Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025
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Vila RealInstituição é única em Trás-os-Montes e vai apoiar os pacientes

Instituição é única em Trás-os-Montes e vai apoiar os pacientes

Consciencializar as pessoas para a doença, dar apoio às pessoas portadoras do vírus e alertar para o rastreio. Estes são os objectivos a cumprir pela delegação da “SOS Hepatites”, em Chaves, recentemente criada. Este novo pólo que já vai disponibilizar, em breve, um local para atendimento de doentes é o único do género da região […]

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Consciencializar as pessoas para a doença, dar apoio às pessoas portadoras do vírus e alertar para o rastreio. Estes são os objectivos a cumprir pela delegação da “SOS Hepatites”, em Chaves, recentemente criada. Este novo pólo que já vai disponibilizar, em breve, um local para atendimento de doentes é o único do género da região transmontana. Mas pretende criar outras extensões, no distrito, apelando ao voluntariado.

Na sua acção mais prática, a “SOS Hepatites” encaminhará os pacientes para os médicos, prestará apoio aos doentes e seus familiares, bem como organizará encontros temáticos e outras acções de sensibilização.

A Coordenadora do Núcleo de Chaves, Anabela Taveira, abordou, para o Nosso Jornal, alguns aspectos relacionados com o surgimento da “SOS Hepatites”: “É uma associação composta por pessoas infectadas e afectadas com o vírus da Hepatite B ou C. Surgiu da necessidade de partilhar experiências, forças e esperança, com o objectivo de criar um espaço onde os doentes com hepatites víricas e seus familiares encontrassem um modo de se ajudar, mutuamente, no que concerne aos problemas comuns derivados da doença e de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Foi justamente neste sentido que tive o primeiro contacto com a associação. Depois de diversos contactos com a Presidente da SOS Hepatites e ver o seu esforço constante para poder chegar a todas as pessoas, surgiu a ideia de um núcleo, em Chaves. E surge assim, porque decidi dar a cara (esta responsável também padeceu desta doença) por esta causa e estender o braço da associação, além de eu ser desta região. No entanto, também já existem outros núcleos, pelo país, no Porto, Santarém e em Olhão”.

Anabela Taveira refere que “ainda estamos numa fase embrionária, em termos de influência”, mas lança um apelo, ao voluntariado: Estamos a começar muito devagar, cingindo- -nos, para já, ao distrito de Vila Real. Claro que se houvesse mais voluntários, alargaríamos a criação de novos núcleos de apoio. Precisamos muito de voluntários, para divulgar e alertar a população sobre uma situação de saúde pública”.

Concorreu para a instalação deste núcleo, em Chaves, o apoio importante da Câmara Municipal que disponibilizou, desde logo, todo o apoio para a sua instalação.

“Depois da criação deste núcleo, o apoio que o Presidente da Câmara Municipal de Chaves nos deu foi excepcional. Desde a disponibilização de salas para palestras e conferências, até à abertura, brevemente, de um local para o atendimento de doente”.

Confrontada com a dimensão da doença, na região transmontana, Anabela Taveira admitiu ser difícil de quantificar.

“Não temos indicadores concretos do distrito. Em Portugal, também não existem estudos ou estatísticas oficiais. Os números que temos surgem–nos a partir de estudos realizados pela Organização Mundial de Saúde e, como tal, não existe segmentação, por regiões, mas sim por países da União Europeia. Não há, portanto, mais ou menos incidências, nesta ou naquela zona. O facto de as pessoas não estarem devidamente informadas leva-as a pensar que existe apenas um grupo que tem um determinado comportamento de risco. Mas é um erro pensar assim. Somos todos um grupo de risco”.

O que está a ser constatado é que todos nós devemos preocupar-nos. Há um aumento muito grande dos casos de hepatite.

“Falamos, mesmo, de uma epidemia, a nível mundial. A Hepatite C, por exemplo, já mata mais do que a Sida. A nível mundial, existem 200 milhões de portadores conhecidos, continuando com uma taxa anual de crescimento assustadora” – contou- -nos a responsável pelo Núcleo de Chaves.

Explicou ainda a razão da sua motivação pela causa, evidenciando uma coragem invulgar, no lidar e no sentir da própria doença.

“Como disse, resolvi dar a cara e abraçar esta causa. Mas o problema reside exactamente neste ponto. A maior parte dos doentes tem medo. Medo da discriminação. Medo da marginalização. Medo do ostracismo”.

Aqui, as suas palavras são incisivas e admitem o “medo” dos afectados pelos vírus e deixa críticas ao actual sistema de saúde.

“E porquê o medo? Porque se as pessoas tivessem a informação correcta, se estivessem devidamente esclarecidas sobre esta situação, não se colocariam do outro lado. Tenho conhecimento de casos de discriminação de doentes com histórias tão absurdas que nem dá para acreditar. Em relação ao Sistema de Saúde, efectivamente, não é tão eficaz com gostaríamos que fosse. No entanto, todos os tratamentos são gratuitos”.

Anabela Taveira aproveitou para elogiar “o serviço exemplar de Hepatologia do Hospital de Vila Real, liderado pelo Dr. Presa Ramos e a sua equipa”.

“Tem demonstrado todo o empenho e dedicação para com os doentes, o que é essencial e meio caminho andado para a cura. No entanto, a colaboração do doente é crucial, em fase de tratamento. E como é um tratamento muito agressivo, o doente precisa de todo o apoio que possamos conseguir. Acaba, assim, por ser uma parceria, entre a unidade hospitalar e a associação”.

A nova delegação “SOS Hepatites” irá ainda promover acções de formação, ao nível de Centros de Saúde, médicos de família e pessoal de enfermagem, para além de dinamizar esclarecimentos e campanhas de divulgação, junto de escolas, universidades, prisões, entre outros locais. Está disponível 24 horas por dia, através de contacto telefónico ou “e-mail”.

Segundo esta responsável, “existem, actualmente, 300 mil indivíduos, em Portugal, portadores de Hepatite, 170 mil com Hepatite C e 130 mil com Hepatite B”.

“O grande problema desta doença, em especial da Hepatite C, é o facto de o doente não apresentar quaisquer sintomas e, por isso, os portadores chegam a estar infectados entre 10 e 30 anos, sem conhecimento disso. Esta situação leva a que a doença evolua para cirrose e/ou cancro hepático, dificultando o sucesso dos tratamentos e limitando a qualidade de vida dos doentes”.

A “SOS Hepatites” – Delegação de Chaves disponibiliza, vinte e quatro horas por dia, um telemóvel (963 146 410), assim como o “e-mail” ana.taveira@soshepatites.org.pt.

 

José Manuel Cardoso

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