Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2025
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Vila RealGanchas de S. Brás foram atracção

Ganchas de S. Brás foram atracção

A capital do distrito foi palco de uma das romarias mais antigas de Trás-os-Montes, devota de S.Brás. Apesar do santo milagreiro não receber a ajuda de S.Pedro, muitos foliões rumaram à capelinha de S.Dinis e alguns compraram as famosas “ganchas” que voltaram a adoçar a boca de miúdos e graúdos. A singela capelinha de S. […]

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A capital do distrito foi palco de uma das romarias mais antigas de Trás-os-Montes, devota de S.Brás. Apesar do santo milagreiro não receber a ajuda de S.Pedro, muitos foliões rumaram à capelinha de S.Dinis e alguns compraram as famosas “ganchas” que voltaram a adoçar a boca de miúdos e graúdos.

A singela capelinha de S. Dinis voltou a ser, no Domingo, o destino de muitos romeiros de S. Brás. Como não podia deixar de ser, as tradicionais ganchas não faltaram, por serem o “ex-libris” dos festejos.

O tempo não ajudou, mas, mesmo assim, meia dúzia de vendedoras não se intimidaram e marcaram presença, com o famoso rebuçado, em forma de bengala. Quanto ao negócio, as coisas não correram pelo melhor.

Julieta Rebelo, mordoma da festa, “há muitos anos”, contou, ao Nosso Jornal, que “a venda das ganchas já não é como era antes. A juventude já não se interessa e agora tudo tem medo das diabetes e fogem do açúcar. O que vai valendo ainda são as avós e os avôs que as dão aos seus netos”. Para piorar a situação, a data não coincidiu com o período de aulas. “Isso era uma grande ajuda” – clamou Julieta Rebelo que confessou que já faz as ganchas, “há mais de cinquenta anos”.

“Tenho sessenta e quatro anos e desde pequena que estou ligada a esta tradição. Foi-se transmitindo, através da família, e ainda hoje se cumpre. Parece que, para o ano, poderá haver festa rija, porque a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia quererão organizar uma festa condigna, dedicada a S. Brás. Vamos ver” – disse Julieta Rebelo.

Mesmo com os idosos a serem os clientes mais habituais das ganchas, ainda houve rapazes que cumpriram a tradição de oferecer o longilíneo rebuçado às suas namoradas. As ganchas de S. Brás são um rebuçado original da região de Vila Real. O santo é orago dos sofredores da garganta. Há quem garanta que a gancha representa o báculo bispal de S. Brás e que, dada a sua forma de espátula, servia para pincelar gargantas ou desalojar objectos estranhos nelas entalados. A doçura da gancha servia para adoçar as bocas das crianças ou como suavizante de garganta irritada. Para o efeito, era enriquecida com a mistura de vários unguentos, ervas e aromas.

Esta tradição recorda a de Santa Luzia e a dos doces designados por “pitos”, a 13 de Dezembro, constituindo ambos um ritual brejeiro de trocas e promessas.

A gancha de S. Brás é confeccionada apenas com água e açúcar. Depois, quando o liquido está quase na fase de caramelo, é deitado sobre uma pedra mármore ou travessa de folha, cortado com uma tesoura e moldado com as mãos.

 

Jmcardoso

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