Liderança reforçada

Num jogo entre os dois primeiros classificados, o Vila Real levou a melhor sobre o Alijoense, num terreno de jogo impróprio para praticar qualquer modalidade desportiva, visto que o campo estava transformado num autêntico pantanal. A equipa comandada por Carlos Manuel perdeu uma excelente oportunidade de encurtar distâncias para o cada vez mais destacado líder […]

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Num jogo entre os dois primeiros classificados, o Vila Real levou a melhor sobre o Alijoense, num terreno de jogo impróprio para praticar qualquer modalidade desportiva, visto que o campo estava transformado num autêntico pantanal. A equipa comandada por Carlos Manuel perdeu uma excelente oportunidade de encurtar distâncias para o cada vez mais destacado líder deste campeonato, o Vila Real. E foi com esse espírito de líder que os alvi- -negros encararam este jogo que se adivinhava muito difícil, não só pelas condições do pelado, mas, também, porque o Alijoense ainda não tinha sofrido qualquer derrota no seu reduto, no decorrer desta competição. Apesar de todas estas condicionantes, os vila-realenses começaram ao ataque e a pressionar o meio-campo dos visitados. Conseguiam explorar melhor os flancos, nomeadamente através de Palhares, sempre muito activo, na fase inicial do jogo. Numa dessas incursões, o extremo teve um potente remate, de fora da área, mas a bola saiu a centímetros do poste.

Aos dez minutos, os forasteiros chegaram à vantagem, através de um lance rápido. Fraguito desmarcou Nuno Meia, este ficou isolado e, perante a saída de Gato, não teve dificuldade em abrir o activo. Foi com naturalidade que os visitantes chegaram ao golo, uma vez que estavam a ser mais perigosos, conseguindo adaptar-se melhor às péssimas condições do campo. Faziam melhor a circulação e a troca de bola entre os sectores.

A perder, o Alijoense tentou controlar mais o esférico, mas, apesar do maior domínio e posse de bola, em alguns períodos do jogo, as melhores oportunidades surgiam para o seu adversário que poderia ter ampliado a vantagem, por diversas vezes. As duas mais flagrantes estiveram nos pés de Nuno Meia. A primeira através de um livre, com a bola a “beijar” a trave. Depois, aos 43 minutos, o jovem criativo ficou de novo isolado, mas, desta vez, o lamaçal atrapalhou Meia que acabou por se enrolar com a bola e com o guarda-redes Gato. E o lance acabou por se perder.

Já em cima do intervalo, Rivaldo teve nos pés o golo do empate. Em velocidade, conseguiu fugir a Zé Monteiro, mas o remate cruzado saiu a milímetros do poste.

No segundo tempo, o Alijoense continuou à procura do empate. Conseguia dominar as operações, no centro nevrálgico do terreno, mas, quando tentava chegar junto da baliza de Carlos, Zé Monteiro e Miguel não facilitaram e estiveram sempre muito atentos aos homens mais avançados da casa. Com a saída, por lesão, de Vítor Pegarinhos, o Alijoense perdeu mobilidade ofensiva e o Vila Real aproveitou para criar situações mais complicadas para a defensiva da casa. Num desses lances, aos 77 minutos, Meia teve uma jogada genial, passando por vários adversários e, perante Gato, atirou para o fundo das redes, fazendo o resultado final. Um grande lance do melhor jogador em campo, Nuno Meia.

A vitória acaba por ser um justo prémio para os vila-realenses que encararam o jogo sem complexos, “vestiram o fato-macaco” e lutaram muito, para conseguir mais uma vitória, num terreno sempre difícil, para os seus visitantes. O Vila Real acaba, assim, a primeira volta com mais 11 pontos do que o segundo classificado que é, agora, o Régua, equipa que venceu o Parada do Pinhão.

Uma última nota para o árbitro do encontro, Francisco Vicente, o qual esteve, em geral, bem, no capítulo técnico, mas bastante mal, no aspecto disciplinar. Exagerou muito na amostragem de cartões, não distinguindo muito bem as cores.

