O Festival Intercéltico de Sendim-Terras de Miranda, que começa hoje e termina sábado, comemora 20 anos, uma edição celebrada com concertos gratuitos. “Metade dos concertos são gratuitos nos dois palcos este ano disponíveis, na Casa da Cultura e na praça. Ganhámos mais a rua e só os concertos noturnos na Casa da Cultura é que são pagos. Há uma inversão da tendência de todos os concertos serem pagos, isto porque contámos com mais apoios financeiros, quer da câmara municipal de Miranda do Douro, quer da Fundação Inatel”, explicou Mário Correia, da Sons da Terra, associação responsável pela organização do evento.
A grande novidade este ano no festival é a apresentação de projetos alternativos e inovadores, cruzando-se sonoridades, como adiantou o responsável: “as grandes novidades são os projetos emergentes. O festival considera que não deve existir mais para consagrar os consagrados, embora os cabeça de cartaz motivem a deslocação das pessoas”, acrescentando que ao final de 20 anos os cabeça de cartaz acessíveis ao orçamento do festival estão esgotados, pelo que a aposta do Intercéltico é dirigida a novas bandas, promovendo a sua afirmação no campo da música folk e da música tradicional.
Uma das marcas do festival ao longo de 20 anos de edições sempre foi a programação realizada com base nas relações de proximidade intercultural, pelo que este ano, como sublinhou Mário Correia, a premissa manteve-se, estando presentes “bandas nacionais e estrangeiras, nomeadamente da Argentina que vai fazer a sua estreia em Sendim e Miranda do Douro, bandas da Escócia, sul de França, onde há tradições gaiteiras semelhantes às mirandesas, Galiza, Astúrias, Castela e Leão, uma aposta nas relações de proximidade intercultural, dado que o festival acontece numa região de raia onde estas influências e convivência têm séculos”.
Assim, nomes como Melkisedeck, da Argentina, herdeiros das sonoridades céltico-britânicas, os escoceses Fourth Moon, La Talvera, da Occitania, Kolme Katu, do País Basco, Dobra, o expert das gaitas de foles Xuacu Amieva, La Bazanca e Castijazazz marcarão presença no festival onde duos como Jorge Lira & Paco Díez, com um reportório do romanceiro ibérico na sanfona e guitarra, Carlos Zíngaro & Manuel Guimarães, que ao som de violino e piano recriam temas tradicionais transmontanos, e o projeto Adélia, Ana Correia & Tânia Pires, serão protagonistas de diversos concertos em Sendim e Miranda do Douro onde o folk e a música tradicional de fundem.





