Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025
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Vila RealFaleceu António Cabral

Faleceu António Cabral

Na madrugada de Terça-feira, faleceu, inesperadamente, o escritor e grande animador cultural transmontano-duriense, António Joaquim Magalhães Cabral. Tinha 76 anos de idade. Trata-se de uma figura muito conhecida, não só na nossa região como no país inteiro e no estrangeiro, nomeadamente na Galiza, onde sempre teve uma ligação muito forte com os escritores e agentes […]

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Na madrugada de Terça-feira, faleceu, inesperadamente, o escritor e grande animador cultural transmontano-duriense, António Joaquim Magalhães Cabral. Tinha 76 anos de idade. Trata-se de uma figura muito conhecida, não só na nossa região como no país inteiro e no estrangeiro, nomeadamente na Galiza, onde sempre teve uma ligação muito forte com os escritores e agentes da cultura locais.

Frequentou o Seminário de Vila Real, foi sacerdote e, depois, licenciou-se em Filosofia, na Universidade do Porto.

António Cabral, para além da sua obra, de grande expressão (editada em prosa e verso) foi muito interventivo em praticamente todas as áreas do saber. Dedicou-se ao ensino (deixando muitas saudades a quantos dele beneficiaram, através das suas aulas), ao associativismo (foi Delegado Regional do INATEL), à literatura (lembremos a sua notável “História da Literatura Portuguesa”), à edição de trabalhos literários que outros produziram (nomeadamente um grande conjunto de antologias e colectâneas), apresentação de livros e autores em sessões públicas, conferências, crónicas e artigos em variadíssimas publicações, organização de tertúlias e sessões culturais (também pela música e pelas artes), numa actividade incessante e de grande conteúdo para o desenvolvimento. Deixou-nos uma obra extensa, incomparável, sendo de realçar a sua grande paixão pelos jogos populares, de que era um grande especialista, promovendo a sua divulgação e recuperando-os, de forma definitiva. Publicou vários trabalhos sobre a pedagogia do jogo. Fundou diversas publicações, sempre numa procura incessante de novos temas e de novas realidades, de que as mais evidentes terão sido os cadernos “Setentrião”, “Tellus” ou “Continente” e o jornal “Nordeste Cultural”, assim como o Centro Cultural Regional de Vila Real, integrando-se, de igual modo, no projecto, na altura inovador, da Universidade Sénior vila-realense.

Foi um homem da Cultura Popular, um homem do Douro (região em que nasceu, em Castedo) e não poderá ser esquecido, tendo em conta os vectores importantes (alguns deles decisivos) que circunscreveu, em toda a nossa região, através de um trabalho sem fronteiras e de um inesgotável entusiasmo.

Trás-os-Montes e Alto Douro, assim como o nosso país, perdeu um grande valor. Ficam as suas obras, vastíssimas, a testemunhar a sua valia, a sua competência, o seu intervencionismo e a sua afeição por todos nós.

O seu funeral ocorreu, ontem, tendo o seu corpo sido sepultado no cemitério de Castedo do Douro.

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