Em dois anos de existência, o Gabinete de Apoio à promoção da Propriedade Industrial (GAPI) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) já registou 26 patentes, um trabalho de reconhecimento, protecção e valorização dos resultados de investigações feitas na academia transmontana.
Num processo que demora precisamente dois anos, o GAPI já viu confirmada a primeira das suas patentes, o “Processo de Tratamento e Valorização dos Resíduos e Afluentes das Unidades de Produção de Azeite, através da utilização de resíduos da Indústria Corticeira”, um projecto da responsabilidade de João Claro que já foi mesmo contemplado com apoio do Quadro de Referência Estratégica Nacional, e irá entrar em funcionamento na Co-operativa de Olivicultores de Murça.
Só em 2007, foram registadas 13 patentes, de projectos tão variados como o “processo biológico aeróbio de tratamento de efluentes agro-industriais em elevado teor em compostos aromáticos, o sistema de monitorização contínua para aplicação em amortecedores ou o sistema de medição de propriedades do solo”.
Este ano foram apresentadas outras 13 patentes, sendo de destacar investigações como o “Método e Dispositivo de Medida de Irradiação Solar utilizando um painel fotovoltaico” (software que permite a movimentação do painel solar, não num sistema automático, mas de acordo com a produção, o que, nos países de maior altitude, em que o rendimento da energia solar é mais baixo, poderá permitir o aproveitamento da luz reflectida na neve).
Outro dos projectos dinamizados na UTAD, e que espera pela confirmação da patente, é o “NutriMe”, uma invenção que permite a monitorização e aconselhamento nutricional com a recolha de informação através de um telemóvel.
Entre muitas outras ideias dos investigadores da academia transmontana, de sublinhar ainda o “método para estimativa da idade das árvores idosas”, que não recorre ao abate da espécie, ou ao recipiente inteligente para a Recolha de Resíduos, nomeadamente dos óleos. Este último, considerado um Modelo de Utilidade (MUT), por não ser uma invenção, mas sim uma inovação ao nível da aplicação. Permite a simplificação do processo de recolha de óleos, ou seja, através de sensores colocados nos recipientes, estes dão o alerta sobre o aproximar do limite do contentor para uma base de dados que depois estrutura uma rota de recolha, tornando-a mais prática e mais barata.
“Antes de ser criado o GAPI, não havia grande preocupação” dos investigadores em proteger as invenções, explicou Miguel Bacelar do gabinete da UTAD.
Explicando a obtenção da patente, o mesmo responsável referiu, ao Nosso Jornal, que o processo demora 24 meses e tem vários passos, desde a apresentação da proposta até à sua publicação, sendo necessário compará-la “com tudo que existe no mundo” e apresentá-la publicamente para um período de contestação de dois meses.
Custeadas pela UTAD e aprovadas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, os direitos sobre as patentes pertencem, em igual parte, à academia e ao investigador responsável. “Depois, o interesse é comercializar” a ideia, explicou Miguel Bacelar.
José Bulas Cruz, responsável pelo GAPI, sublinhou a importância da criação do gabinete para protecção do valor intelectual da UTAD, mas também para a sua projecção através do registo de “patentes muito valiosas”.
“Faço um balanço muito positivo do GAPI”, explicou o docente adiantando que a estrutura de promoção à propriedade industrial vai continuar a crescer proporcionalmente às necessidades dos seus investigadores e dos seus parceiros.






