Vila RealEx-CAT com mais concelhos e maiores dificuldades financeiras e humanas

Ex-CAT com mais concelhos e maiores dificuldades financeiras e humanas

Para além dos 14 concelhos do distrito, sob a responsabilidade do CRI vila-realense, estão agora sob a sua alçada mais nove Municípios da margem sul do Douro. Um aumento na área de intervenção do ex-CAT que não teve os devidos reflexos, no que diz respeito ao financiamento e ao quadro de pessoal. Apesar das dificuldades, […]

Para além dos 14 concelhos do distrito, sob a responsabilidade do CRI vila-realense, estão agora sob a sua alçada mais nove Municípios da margem sul do Douro. Um aumento na área de intervenção do ex-CAT que não teve os devidos reflexos, no que diz respeito ao financiamento e ao quadro de pessoal. Apesar das dificuldades, o processo de implementação do novo organismo está a ir “de vento em popa”, com o desenvolvimento de vários projectos, serviços e iniciativas de divulgação.

As grandes dificuldades do processo de implementação do Centro de Resposta Integrada (CRI) de Vila Real passam pelas dificuldades, ao nível financeiro, e pela falta de recursos humanos especializados, explicou, ao Nosso Jornal, José Coelho, responsável por aquele Centro.

Em 30 de Maio de 2007, foi publicado, em Diário da República, o novo Regime Jurídico do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) que ditava a união entre os Centros de Atendimento à Toxicodependência (CAT) e as Unidades de Prevenção Locais e a consequente criação dos CRI, num processo que o Governo esperava ver concluído em Agosto do mesmo ano. No entanto, continua em desenvolvimento a implementação do CRI vila-realense que viu a sua área de actuação ser acrescida de mais nove concelhos da margem sul do Douro.

“O aumento territorial obrigou–nos a fazer uma reestruturação da nossa estratégia de actuação”, explicou o Director do CRI, reconhecendo, no entanto, que, em termos de financiamento, “as dificuldades económicas sentidas pelo IDT se repercutem” ao nível das estruturas locais.

Outra das dificuldades de actuação do novo organismo prende-se com a falta de recursos humanos, isso porque, apesar das “necessidades terem vindo a ser minimamente colmatadas”, José Coelho reconhece que faltam mais profissionais com qualificação técnica. “Relativamente à falta de médicos, estamos a trabalhar, em colaboração com as autarquias, em projectos que possam subsidiar esses profissionais”, revelou o mesmo responsável, adiantando que, por exemplo, o CRI precisa de contratar, “pelo menos”, mais um psicólogo e alargar a sua equipa de enfermeiros.

José Coelho lamentou, ainda, as dificuldades, ao nível “da mobilidade interna”, graças ao facto de o Centro não ter uma viatura própria, para, em tempo útil, os técnicos se deslocarem e iniciarem, de “um maneira mais intensiva, o diagnóstico de situação que é necessário fazer, nomeadamente na nova vertente que é o alcoolismo”.

“Neste momento, estamos a fazer uma integração de toda a vertente e estratégia de tratamento, englobando a prevenção numa fase mais inicial, bem como a reinserção e a redução de riscos e danos”, explicou o Director do CRI, adiantando que o novo organismo deverá estar a funcionar, em pleno, em Junho.

Entre os projectos em curso, José Coelho sublinhou as novas instalações, recentemente inauguradas, do Centro Transfronteiriço de Chaves, criado ao abrigo do INTERREG e “que vai permitir o tratamento de doentes da zona de Verin, Ourense e, pela primeira vez, possibilitar a inversão do fluxo de doentes”, de Espanha para Portugal.

“Estamos em negociações com a autarquia de Lamego para a criação, naquele Município, de uma consulta descentralizada, em Lamego, para servir todos os concelhos da margem sul do Douro, com a supervisão da equipa técnica de Vila Real, bem como estamos, também, em negociações com Alijó, para a dignificação do Centro existente”.

Em 2007, o ex-CAT de Vila Real registou 154 casos novos ou reentrados, sendo que, no último trimestre, segundo José Coelho, 20 dos processos registados eram provenientes de concelhos da margem Sul do Douro.

“É preciso lembrar que ainda não tivemos uma actuação de força. Mas, pela disponibilidade que mostramos e pelas solicitações que estamos a ter, penso que esses números vão aumentar, significativamente”, referiu.

A sublinhar, em todo o processo de transformação do CAT em CRI, está o atraso na certificação de qualidade daquele serviço vila-realense, um atraso que, segundo José Coelho, vai prolongar-se por mais “dois ou três meses”.

De recordar que os novos Centros têm como objectivo dar resposta, ao nível da prevenção, dissuasão, tratamento, reinserção, redução de danos e minimização de riscos, sendo de realçar que, na Região Norte, estão a ser implementados sete CRI, três dos quais no Porto e os restantes nos distritos de Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real.

 

Maria Meireles

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