Sexta-feira, 19 de Junho de 2026
EnsinoAgrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar: Inovação pensada no mercado

Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar: Inovação pensada no mercado

Com 1200 alunos e um corpo docente de cerca de 170 professores, o Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar tem conseguido manter o número de estudantes, por força da emigração e, também, da inovação e oferta formativa que apresenta.

É uma realidade nova para muitos dos agrupamentos de escolas da região e o de Vila Pouca de Aguiar não é exceção. A vinda de imigrantes para o território traz vantagens, mas também acresce algumas dificuldades. No caso da escola, o principal é a integração.

“Temos uma realidade nova há dois anos, que é comum a praticamente todos os agrupamentos de escolas, que são os alunos migrantes”, explica Paulo Pimenta, diretor do agrupamento de escolas aguiarense. “ Temos neste momento 18 nacionalidades diferentes no nosso agrupamento, já ultrapassa a centena de alunos estrangeiros dos vários pontos do globo, desde a Síria ao Bangladesh, Brasil, Colômbia ou Venezuela”.

Desta forma, “não perdemos população estudantil, muito pelo contrário, tem vindo a aumentar, mas há um problema acrescido, a integração desses alunos, porque falamos de culturas muito diferentes da nossa. Felizmente, este ano o Ministério atribuiu- nos um mediador linguístico”, esclarece o diretor, acrescentando que o trabalho é realizado, também, com as famílias dos alunos.

Com um agrupamento “aberto à comunidade que permite a sua participação ativa”, Paulo Pimenta identifica este fator como importante “para termos sucesso”. Assume o diretor que “quer os nossos stakeholders externos, na parte do ensino profissional, quer toda a comunidade educativa, nomeadamente os pais e encarregados de educação, têm uma importância significativa no agrupamento de escolas e temos o cuidado de, ao longo do ano letivo, desenvolver várias atividades que possamos permitir a participação da comunidade”.

Capacitar

Num concelho com uma grande expressão da indústria do granito, é missão do agrupamento de escolas formar os jovens para tentar preencher algumas lacunas. “ Trabalhamos para capacitar os nossos jovens do ensino profissional, nomeadamente ao desenharmos a oferta formativa, para podermos dar resposta àquelas que são as necessidades do tecido empresarial do nosso conselho”, realça Paulo Pimenta. “Temos um curso claramente vocacionado para a área industrial, que é o de manutenção industrial, com a variante mecatrónica”.

Isto porque as “empresas locais, da área do granito, estão a modernizar-se e em termos tecnológicos já estão bastante avançadas. Por isso, o nosso objetivo é termos os alunos capacitados para poderem dar resposta no mercado de trabalho a essas empresas”, destaca o responsável do agrupamento de escolas.

Além deste curso, o agrupamento de escolas oferece o curso de cozinha e pastelaria, “que funciona muito bem e tem uma procura dos profissionais elevadíssima”, garante Paulo Pimenta, acrescentando que “os finalistas deste ano, se quiserem trabalhar a partir de 1 de julho, todos têm emprego bem remunerado”. Assim é, porque o setor da restauração, “e também devido à escassez de mão de obra, está a remunerar bem os profissionais”.

Ainda na restauração, “temos também um curso CEF nível 3 de empregado de restaurante/bar, que, se todos quiserem trabalhar, o mercado absorve-os de um dia para o outro”.

Ainda no ensino profissional, o agrupamento terá em oferta para o próximo ano letivo, o curso técnico de auxiliar de saúde, em que tem havido “o contato de muitas IPSS que pretendem contratar esses técnicos”, diz o diretor.

CET

A pensar no que o mercado consegue absorver, o agrupamento vai abrir uma nova oferta na “área da eletrónica e automação”. Mas não apenas porque o tecido empresarial pede essa qualificação, também porque o Centro Tecnológico Especializado (CTE) instalado na escola o vai permitir.

“Fomos contemplados com o CTE. Está neste momento a ser instalado na escola secundária, com equipamento de topo para o ensino profissional”, revela Paulo Pimenta. Após um investimento de mais de milhão e meio de euros, o CTE passa a ser uma parte importante no desempenho do agrupamento e dos seus alunos. “Desde os robôs humanoides, os braços robóticos, a ferramentas de topo, estamos preparados. Passamos a ter equipamentos de excelência”, destaca o diretor.

Tudo isso, para “ oferecer o melhor aos nossos alunos e, naturalmente, com o CTE a nossa ideia é podermos angariar alunos de conselhos vizinhos”.

Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar Vila Pouca de Aguiar ENSINO PAM 58


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