Sábado, 25 de Abril de 2026
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Famílias de acolhimento temporário precisam-se…

São chamadas a dar um bocadinho do seu tempo, uma parte do seu espaço e carinho em boas doses. As Famílias de Acolhimento Temporário da Plataforma ProAnimal são lares que dão o primeiro momento de conforto a animais que aguardam por um lar definitivo. Apesar de verdadeiras heroínas, as famílias vila-realenses que abraçam o voluntariado ainda são poucas para dar resposta ao enorme número de cães e gatos socorridos das ruas

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Quase 250 animais foram salvos no último das ruas do distrito de Vila Real pela Plataforma ProAnimal que, depois de garantir os tratamentos veterinários adequados, depende das suas Famílias de Acolhimento Temporário (FAT) até que se concretize a adoção definitiva. Neste momento é urgente encontrar mais voluntários que acolham em sua casa os animais recolhidos das ruas.

Somando centenas e centenas de animais salvos desde a sua criação em 2011, a Plataforma, que tem visto o número de animais a precisar de apoio aumentar, sublinha como sua prioridade neste momento a angariação de mais famílias que possam acolher temporariamente os cães e gatos que esperam por encontrar um lar definitivo.

“Hoje de manhã uma cadelinha teve que ir ao hospital por causa de um corte na pata, depois tivemos que socorrer uma gata que foi atropelada na Lavarqueira, no sábado tivemos um pedido de apoio para um cão atropelado em Mondim de Basto. Os casos são diários”, explicou António Brandão, da direção da Plaforma.

Segundo o mesmo responsável, a filosofia da associação é responder em todos os casos em que os cães ou gatos precisa de tratamento, sendo direcionados para os hospitais de Vila Real, onde são tratados e de onde partem depois de receber alta para famílias de colhimento até que sejam adotados.

Só no hospital veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) deram entrada, desde 1 de outubro do ano passado (data de entrada em vigor da nova lei contra os maus tratos a animais) até 16 de novembro, 151 novos casos de cães e gatos que precisavam de tratamentos, um número que se soma aos 96 ingressos que, no mesmo período, foram recebidos no Hospital Veterinário de Trás-os-Montes (HVTM).

Desses, a grande maioria precisou de uma FAT até que fossem formalizadas as suas adoções, sendo de sublinhar que no último ano foram encontrados lares definitivos para 176 cães e gatos.

Contando atualmente com cerca de três dezenas de famílias vila-realense que abriram os seus lares para receber os amigos de quatro patas, António Brandão sublinha que o número de FAT é muito volátil, sendo necessário responder com prontidão aos casos de famílias que, por qualquer motivo, informam que já não podem ter os animais.

“Neste momento temos uma cadelinha bebé e uma de porte médio no hospital que tiveram alta e para as quais temos que encontrar com urgência um lar temporário”, sublinhou o responsável, apelando a que mais pessoas se possam voluntariar para receber os animais que precisam de ajuda.

Salvo rarísssimas exceções (como animais que não se adaptam por questões de comportamento), um animal recolhido nunca volta para rua. Ainda assim, no caso daqueles que precisam de tratamento a resposta da plataforma é imediata, levando para os hospitais e só depois agilizando as medidas necessários para encontrar um lar temporário.

“Gostávamos de ter várias famílias de acolhimento. Famílias que possam, por exemplo, disponibilizar um pequeno terreno para acolher alguns cães, ou que disponibilizem o seu apartamento para receber um gato ou um cão”, referiu o responsável da plataforma explicando que a associação assume todas as despesas com tratamentos veterinários, alimentação e desparasitações.

Para uma organização sem fins lucrativos que não tem como objetivo ter um canil ou um gatil sobrelotado, encontrar novas FAT é uma grande forma de voluntariado, sendo necessário apenas garantir um contacto próximo com a Plataforma, algum tempo para dedicar ao seu “inquilino” temporário e gostar de animais.

Beatriz Morais, de 21 anos, é uma dessas famílias de acolhimento, partilhando assim o seu lar não só com os seus quatro cães e quatro gatos de estimação, mas também com a pequena Milka, uma cadelinha de três meses que aguarda adoção.

Voluntária há dois anos e meio na Plataforma, ajudando primeiro na parte da divulgação das campanhas de adoção e de recolha de ajudas, a estudante de Comunicação e Multimédia da UTAD hoje tem uma responsabilidade acrescida, ao ter ainda a seu cargo outros seis cães que estão num terreno emprestado, garantido assim a alimentação diária e uma boa dose de carinho.

Identificando logo o Vicente, a Zeza, o Bob, a Indy, a Lidy e o Black, todos animais que aguardam a adoção e que ao aproximar da jovem não escondem a satisfação, Beatriz Morais ainda visita diariamente outros cinco cães, que aguardam o encontro com uma família definitiva num outro espaço da cidade.

“Não temos um espaço físico próprio por isso é importante conseguir um maior número de voluntários que nos possam ajudar, acolhendo um animal. Um animal que tenham em casa é menos um que está nas ruas”, frisou.

Helena Cunha, professora, de 46 anos, é também Família de Acolhimento, tendo recebido em casa, ao longo dos últimos dois anos, 26 gatos. “Agora tenho a Persi e o Oliver”, apresentou a professora enquanto garante mais uma sessão de festinhas aos gatinhos que partilham a casa com as suas gatas de estimação, a Mia e a Tuca.

Ajudando noutras tarefas da associação, nomeadamente na alimentação e acompanhamento de animais que estão em FAT e que temporariamente, por exemplo aos fins-de-semana, não podem contar contar com a sua família, Helena Cunha ainda dá apoio à associação na organização de campanha de recolha de alimentos e de outros eventos solidários.

 

Como ajudar a Plataforma ProAnimal

 

Caso não tenha condições para receber em casa um animal ou disponibilidade para desempenhar outras tarefas de voluntariado, pode ajuda a organização de defesa dos animais ao fazer um contributo monetário, que são utilizados sobretudo para custear despesas de veterinário.

Os donativos podem ser depositados na conta da Plataforma (NIB: 0010 0000 4814 325000121) ou entregues diretamente nos hospitais, onde a dívida da plataforma já ultrapassa os dois mil euros. “Quem quiser ajudar pode mesmo deslocar-se ao hospital para ajudar a pagar uma parte da despesa. Assim, fica a saber que animal ajudou, ou seja, para onde foi direcionado o donativo. Esta é uma forma da pessoa ter a confiança absoluta sobre onde o dinheiro é utilizado e para nós é a ajuda necessária para podermos recolher o próximo animal”, explicou António Brandão.

Um telefonema para o número solidário (760 450 051 – 0,60€ + IVA), a participação em leilões e noutros eventos solidários, a contribuição com rações e a divulgação dos animais que esperam pela adoção, são outras formas de ajudar a plataforma.


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