Até dá nome a um dos mais bonitos trilhos da região, mas da fama pouco proveito tira. O “Fojo do Lobo” motivo de romaria esporádica dos “discípulos” camilianos, fica a cerca de 2 km da aldeia de Samardã e apresenta-se em mau estado de conservação. A estrutura, constituída com muros de 2 metros de altura, servia para atrair para o seu interior os lobos, através do uso de um isco – um animal vivo (tipicamente cordeiro ou cabrito). Uma vez no interior dos muros, e dada a sua dimensão e forma de remate, o lobo não conseguia transpô-lo e escapar da armadilha (altura do muro era substancialmente superior do lado de dentro). A estrutura, em pedra solta, granito ou xisto, adossada a um afloramento granítico, foi erguida junto a um antigo local de passagem de lobos e de pastoreio.
Este “fojo” é circular, e ausente de entrada nem poço ao fundo. O muro aproveita o declive do terreno, com cerca de 2 metros de altitude e ligeiramente inclinado para o centro. Além do seu estado, é uma pena não ter sinalização adequada e mais difundida nas estradas nacionais. De Vila Real até ao local, somente na EN 2 e junto ao cruzamento para a aldeia de Samardã, se encontra uma placa de indicação. Depois não existe mais nenhuma sinalização.
A beleza envolvente do lugar levou mesmo Camilo Castelo Branco a escrever alguns poemas sobre este local na Samardã. Este fojo é semelhante aos chamados “fojos de cabrita” descobertos no vale do Côa, perto de Pinhel, a sul do Douro. Regiões que acabam por ter um traço comum: a pastorícia.
Recorde-se que, para evocar esta armadilha maquiavélica para os lobos foi criado o Trilho do Fojo do Lobo, cujo traçado se desenvolve em pleno Parque Natural da Serra do Alvão.





