Sexta-feira, 7 de Maio de 2021

Início da exploração mineira cria 60 empregos num investimento de 50 milhões

O primeiro-ministro era para estar presente, mas acabou por ter de adiar devido à problemática que se vive com o Covid-19, no entanto, a empresa apresentou o projeto e os planos de monitorização ambiental, no sopé do Cabeço da Mua, no Carvalhal.

Foi uma longa espera de 12 anos, com adiamentos sucessivos da exploração mineira em Torre de Moncorvo, que possui “uma das maiores reversas” de ferro da Europa, segundo a empresa que fez o estudo para a prospeção deste minério.

Depois de um longo calvário burocrático, a empresa britânica Aethel Mining, detentora da concessão para os próximos 60 anos, marcou o arranque simbólico do processo, com a administradora Aba Schubert a partir uma rocha no lugar da Mua, onde será feita a exploração a céu aberto nos próximos cinco anos. A exploração avança depois para a Pedrada (6 a 30 anos), segue-se Reboredo (31 a 50 anos), e finalmente a Carvalhosa (50 a 58 anos), num investimento estimado a rondar os 520 milhões de euros. 

Na sessão de esclarecimento à população, Carlos Guerra, consultor da Aethel Mining, revelou que, nesta primeira fase, serão explorados 23 hectares de área, e criados entre 50 a 60 empregos diretos. “Nos primeiros cinco anos serão esses postos de trabalho criados, mas no total esperamos que possam chegar aos 140 empregos diretos”, alguns mão-de-obra especializada, como engenheiros ou geólogos. “A prioridade será sempre dada às pessoas do concelho transmontano”. 

Este responsável referiu que a exploração será toda a céu aberto, sendo que na primeira fase não haverá a utilização de explosivos. 

Carlos Guerra destacou ainda a sustentabilidade ambiental, que será garantida pela empresa mineira. “Este projeto não é pintado de verde, é mesmo verde”, reafirmou, adiantando que depois de retirado o minério, serão plantadas várias espécies de árvores e plantas. “Está depositada uma garantia ao Estado, no valor de 1,2 milhões de euros, em que a empresa garante deixar a paisagem como está explicitado no Estudo de Impacte Ambiental”.

“DIA IMPORTANTE PARA A REGIÃO” 

O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, sublinhou a importância do projeto para a região, em particular para o concelho, num processo que durou 12 anos a concretizar. “Estamos confiantes, porque a empresa fez um excelente trabalho na sustentabilidade ambiental e económica”.  

O autarca espera que esta exploração ajude a resolver o problema demográfico que a região enfrenta. “Vivemos um problema de fixação de jovens no interior, mas vivemos sobretudo um problema em que muitas vezes não nos damos conta, que é quando tentamos recuperar ou salvar espécies, esquecemo-nos de uma, que é a espécie humana”, disse, criticando os “fanatismos ambientais” provenientes da capital. “Nós, autarcas, também os queremos proteger, mas sempre que entramos demasiado na proteção do meio habitat das espécies fazemos asneira e, normalmente, não contabilizamos os custos, como a imensidão de autoestradas cortadas para locais para a passagem de lobos, e não sei quantos lobos lá passaram”, recordando os 12 anos de espera para o início da exploração mineira. 

Nuno Gonçalves critica ainda os institutos e agências que “não fazem mais do que emperrar este tipo de projetos”, questionando a sua utilidade. “Não sei se serão necessários ao país como se arrogam nos pareceres que dão”.

TRANSPORTE DO MINÉRIO

O transporte será feito de camião até ao Pocinho para três comboios que garantem colocar o produto no porto de Leixões. No entanto, caso o comboio não chegue para a produção, aí o transporte será feito sempre por camião.

Se houvesse mais capacidade da linha férrea, a empresa acredita que poderia explorar mais minério, aumentar os postos de trabalho e o valor económico do processo. “Para já não foi possível, por isso adequamos o projeto às vias disponíveis”, disse Carlos Guerra, acrescentando que foi proposto uma teletransportadora até ao Pocinho, que até gerava a própria energia, mas infelizmente não foi aceite”. 

O presidente da câmara gostaria de ver concretizado do projeto Douro’s Inland Waterway 2020, “um projeto que a anterior ministra do Mar se comprometeu a concretizar, mesmo sem financiamento europeu”. “Gostaríamos de ver o projeto aprovado, e se não há fundos europeus, que seja com o orçamento do Estado. Outra obra importante será a reabilitação da linha do Douro. A proposta da autarquia já foi entregue ao ministro da Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que é a ligação Pocinho até Vila Franca das Naves, que é a que mais agrada ao ministro”. 

 

 "Os institutos e agências não fazem mais do que emperrar este tipo de projetos"

 Nuno Gonçalves
 Presidente CM Torre de Moncorvo

 

 

 

 "No total da exploração, esperamos que possam chegar aos 140 empregos diretos"

 Carlos Guerra
 Consultor da Aethel Mining

 

 

 

APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

Mais lidas

ÚLTIMAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.