Apesar de ainda estarem a ser feitas as alterações finais no projecto do futuro Recinto de Eventos e Festas de Vila Real, alguns comerciantes já demonstram a sua “apreensão” relativamente ao facto deste estar a ser pensado para um terreno “mais afastado do centro da cidade”. Para já, o momento é de festa, para os vila-realenses, os quais podem contar com um conjunto de actividades organizadas em honra do padroeiro da cidade.
Amanhã, dia 13, comemora-se o Dia de Santo António. No entanto, desde o dia 9 e até ao dia 15, a feira dedicada ao Santo dá vida à zona da cidade junto à estação de comboios e à antiga zona industrial, uma localização que tem os dias contados, graças à intenção da autarquia de mobilizar todas as festas para um espaço que, apesar de contar com melhores condições, deixa apreensivos os feirantes.
“Neste momento, estamos a acabar o projecto e vamos dar início à fase de expropriação dos terrenos”, garantiu, ao Nosso Jornal, Domingos Madeira Pinto, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, confirmando que o Recinto de Eventos e Festas será construído “em frente da Quinta de Nossa Senhora de Lurdes, na estrada que vai dar a Vila Nova”.
Fonte da autarquia explicou que ainda não são divulgadas informações mais concretas sobre o projecto, visto este “ainda estar a sofrer algumas alterações, com a ultimação de alguns pormenores”. No entanto, a garantia é que o espaço contará com todas as condições para os feirantes.
O Nosso Jornal recorda, no entanto, declarações do autarca Manuel Martins, em Novembro do ano passado, altura em que foi aprovado, pela Assembleia Municipal, um empréstimo de oito milhões de euros, a ser contratualizado pelo Município, dos quais 1,5 milhões vão, exactamente, para o recinto de festas. Na altura, o edil adiantou que o espaço deverá ocupar cerca de 11 hectares de terreno e estar pronto para receber a edição de 2009 das Festas de Santo António.
Apesar da promessa de melhores dias, no que diz respeito, por exemplo, a instalações sanitárias e abastecimento de água, alguns feirantes que este ano marcam presença na Feira de Santo António mostram-se já preocupados com a mudança.
“Quanto mais longe do centro, pior”, sublinhou Carlos Maravilha, comerciante de tapetes que, há vários anos, participa na Feira de Santo António.
Também Ana Garcia, vendedora de quadros, teme que o “desvio” seja prejudicial para o negócio que “já não está nada bom”.
“Se queremos despejar um balde de água, não temos uma valeta, para o fazer. Há casas de banho, mas são fechadas, ao fim da tarde, quando é à noite que as pessoas vêm, em maior número, à feira”, sublinhou a comerciante, sobre as fragilidades do actual espaço.
Percorrendo várias feiras do país, “há mais de trinta anos”, Ana Garcia garante que a crise “está em todo o lado”. No entanto, frisa que, apesar de se prometerem melhores condições, com a deslocação, a feira corre o risco de contar com menos visitantes, o que seria ainda mais prejudicial, para negócio.
As dificuldades das dezenas de “roulottes” de comidas e tendas de brinquedos, quadros, louças e diversões são alheias aos milhares de vila-realenses que, até o dia 15, vão deslocar-se à Feira dedicada ao padroeiro de Vila Real.
Mas as actividades organizadas pela autarquia, em honra de Santo António, não se limitam à feira, estando marcadas, para hoje, pelas 21 horas, na Avenida Carvalho Araújo, as Marchas Populares, sendo que a novidade deste ano passa pela instalação de bancadas, para garantir mais conforto aos espectadores do desfile.
Amanhã, para além da realização da Missa Solene e da procissão de Santo António, pelas 10 e 18 horas, respectivamente, o programa das Festas da Cidade conta também com a realização da Feira de Gado de Lordelo, a actuação do grupo “Acrolat’in”, na Praça do Município (às 22 horas) e, finalmente, o tradicional arraial que, a partir da meia-noite, vai pintar os céus da capital de distrito.
Maria Meireles