Luís Pimentel, treinador do Vila Real

“Estamos com a ambição de ser campeões”

O técnico vila-realense estava, visivelmente, satisfeito, com a vitória e com a exibição e entrega dos seus jogadores.

“Hoje, demonstrámos porque somos os primeiros. Temos uma equipa preparada, tanto física como mentalmente, para jogar em qualquer campo, relvados, pelados, sintéticos e num como este, que nunca tinha visto, um campo com estas condições, era um autêntico pantanal. Fomos uma equipa equilibrada, muito rápida nas transições e acabámos por ganhar, com toda a justiça. No confronto directo com as equipas que tinham apostado na subida de divisão, demonstrámos que somos mais fortes, neste momento. Ainda estamos a meio do campeonato, há muitos jogos, mas vamos continuar com este espírito e com esta atitude”.

Luís Pimentel lamenta a actuação do árbitro, no aspecto disciplinar: “Foi uma arbitragem extremamente infeliz, no aspecto disciplinar. Ficámos privados de mais dois jogadores e, com um plantel tão curto, vai ser difícil formar uma equipa, para o próximo jogo. Mas, vamos tentar recuperar alguns jogadores que ainda estão a contas com lesões e construir uma equipa com os que temos disponíveis. Estamos com a ambição e mentalidade de ser campeões e, quando se tem essa mentalidade, é fácil superar as dificuldades”.

Carlos Manuel, treinador do Alijoense

“O Vila Real tem o Nuno Meia e nós não temos”

O técnico da casa ficou satisfeito com a entrega e atitude da sua equipa. Num jogo que considerou equilibrado, referiu que o empate seria o resultado mais justo.

“Neste tipo de terreno e nestas condições, sabia que quem marcasse primeiro iria ter vantagem. Na 1.ª parte, o jogo foi bastante equilibrado. Na 2.ª parte, tentámos fazer um jogo mais directo, mas o Vila Real também nos criou algumas dificuldades. Penso que o resultado não espelha aquilo que se passou em campo. O empate seria o resultado mais certo, porque as duas equipas bateram-se bem, os jogadores de Alijó tiveram uma grande atitude, mas a nível de qualidade de jogo não foi aquilo que desejaríamos. O Vila Real tem o Nuno Meia e nós não temos. Foi o jogador que desequilibrou e que está a fazer um excelente campeonato. Temos é que levantar a cabeça, para encararmos os próximos jogos, de forma positiva. Ainda falta metade do campeonato e há muitos pontos em disputa. Nada está perdido”.

Márcia Fernandes

 

 

Jogo disputado no Campo do Favaios.

Árbitro: Francisco Vicente.

Auxiliares: Bruno Costa e Paulo Trindade.

ALIJOENSE – Gato; Sérgio, Fred, Patrick e Figueiredo; Guilherme, Tó Mané (Durval 70’), Fraguito e Rivaldo; Mário André e Vítor Pegarinhos (Hélder 62’).

Suplentes não utilizados: Nuno Almeida, Bruno, Carlos Dias, Zé Mário e Joel.

Treinador: Carlos Manuel.

VILA REAL – Carlos; Leirós, Zé Monteiro, Miguel e Peixoto; Ernesto, Fraguito (Filipe 90+2’), Castanha e Gabriel (Norberto 78’); Nuno Meia e Palhares (Pedro Alves 74’).

Suplente não utilizado: Vieira.

Treinador: Luís Pimentel.

Cartões amarelos: Palhares (28’), Patrick (31’), Peixoto (33’), Fraguito (55’), Nuno Meia (52’), Castanha (78’) e Norberto (85’).

Cartões vermelhos: Sérgio (74’), Ernesto (74’) e Leirós (85’).

Ao intervalo: 0-2.

Marcador – Nuno Meia (10’ e 77’).

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