O encerramento da Linha do Corgo foi um dos exemplos mais claros desse afastamento com consequências que, ainda hoje, se fazem sentir na mobilidade das populações e no desenvolvimento da região.
A ausência de uma ligação ferroviária a Vila Real, capital de distrito, continua a ser difícil de compreender. Num país onde tanto se fala de coesão territorial, não faz sentido que uma cidade com a importância de Vila Real continue sem acesso a uma rede ferroviária que a aproxime dos principais centros urbanos.
O Plano Ferroviário Nacional e as propostas para uma futura ligação entre o Porto, Amarante, Vila Real, Bragança e Zamora voltaram a trazer esta questão para a discussão pública. A assinatura, no verão de 2025 do acordo para os estudos de viabilidade foi um passo importante. Ainda assim, é fundamental que este processo não fique novamente pelas intenções. A região precisa de decisões, prazos definidos e garantias de investimento.
Uma ligação ferroviária moderna teria impacto na economia de Vila Real e de toda a região. Facilitaria a deslocação de pessoas e mercadorias, aproximaria as empresas dos principais centros económicos e criaria melhores condições para atrair investimento. Permitiria também reduzir a dependência do transporte rodoviário e reforçar a competitividade dos produtores e das empresas locais.
Vila Real tem uma universidade, empresas, serviços e uma dinâmica própria. É uma cidade com potencial para crescer e atrair população, mas precisa de acessibilidades que acompanhem essa ambição. Ter melhores ligações ao litoral significa criar mais oportunidades para quem aqui vive, estuda, trabalha ou pretende investir.
A ferrovia é também uma questão de qualidade de vida. Não podemos falar em fixar jovens, atrair famílias e combater o despovoamento do interior sem garantir alternativas de transporte rápidas, acessíveis e sustentáveis. A mobilidade não deve depender exclusivamente do automóvel, nem o local onde se vive deve determinar as oportunidades a que se pode aceder.
O regresso do comboio a Vila Real não deve ser visto como uma tentativa de recuperar o passado, mas como uma aposta no futuro da cidade e de toda a região. Não se trata de pedir privilégios, mas de reivindicar uma ligação que faz falta e que pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento de Trás-os-Montes.
Vila Real não pode continuar à espera. A ferrovia é uma oportunidade que não devemos voltar a deixar passar.




