Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Filandorra vai criar Academia de Teatro para todas as idades

Apesar de não receber qualquer subsídio por parte do Estado, a companhia de teatro vila-realense prova, com os números da última temporada, que é capaz de se manter em cena e adianta alguns dos projetos que tem na manga, entre os quais a criação de uma escola de teatro e um projeto de residência artística em seis concelhos. Depois de duas décadas no Teatro Morais Serrão, o grupo profissional tem agora um novo espaço alugado, mas mantém a esperança de encontrar, em parceria com a autarquia, uma sede definitiva.

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A Filandorra anunciou, no dia 29, que vai avançar com a criação da Academia Transmontana de Teatro e Educação para Todas Idades (ATTETI), um projeto incluído num momento de “advento” para a companhia vila-realense.

A notícia foi avançada durante uma conferência de imprensa que serviu para fazer o balanço da última época artística, lançar fortes críticas à falta de apoio do governo central e local, e adiantar alguns dos projetos que o grupo de teatro profissional tem em carteira, e que deverão avançar já a partir de setembro.

David Carvalho, diretor da Filandorra, explicou que a criação da academia surgirá no âmbito de um “novo paradigma” assumido para o futuro da companhia, que não pretende baixar os braços face à falta de apoio financeiro.

A ATTETI, considerada pelo diretor como inovadora na região, deverá nascer no novo espaço, localizado na zona da Nossa Senhora da Conceição, da companhia, e dará resposta “a um pedido que tem vindo a ser feito sistematicamente por espetadores, pais, famílias, professores”.

O projeto, direcionado para pessoas “dos zero aos 80 anos”, pretende desenvolver um trabalho de “grande proximidade” com o público, trabalhando em colaboração com as Escolas Municipais de Teatro e promovendo “oficinas móveis” e ações de formação específicas para empresas, escolas e até famílias e grupos de pessoas organizados.

“Os municípios mais pequenos, que não têm escolas de teatro em funcionamento todo o ano, porque não têm dinheiro para investir, poderão contratar um curso ou uma ação de formação”, explicou David Carvalho, referindo uma das valências da ATTETI, projeto que vai ainda dinamizar uma teatroteca na nova sede da companhia.

Outro projeto em agenda para a próxima temporada, e que retrata o “novo ciclo” da Filandorra, é o “DE CARAS” (Descentralização e Envolvimento através de Comunidades, Acolhimento, Residências Artísticas). “Vamos escolher meia dúzia de municípios, com base no histórico da relação com aqueles com quem temos trabalhado e segundo o investimento feito, e fazer residências artísticas de dois meses em cada um deles”, explicou o mesmo responsável.

Classificando a ideia como “uma experiência singular no país” e reflexo da “experiência da companhia em termos de curtas permanências”, o projeto poderá ser desenvolvido em municípios como Baião, Montalegre, Vila Pouca de Aguiar, Vinhais, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa e Sabrosa.

Além de promover as residências artísticas, a Filandorra continuará a desenvolver uma forte atividade junto dos mais de 20 concelhos com quem tem acordos, “à medida da sua capacidade de investimento” e “pelo menos com a compra de espetáculos para as escolas e para o público em geral”.

A “revolução”, que visa também uma maior colaboração com outras entidades, nomeadamente associações de municípios e fundações, consubstancia-se assim num “pacote pela via reativa da agressividade e do empreendedorismo” que “vai demonstrar ao Estado Central que, mesmo fechando a torneira, não consegue acabar com a companhia e com a cultura em Trás-os-Montes”, advertiu David Carvalho, que prometeu ainda, para setembro ou outubro, ações simbólicas de indignação perante o cenário da falta de apoios financeiros.

“Resistimos e teremos episódios bem representativos dessa resistência. Em Vila Real vamos julgar, neste pelourinho medieval, símbolo da justiça, quem nos desgoverna no distrito e iremos a Lisboa fazer duas investidas, uma na Praça do Comércio e outra na Biblioteca Nacional, que é a sede da Direção-Geral das Artes”, prometeu.

Segundo as estatísticas da companhia, no último ano e meio, a Filandorra desenvolveu 232 atividades, entre espetáculos, animações de rua e ações de formação, somando um total de mais de 24.500 espetadores.

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