Ao final da tarde desta sexta-feira, a presidente da Câmara de Penedono, Cristina Ferreira, dizia sentir-se “de mãos atadas” e “abandonada” no combate às chamas, que tem sido feito pela população e sem comunicações.
“Desde ontem [quinta-feira] que estou a pedir meios, porque estava a prever esta situação, tendo em conta os concelhos limítrofes. Não temos meios aéreos. Temos todas as freguesias com focos de incêndios”, afirmou Cristina Ferreira, à agência Lusa.
De acordo com a autarca, “Souto, Granja, Arcas, A do Bispo, Telhal, Ourozinho, Antas, Penela da Beira e Castaínço continuam a arder, está o concelho todo debaixo de chamas”, frisando que “estou sempre a pedir meio e eles não aparecem. Fomos abandonados”.
O incêndio já levou ao corte de energia no concelho. “Não estamos a conseguir comunicar, estamos sem comunicações. Eu própria tenho de me deslocar para conseguir usar o telemóvel. Quanto a energia, há locais em que temos e noutros não”, indicou a autarca.
Também em São João da Pesqueira a situação é preocupante. Ao início da tarde, Manuel Cordeiro, presidente da câmara, mostrava-se preocupado com a localidade de Paredes. “Aqui em Paredes está muito mau, muito mau mesmo. Está mesmo ao lado de duas casas e, se atravessar a estrada, entra no aldeamento. Estou aqui a insistir para ter mais meios aéreos”.
De acordo com o autarca, “já ardeu mato e castanheiros”, mas, “sendo importante, ainda é o menos”. Segundo Manuel Cordeiro, “o que nos preocupa é se provoca danos em alguma casa ou em alguém”.
De referir que o autarca, “por livre arbítrio”, juntou a população, presidente de junta e bombeiros, ainda ontem (quinta-feira) à noite, “para com cisternas, junto de edifícios, molhar e tentar evitar que as chamas causassem estragos”.
Entretanto, Manuel Cordeiro disse, há instantes, à VTM que “a situação está mais calma”, contudo, mantém-se a preocupação pelo facto de “poder haver reacendimentos durante a noite”. De acordo com o autarca, “não houve necessidade de evacuar nenhuma localidade”.




