Após quase oito meses de trabalho, como Secretária da Fundação Casa de Mateus, Anália Pereira acabou por sair, reivindicando, agora, “o que é seu, por direito”. A queixosa diz que já deu entrada com um processo no Tribunal de Trabalho, o qual a Casa de Mateus diz, para já, desconhecer. Pela gravidade das acusações, a Fundação garante que irá “instaurar um processo disciplinar”.
“Não vou desistir dos meus direitos”, defende uma ex-funcionária da Fundação Casa de Mateus, garantindo que irá até às últimas instâncias, para receber uma indemnização pelo despedimento, as compensações por todos os Sábados, Domingos e feriados em que trabalhou, e, finalmente, o documento que lhe dá acesso ao subsídio de desemprego.
Anália Pereira, de 30 anos, trabalhou, na Casa de Mateus, entre Outubro do ano passado e o final do último mês Maio, altura em que foi despedida, como garante a mesma, por “exigir o subsídio de férias”, a que tinha direito.
“Fui de férias, entre os dias 8 e 16 de Maio. Quando regressei ao trabalho, perguntei quando me pagariam o subsídio, ao que me responderam que já o tinham feito, ao longo dos meses”, explicou a jovem, lembrando que, como Secretária na Casa de Mateus, deveria auferir 27,5 euros por dia, um valor que, afinal, traduzia-se apenas em 14,2 euros, mais os seis euros de subsídio de alimentação.
Apesar de continuar a apresentar-se ao trabalho, Anália Pereira não deixou de pressionar a Direcção da Casa de Mateus, para que lhe fosse atribuído o subsídio. Foi então que, como alega, primeiro por telefone e depois pessoalmente, foi despedida, por “não servir para o trabalho” que vinha a desempenhar, desde Outubro.
“Trataram-me sem respeito nenhum. Disseram que eu estava a fantasiar e chamaram-me de burra. Inclusivamente, disseram para eu fazer as malinhas e voltar para minha terra”, revela, indignada, a ex- funcionária, acusando, inclusivamente, o responsável máximo pela Direcção da Casa de Mateus, Fernando de Albuquerque, de “racismo”.
Depois da conversa, por telefone, no dia 26, Anália recorda que falou com outro responsável da Direcção, José Carlos Fernandes, que confirmou o seu despedimento, prometendo que lhe daria os documentos para aceder ao desemprego, dentro de dias, o que “nunca aconteceu”. “Depois, ainda vieram com a história de que eu continuaria a trabalhar, mas noutras funções que não na área do Secretariado e Administração, o que não aceitei”, explica.
Anália Pereira recorda que foi através do Instituto de Emprego que foi trabalhar para a Casa de Mateus. No entanto, nunca chegou a assinar qualquer contrato de trabalho, “aliás, como acontece à muitas pessoas que lá trabalham”.
Sem meias medidas, a jovem dirigiu-se à Inspecção de Trabalho, informou-se dos seus direitos, tendo já dado entrada um processo no Tribunal de Trabalho do Barreiro que tem a primeira audiência marcada para Setembro.
A ex-funcionária pede “os três meses de indemnização” a que tem direito, bem como o pagamento das compensações pelos Sábados, Domingos e feriados em que trabalhou e, finalmente, a carta que lhe dá acesso ao subsídio de desemprego.
Segundo Anália Pereira, esta não será a primeira vez que a Casa de Mateus é alvo de processos, por “más condições de trabalho” para os seus funcionários.
“Lá dentro, vive-se um clima de autêntica exploração, não têm respeito por ninguém, são mesmo desumanos”, acusa a jovem que, actualmente, está na recta final do Curso de Secretariado e Administração, em Lamego.
“Eles, agora, alegam que não me despediram, o que não é verdade”, lamenta Anália Pereira que, para além de testemunhas que o confirmam, apresenta a edição do Nosso Jornal, publicada na Quinta-feira seguinte aos acontecimentos, onde já consta um anúncio, a pedir uma Secretária.
Contactado pelo Nosso Jornal, um responsável pela Direcção da Fundação Casa de Mateus fez-nos chegar o seguinte comunicado:
“Não sendo hábito a Direcção da Fundação da Casa de Mateus responder a este tipo de polémicas públicas e não entrando em pormenores, relativamente às acusações da Sr.ª D.ª Anália Pereira, quero esclarecer, no entanto, que, se realmente foi feita uma queixa ao Tribunal de Trabalho do Barreiro, que desconheço, a esse Tribunal competirá tentar apurar a verdade dos factos.
Sendo ainda as acusações da Sr.ª D.ª Anália Pereira consideradas, pela Direcção desta Fundação, muito graves, irá a mesma instaurar um processo disciplinar.
No que diz respeito à acusação pessoal de um comportamento racista, refiro que, se assim fosse, a Sr.ª D.ª Anália Pereira não teria, evidentemente, sido por mim contratada, para trabalhar nesta casa”.
Maria Meireles



