São alvos suaves e frescos ao tato e de textura delicada. É assim o verdadeiro pano de linho artesanal que continua a resistir à contração económica do país. O concelho de Ribeira de Pena é a referência do distrito e da região na produção de linho. As cooperativas de Limões e de Cerva, são os baluartes desta arte ancestral, cujos produtos são apreciados pela sua elevada perfeição e arte.
A cooperativa de Limões foi fundada em 1982 e neste momento possui 5 elementos que se dedicam a este trabalho (toalhas, colchas e lençóis), muito cobiçados no nosso país. Em Cerva também existe uma cooperativa que é já uma referência nos mercados internacionais, nomeadamente em Espanha.
Um dirigente da Cooperativa de Limões referiu que entre a clientela há pessoas de variados pontos do país, como Porto, Penela, Fátima, Santarém, entre outros.
Governo atento ao setor e apoio do Município
O próprio secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, durante a recente Feira do Linho, reconheceu a importância deste tipo de eventos como promotores das mais-valias locais onde se insere o linho. Adiantou ainda que “o Governo está a estudar um projeto destinado a apoiar a origem e identidade dos produtos locais”.
O principal mentor desta atividade tem sido a Câmara Municipal de Ribeira de Pena. As feiras do linho têm sido importantes para a divulgação deste produto, ao mesmo tempo que recentemente anunciou a criação de um núcleo museológico que será constituído por dois polos, um em Limões e outro em Cerva. Uma aposta num setor que vai continuar por parte da edilidade, conforme nos garantiu o presidente da Câmara, Agostinho Pinto. “É uma fonte de rentabilidade para a economia local e portanto o município vai continuar a apostar nesta atividade, quer com a realização da feira, quer com outras medidas de promoção e valorização do linho”.
Embora cada vez mais raros, em Cerva e em Limões ainda se pode encontrar o ciclo completo do linho, que vai desde a cultura até a sua fiação. De referir ainda que, desde o semear do linho, até ao produto acabado, esta planta cumpre os seus “treze mandamentos”, ou seja, empoçar, desempoçar e estender, maçar antes de espadar, assear antes de fiar, cozer na barrela das meadas, lavar as meadas e estendê-las a corar, converter as meadas em novelas, encher as canelas, urdir a teia, e finalmente tecer.





