentar: “Esperamos que a EP faça alguma coisa. Quando se apela aos privados para limparem as bermas, numa faixa de dez metros, acho que o domínio público não constitui um bom exemplo, quando deveria ser uma referência, neste aspecto”.

Continuando, o autarca esclarece: “O Douro Património da Humanidade terá de ser, de vez, um espaço asseado e limpo”.

Não são medidas

administrativas que vão limpar o Douro

 

Uma das vias que, de certeza, não é uma referência de asseio, é a marginal EN 222, no troço entre Bagaúste e o Pinhão. Aqui, até os “rails” ficam escondidos pela vegetação. No concelho de Tabuaço, está inserido um troço desta via. Pinto dos Santos, o Presidente da autarquia duriense, embora reconheça que “é uma realidade, o mau estado em que se encontra a via”, está esperançado em que a aplicação do Programa “Erradicação das Dissonâncias Ambientais do Alto Douro Vinhateiro” possa alterar o aspecto com que se apresenta, normalmente, a referida estrada. Por sua vez, o Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Marques, enquadra esta situação num “âmbito global”: “No que concerne às vias municipais, o problema da sua manutenção e limpeza é real. As autarquias receberam do Estado redes várias nacionais que foram desclassificadas, sem qualquer contrapartida. E, neste momento e no que concerne ao concelho de Sabrosa, nós não temos capacidade financeira para tratar das vias como deve ser. Pontualmente, lá fazemos alguma coisa, mas não chega. Ainda há um outro problema que se passa com os entulhos que são despejados, à beira das estradas. Uma situação ainda por resolver e que nós, na Câmara de Sabrosa, estamos a fazer um grande esforço, para resolver esta outra preocupação”.

Particularmente crítico com esta problemática está Francisco Lopes, o Presidente da Câmara de Lamego. “Não são medidas administrativas que vão limpar as estradas nem o Douro. Com isso, nada se resolve. Programas e mais projectos “de papel” não bastam. O que é preciso é promover a sensibilização cívica junto das pessoas e, pouco a pouco, ser consolidada a adopção de comportamentos amigos do ambiente. Ainda há pouco, o Tribunal deu razão a um indivíduo que despejou entulho, numa estrada municipal, porque não provámos que o espaço onde deitou o lixo era reserva ecológica. É evidente que, antes, não tirámos a fotografia ao local, pois não íamos adivinhar que lá iria ser despejado o entulho” – referiu. Em relação ao seu concelho e mormente a EN 222, Francisco Lopes sublinhou que o troço situado no seu território “está limpo”.

 

Estratégia de requalificação e limpeza

 

Atento a esta situação está o Encarregado de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, que, mais uma vez, demonstra sensibilidade para esta questão.

“O nosso espaço qualificado não pode conviver com o desleixo que se vê por aí, em algumas estradas. No que concerne às vias marginais e nomeadamente à ligação Régua- Pinhão, EN 222, o que se apresenta não é abonatório. E estamos a falar de uma via panorâmica, junto ao rio, com vistas únicas. Precisamente para pôr fim a isto, estabeleceremos uma estratégia de requalificação e limpeza destas estradas. Vou reunir com os vinte e um Presidentes dos Municípios da região e com o Instituto Portuário dos Transportes Marítimos – Delegação do Douro IPTM. Iremos debater esta questão e vamos avançar com a operacionalização de medidas, para tornar asseadas e limpas as estradas marginais ao Douro. Vou tentar, mesmo antes destas férias, que isso aconteça” – prometeu.

 

“Douro Limpo”

e “Erradicação das

Dissonâncias Ambientais do Alto Douro Vinhateiro”

 

De referir que a área da UNESCO é alvo de duas campanhas que podem, entre outras coisas, “lavar a cara” às estradas durienses. Uma é denominada “Douro Limpo”, promovida pela UTAD. Este projecto conta com muitas acções de sensibilização ambiental, seminários, distribuição de material técnico didáctico sobre a gestão de resíduos de construção civil, sucatas ou os designados monstros domésticos. A outra é denominada “Erradicação das Dissonâncias Ambientais do Alto Douro Vinhateiro” que tem como objectivo a identificação de “pontos negros ambientais” e a elaboração de propostas de reabilitação paisagística para os treze concelhos que integram o Douro Património Mundial. O projecto que tem como entidade executora o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) representa um investimento de 1,6 milhões de euros, financiados pela ON – Operação Norte, através da sua medida ON-Douro. A campanha vai percorrer os concelhos de Alijó, Peso da Régua, Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião, Sabrosa, Vila Real, Lamego, Carrazeda de Ansiães, Armamar, Tabuaço e São João da Pesqueira.

 

José Manuel Cardoso

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