Depois de mais de 25 anos votado ao abandono, o inacabado Hotel do Parque parece estar cada vez mais próximo de “um final feliz”. Com o processo de transformação da infra-estrutura numa residência assistida/medicalizada “na recta final”, foi já lançado um fundo de investimento que vai suportar o empreendimento. No Hotel do Parque será construído um Hospital Privado, um bloco de residências medicalizadas e um parque de estacionamento para 140 lugares.
A sociedade gestora de fundos imobiliários, “Fundbox SGFIL, SA” anunciou, no dia 5, a constituição de dois fundos de investimento, de 13 milhões de euros, de capitais próprios, vocacionados para investir na promoção de residências assistidas/medicalizadas e unidades de cuidados continuados, entre as quais está o projecto de transformação do Hotel do Parque.
A “Fundbox” lançou os dois fundos de investimento imobiliário fechados, denominados “Atlântida” e “Lusitânia”, com capitais iniciais de 5 e 8 milhões de euros, respectivamente, um dos quais destinado à criação da residência assistida vila-realense e outro direccionado para um projecto previsto para Portimão, tendo sido já “celebrados os contratos promessa de aquisição dos dois imóveis”.
Em comunicado, a sociedade de investimentos refere que, nos dois projectos, “estão em estudo investimentos adicionais no valor de 200 milhões de euros”.
“Ainda não sabemos quais dos dois fundos se destinará ao investimento no Hotel do Parque”, referiu fonte próxima do processo, adiantado, apenas, que as obras deverão estar no terreno, “em Setembro ou Outubro”.
A mesma fonte explicou que, neste momento, e depois da revisão do Plano de Pormenor do Bairro dos Ferreiros, o projecto está a ser avaliado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, tendo, depois, de ser alvo de um novo período de discussão pública.
“Os objectivos estabelecidos estão a ser atingidos e o processo está agora na recta final”, revelou, ao Nosso Jornal, adiantando que, no fim-de-semana das corridas, os Presidentes dos Conselhos de Administração do Grupo “Existence SA” e do Hospital da Trofa estarão em Vila Real.
A mesma fonte referiu, inclusivamente, que “já estão em vista outros investimentos, na região”.
“O Grupo Existence SA, uma parceria bancária de primeira ordem e uma parceria médica e hospitalar com o Grupo Hospital da Trofa, aliados a uma irresistível vontade de edificar, equipar e gerir, permite, assim, unir as forças necessárias, para responder às mais importantes carências imobiliárias deste início do terceiro milénio”, sublinha o comunicado, nomeando o “Banco Invest” como depositário do Fundo.
A “Fundbox” prevê “a elevação, durante os exercícios de 2008 e 2009, do capital dos fundos à medida do desenvolvimento dos seus planos de investimentos que poderão atingir um valor combinado de 250 milhões de euros”.
“Durante os dois anos da sua duração inicial, o fundo será gerido com vista à constituição de uma carteira de residências assistidas/medicalizadas e de cuidados continuados. A distribuição geográfica objectiva contempla investimentos na totalidade do território nacional, estando correntemente em análise propriedades localizadas em Coimbra, Castelo Branco, Aveiro, Viseu, Guarda e Santarém”.
O comunicado, divulgado no início do mês, cita ainda Rui Alpalhão, Presidente da Comissão Executiva da “FundBox”: “É com grande satisfação que lançamos dois fundos gémeos, dirigidos a um nicho de mercado – as residências assistidas/medicalizadas e de cuidados continuados – para os quais antevemos uma procura crescente. Temos elevadas expectativas, relativamente à procura de produtos deste género. Até agora, as empresas gestoras de residências assistidas que estão no mercado têm-se responsabilizado pela promoção imobiliária das unidades que administram, mas não só cremos que não tem necessariamente de ser assim como que é possível, fazendo diferente, fazer melhor”.
Parece estar cada vez mais próximo o final de uma novela que começou com o abandono da obra de construção da unidade hoteleira de luxo, há mais de 25 anos.
Situado na Avenida 1.º de Maio, o Hotel do Parque conta, na sua história, com episódios que envolveram a hipótese de demolição, a sua reconversão num edifício de habitação e escritórios, a sua vertente de abrigo a toxicodependentes e, mesmo, o assassinato de um dos herdeiros, então residente no Brasil, o que levou, na altura, ao retrocesso nas negociações entre os proprietários e possíveis compradores.
Maria Meireles



