Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

GNR “bate o dente” nos dias de mais frio

Nos dias de maior frio, quando a neve atrapalha a vida das populações de muitas localidades transmontanas, a par com os bombeiros e outros agentes de Protecção Civil, são os militares da GNR que são chamados a prestar auxílio. Condições mínimas de fardamento, para que possam levar a cabo o seu trabalho, é o que pedem os guardas. O processo de mudança do fardamento e outras problemáticas ligadas à profissão justificam a concentração marcada para o próximo dia 14, em Lisboa, e que deverá contar com uma forte adesão por parte dos militares transmontanos.

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Apesar de ser considerado já como um problema “de há muitos anos”, a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) voltou a denunciar, esta semana, a falta de condições do fardamento da Guarda Nacional Republicana (GNR) para o trabalho em condições climatéricas adversas de Inverno, uma realidade que se verifica sobretudo nos distritos mais frios, entre os quais o de Vila Real.

César Nogueira, presidente da Delegação Regional da Zona Norte da APG, explicou ao Nosso Jornal que os militares “não têm fardamento adequado” para suportar o frio e a neve, não sendo permitida a utilização de outros casacos ou protecções extra além do fardamento estipulado.

O dirigente classifica como “incompreensível” os anos de espera por equipamentos que, em vários distritos do país, onde os Invernos são mais rigorosos, inclusive os de Vila Real e Bragança, são necessários todos os anos devido ao registo de baixas temperaturas e queda de neve.

Relativamente ao projecto em curso, a nível nacional, para a alteração do fardamento, César Nogueira lamenta que a APG não tenha sido ouvida no processo. “Já houve uma passagem de modelos e nunca pediram a opinião da Associação, que é quem está mais perto dos militares, quem está no terreno”, lamentou o mesmo responsável, garantindo que irão fazer pressão para que o novo fardamento preveja equipamento adequado pelo menos para os homens que trabalham nos distritos mais fustigados pelas baixas temperaturas.

Apesar de sublinhar os distritos de Vila Real, Bragança e Viseu, o presidente da delegação Norte admite que noutras regiões também poderá ser necessária a utilização de fardamento adequado ao frio, por isso, contabilizou que será necessário garantir fardamento quente a “mais de metade do efectivo operacional”.

Além da questão do fardamento, muitos outros problemas são hoje levantados pela APG que reclama, por exemplo, as promoções e progressão na carreira e a não implementação, até a data, de um horário de trabalho de referência. Estas e outras problemáticas levaram a Associação a unir-se à Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança na realização de uma concentração, marcada para a próxima terça-feira, em frente à residência oficial do Primeiro-Ministro, José Sócrates. Segundo os profissionais das forças de segurança, “o objectivo é sensibilizar o Chefe do Governo para os problemas deste sector, com vista ao encontro de soluções”, sendo esperado que, “pela importância das matérias em questão”, José Sócrates receba a direcção da CCP em audiência.

A comissão solicitou a reunião ao primeiro-ministro precisamente devido à “ausência de diálogo construtivo e da falta de competência dos diversos ministérios que tutelam as forças e serviços de segurança para responder”a um pedido que não foi no entanto satisfeito.

Apesar de acreditar que os comandos irão arranjar subterfúgios para impedir a participação dos militares, como por exemplo a marcação de operações para o dia 14, César Nogueira acredita que a concentração, marcada pela CCP (que representa ainda a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, a Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima, o Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional e a Associação Sindical dos Funcionários da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), conte com uma forte adesão dos guardas, nomeadamente os da Zona Norte.

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