Começou no dia que lhe dá o nome mais uma edição do Vinte e Sete – Festival Internacional de Teatro, uma iniciativa realizada em parceria entre as duas maiores casas de espetáculo transmontanas e que, até ao final de maio, vai trazer à região 22 espetáculos onde o “humor é a nota dominante”.
Com um orçamento de 60 mil euros, idêntico ao do ano passado, da programação da oitava edição do festival, a organização destaca a passagem pelos palcos de Vila Real e Bragança de “duas grandes atrizes que fazem já parte da história do teatro português”, Eunice Muñoz e Maria do Céu Guerra.
Com a peça “O Cerco de Leninegrado”, “uma comédia política e que simultaneamente presta uma homenagem a todos os profissionais de teatro”, Eunice Muñoz comemora os seus 70 anos de carreira, e agora vai também festejá-los em Vila Real, no dia 20 de abril, e, uma semana depois, em Bragança.
Por sua vez, Maria do Céu Guerra traz a Trás-os-Montes, nos dias 4 e 6 (Bragança e Vila Real, respetivamente) a história de “D. Maria, a Louca”, um espetáculo “que está a causar um grande impacto no teatro em Portugal”, explicou Ruí Ângelo Araújo, coordenador do Departamento de Produção e Programação do Teatro de Vila Real.
O mesmo responsável sublinhou que o humor é transversal aos espetáculos apresentados nesta oitava edição, um “humor que ao mesmo tempo” incita à reflexão.
Um dos pontos altos do cartaz do festival foi exatamente o seu início que, realizado no Teatro de Bragança, proporcionou a oportunidade dos espetadores experimentarem, através da realização de uma visita guiada muito especial, “O Teatro Antes do Teatro”.
“É muito mais que uma visita”, referiu Helena Genésio, diretora do Teatro de Bragança, explicando que o objetivo foi a realização de uma “visita encenada” onde cerca de 30 cidadãos brigantinos e mesmo os técnicos da casa de espetáculo assumiram o papel de atores.
O projeto, realizado no âmbito da cooperação entre o Teatro de Bragança e a Companhia Teatro da Garagem, representa mais uma experiência no trabalho de envolvimento da comunidade local no processo criativo, com a realização espetáculos que envolvem dezenas de atores amadores.
A mesma responsável também sublinhou o facto do humor atravessar toda a programação, com obras de “comédia corrosiva ou de riso pelo riso”. Uma oferta cultural que, “como é hábito, procura ir de encontro de diferentes públicos”.
Além dos espetáculos, alguns em cena apenas em um dos dois teatros como forma de “provocar o público a circular entre as cidades”, o “Vinte e Sete” conta com uma programação paralela que, além da já tradicional Feira de Objetos Culturais, este ano conta com uma inovação, a realização de leituras encenadas nas escolas do concelho de Vila Real da peça “A Grande Invasão”, pelos Peripécia Teatro.
Sobre os reflexos da situação económica difícil que se vive a nível nacional na realidade dos dois teatros, Helena Genésio é perentória ao afirmar que “a crise aumentou o público”, isso porque, devido às dificuldades, as famílias já não saem tanto do concelho e optam por usufruir da oferta cultural que têm à sua disposição.






