O Aeródromo Municipal de Vila Real registou no último ano um aumento de 10 por cento no número de passageiros, serviu de palco a mais de 2.600 aterragens e descolagens e viu aumentar o seu número de valências, confirmou ao Nosso Jornal Henrique Batista, diretor daquela infraestrutura que tem em “stand by” um projeto de ampliação e requalificação de vários milhões de euros.
“Não nos podemos direcionar só para uma atividade. Todas elas são importantes para a região”, defendeu o mesmo responsável, lembrando que, além das mais diversas aeronaves que recorrem ao aeródromo (comerciais, particulares, militares ou associativas) e da linha aérea para Lisboa, o aeródromo é hoje considerado como uma base essencial para a Autoridade Nacional de Protecção Civil, que, até o final da época mais crítica de incêndios, tem ali sedeados, dois aviões, um helicóptero ligeiro e um pesado (Kamov), e serve ainda de ‘morada’ a um Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Apesar do projeto, que inicialmente previa um investimento global de 35 milhões de euros, ainda não ter saído da gaveta, Henrique Batista defende que, pelo menos, se deveria avançar com o alargamento da pista para os 1.500 metros (atualmente tem 946 metros) e a requalificação da torre, de modo a dar melhores condições aos profissionais que, temporária ou permanentemente, ali trabalham.
Reconhecendo que, no cenário da atual conjuntura económica do país, a autarquia não tenha condições para suportar sozinha os custos do projeto, o diretor do aeródromo considera que esse investimento deveria ser assumido a nível supramunicipal ou mesmo do poder central, tendo em conta que a infraestrutura é crucial não apenas para o concelho mas para toda a região norte.
No projeto que seria de todos, “haveria alguém no terreno para avaliar as situações, analisar o que realmente é necessário e servir de interlocutor entre todas as entidades, como EMA, Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a GNR, os próprios abastecedores de combustíveis e todas as empresas com interesses comerciais, ou não no aeródromo”, defendeu.
INEM vai custear construção do hangar que vai receber helicóptero de emergência
Enquanto alguns projetos continuam à espera de melhores dias, em marcha está já a preparação do espaço que vai servir, a partir de outubro, o helicóptero INEM, deslocalizado de Macedo de Cavaleiros para Vila Real, uma obra que será suportada pelo próprio instituto e que se prolongará por cerca de dois meses.
“Estão a decorrer os trabalhos técnicos para o levantamento exaustivo dos trabalhos necessários e dos respetivos custos”, confirmou fonte do INEM, revelando que a cargo da Câmara Municipal ficará apenas “a realização de terraplanagens e infraestruturas (fornecimento de água, esgotos, etc.) e ao instituto caberá as restantes obras que se revelarem indispensáveis”.
Tomada no âmbito do processo de reestruturação dos meios do INEM, a decisão de retirar o helicóptero de Macedo de Cavaleiros não tem sido pacífica, tendo sido mesmo apresentado, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, pelos 12 autarcas do distrito de Bragança uma providência cautelar contra a medida.
No último sábado, também a população macedense mostrou a sua indignação com a situação numa manifestação que juntou cerca de 1500 pessoas. Segundo alguns dos manifestantes, as justificações para a deslocação da aeronave são “inaceitáveis”, isso porque, “mais uma vez os interesses das populações são esquecidos e preteridos em detrimento de argumentações economicistas”.




