Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Hospital privado com inauguração marcada para 2009

Com um investimento de 17 milhões de euros, a nova unidade hospitalar, cujas obras deverão estar no terreno já no próximo mês de Julho, deverá prestar serviços médico- -cirúrgicos, de enfermagem, fisioterapia, diagnóstico e tratamento médico em geral, contando com internamento hospitalar e residência medicada. O Hospital Terra Quente surge para fazer frente à “machadada”, […]

Com um investimento de 17 milhões de euros, a nova unidade hospitalar, cujas obras deverão estar no terreno já no próximo mês de Julho, deverá prestar serviços médico- -cirúrgicos, de enfermagem, fisioterapia, diagnóstico e tratamento médico em geral, contando com internamento hospitalar e residência medicada. O Hospital Terra Quente surge para fazer frente à “machadada”, dada pelo Governo, nos Serviços de Saúde do distrito bragançano.

 

1 de Janeiro de 2009 é a data prevista para a abertura do Hospital Terra Quente, uma unidade hospitalar privada que, apresentada publicamente, no dia 2, irá surgir, em Mirandela, com um conjunto de valências, das quais se destacam o Serviço de Atendimento Permanente e uma Maternidade.

Depois da saída da Maternidade que representou um rude golpe para o Hospital de Mirandela e numa altura em que se discute a desqualificação das suas urgências, foi apresentado, publicamente, o projecto que promete dar resposta aos mirandelenses e a outros milhares de utentes da região transmontana: o Hospital Terra Quente, S.A.

“A reorganização dos Serviços de Saúde que está a ser levada a cabo, pelo Governo, dá uma machadada nos serviços de proximidade, nomeadamente nos serviços de Atendimento Permanente, junto dos Centros de Saúde de cada concelho”, considerou José Silvano, Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, acusando o Centro Hospitalar do Nordeste Transmontano de “esvaziar os dois hospitais do sul do distrito, em detrimento do Hospital de Bragança” que, “ainda por cima, não tem condições físicas, nem de centralidade, para toda esta concentração de utentes”.

Com uma reunião marcada com o Ministro da Saúde já para o próximo dia 14, o autarca transmontano garante que ainda não convocou a população para um protesto contra a possibilidade da desqualificação das Urgências (à semelhança do que aconteceu, aquando do encerramento da Maternidade), porque “um grupo de cidadãos” defende que se deve levar o diálogo até ao fim. “Por mim, já tínhamos saído à rua”, explicou o mesmo responsável político, adiantado que Correia de Campos, Ministro da Saúde, deverá apresentar a sua decisão, relativamente às Urgências, até ao dia 30 de Julho, e que esta só entrará em prática a 1 de Outubro.

Na discussão com o Ministro, José Silvano leva, agora, um novo trunfo, a construção do Hospital Terra Quente que, segundo a autarca, é um factor de atractividade, para os profissionais da Saúde.

“Os médicos especialistas vão para os sítios onde vão ter uma recompensa financeira superior ao nível do ordenado”, esclareceu o autarca, defendendo, desde logo, a complementaridade entre os dois sistemas, privado e público.

A mesma visão apresentou Amaro Neves, médico e um dos responsáveis pela Rede Nacional de Saúde Privada, S.A., empresa promotora do projecto, que defendeu a “complementaridade e a criação de sinergias com o serviço público e com outras entidades privadas, como, por exemplo, as Misericórdias”.

“A manutenção do público e do privado é benéfica”, salientou o médico, garantindo, no entanto, que “só por si, o projecto tem viabilidade” e pretende oferecer serviços de qualidade, tendo uma abrangência, a nível regional.

A construir no loteamento da Quimigal, junto ao Instituto Piaget, o Hospital Terra Quente terá um volume de construção que rondará os 13.400 metros quadrados, contando com um Atendimento Permanente, Centro de Diagnóstico (TAC, RX digital, ecografia, osteodensiometria e mamografia, entre outros), fisioterapia (ginásio e salas de tratamentos especiais) e um bloco operatório, com três salas de operações e um recobro com quatro camas.

Para além do serviço de consultas externas que englobará 15 consultórios, a futura unidade hospitalar terá um serviço de internamento, constituído por 32 quartos e quatro “suites”.

“A Câmara Municipal de Mirandela vai participar no capital social da Sociedade Anónima, até ao valor total do terreno e das taxas de construção, ficando com um lugar no Conselho de Administração”, revelou José Silvano, explicando que, assim, a autarquia “terá uma palavra a dizer”, no que se refira à definição “de prioridades da Saúde, no concelho”.

“Ainda não passou um ano, mas já se provou que a decisão de encerrar a Maternidade de Mirandela (em Setembro passado) foi uma burrice pegada”, criticou o autarca local, calculando que, se, em 2005, se registaram, nas Maternidade de Mirandela e Bragança, 900 partos, em 2006 esse valor não chegou a 600 e, “de certeza que, durante este ano, não chegará, sequer, aos 300”.

“É criminoso”, sublinhou, mais uma vez, José Silvano, referindo que prova de que este serviço seria viável, no hospital de Mirandela, é o interesse de um grupo privado em apostar nessa valência, com a criação de uma Maternidade que terá capacidade para receber entre 1500 e 2000 partos, por ano.

O autarca de Mirandela alega, ainda, que, com a abertura da auto-estrada, chegará a vez de a Maternidade de Chaves encerrar as portas. Por isso, “não são precisos estudos, para concluir que é uma área com potencial”.

A Maternidade da futura unidade hospitalar contará com duas salas de dilatação, sala de partos e sala de recém nascidos.

 

Maria Meireles

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