Depois de um interregno de mais de um mês, parece estar mais próximo da realidade o regresso da carreira aérea entre Trás-os- -Montes e a capital do país, um serviço que, depois de uma adjudicação directa, será garantido, pela empresa “Aeronorte”, até que seja concluído o concurso público internacional. Até lá, foram os jornalistas os primeiros a voar no novo bimotor L410, a aeronave de fabrico checo que vai garantir os voos regulares de passageiros.
A “Aeronorte” apresentou, no dia 24, a aeronave, com capacidade para 17 passageiros, que vai garantir a ligação aérea Bragança/Vila Real/Lisboa, um serviço que “espera, apenas, pelo aval do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), e que deverá estar em funcionamento durante o mês de Maio.
“De Segunda a Sexta-feira, irão ser mantidos os quatro trajectos anteriormente estabelecidos, bem como os horários e os preços”, garantiu José Ribeiro, Administrador da “Aeronorte”, durante uma paragem, em Vila Real, na ligação entre Braga e Bragança que levou os jornalistas a “experimentar” o bimotor L410, construído na República Checa.
Segundo o mesmo responsável, o avião, inicialmente com capacidade para 19 passageiros, foi adaptado, de forma a incluir uma casa de banho, contando, agora, com 17 lugares. No entanto, devido “ás limitações da pista do Aeródromo de Vila Real”, a carreira não pode transportar mais de 14 pessoas.
“A extensão da pista não nos permite transportar mais passageiros”, explicou o mesmo responsável, deixando, assim, um repto à autarquia que, segundo Henrique Batista, responsável pelo Aeródromo, se mostrou “imediatamente disposta” a alargar a pista (actualmente com 950 metros) em 60 metros, a dimensão necessária reivindicada pela empresa.
José Ribeiro explicou que a aeronave já está certificada pela “European Aviation Safety Agency” (EASA) e que “está para chegar” a aeronave de apoio exigida para à actividade da carreira aérea, idêntica á que transportou os jornalistas.
Relativamente ao regresso da carreira regular, o Administrador da “Aeronorte” explicou que a situação está, agora, nas mãos do INAC. No entanto, congratulou-se pela “boa cooperação” entre a empresa, o Governo e o Instituto Nacional de Aviação e pelo “tempo recorde” em que está a decorrer todo o processo, sendo possível que, ainda em Maio, o serviço seja reactivado.
Tanto quanto o nosso jornal conseguiu apurar, pendente está a atribuição das certificações do avião e da empresa, enquanto operador aeronáutico de transporte regular de passageiros.
“Somos uma empresa com 20 anos, com experiência na aviação executiva e em voos internacionais”, garantiu José Ribeiro, contabilizando que mais de 35 por cento da facturação da empresa de transporte aéreo é feita no estrangeiro.
O mesmo responsável voltou a sublinhar que a “Aeronorte” vai apresentar uma candidatura ao concurso público internacional que vai ditar a empresa responsável para garantir o serviço através de um contrato de dois anos com o Governo português e que envolve a atribuição de uma verba anual compensatória de 1,2 milhões de euros ao operador, um montante que poderá variar, de acordo com o número de passageiros transportados.
Entretanto, Henrique Batista, responsável pelo Aeródromo de Vila Real, explicou que, até 2011, estarão prontas as intervenções naquela infra-estrutura, entre as quais o alargamento da pista aos 1.800 metros de extensão.
“Primeiro, vamos remodelar a torre e os espaços exteriores, depois vamos construir a nova pista que coincidirá, em mais de metade, com a actual”, revelou o mesmo responsável, sendo de recordar que, como já foi garantido pela autarquia, está já em curso o processo de expropriação dos terrenos necessários para a ampliação da pista.
“Muitos agentes turísticos já mostraram interesse em garantir o transporte de passageiros, para a região, utilizando o aeródromo vila-realense”, revelou Henrique Batista. A própria “Aeronorte” já garantiu que pretende apostar, em força, na região, mais exactamente “nos fluxos turísticos” e, mesmo, na prestação de serviços aos emigrantes, estando em fase de construção um “hangar”, no Aeródromo de Bragança.
Maria Meireles



