Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Lobo Antunes recebeu doutoramento “Honoris Causa”

O “elevado mérito literário” de António Lobo Antunes, um dos escritores portugueses mais traduzidos e lidos no estrangeiro e várias vezes referenciado para o Prémio Nobel da Literatura, foi reconhecido pela Academia transmontana que o investiu como doutor “Honoris Causa”. A humildade marcou o discurso do autor que admitiu ser perseguido pelo “medo constante de […]

O “elevado mérito literário” de António Lobo Antunes, um dos escritores portugueses mais traduzidos e lidos no estrangeiro e várias vezes referenciado para o Prémio Nobel da Literatura, foi reconhecido pela Academia transmontana que o investiu como doutor “Honoris Causa”. A humildade marcou o discurso do autor que admitiu ser perseguido pelo “medo constante de não ser capaz de escrever”.

“O meu sonho é conseguir pôr a vida inteira entre as capas de um livro”, explicou António Lobo Antunes, o escritor que, no dia 6, juntou ao seu diploma de médico o título de doutor “Honoris Causa” da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Fernando Moreira, docente da UTAD, a quem coube, à semelhança de João Lobo Antunes, irmão do escritor, enunciar as motivações para a atribuição do “mais alto grau” da Universidade transmontana, referiu que “fazendo do banal uma epopeia”, Lobo Antunes “é, sem dúvida, o escritor português que representa o maior desafio ao leitor”, desafio esse que, em Outubro, deverá ser renovado, com a publicação de uma nova obra.

Sem desvendar segredos sobre a sua escrita, o novo doutor da UTAD explicou que “há um anjo que, se trabalharmos muito, nos diz o que escrever” e considerou-se um “privilegiado” por ser pago para fazer o que lhe dá mais prazer.

“Passo os dias a fazer redacções, porque isso é o que dá sentido ao meus dias”, sublinhou o escritor, sem, no entanto, questionar o seu trabalho e revelando, mesmo, o “medo constante” de não conseguir escrever.

“Estas situações são sempre um pouco embaraçosas para mim”, revelou António Lobo Antunes, adiantando que os galardões, prémios e reconhecimento são um “exercício de humildade” e questionando, mesmo, “se não será muito cedo, para se poder ajuizar”.

João Lobo Antunes, médico neuro-cirurgião que também tem nas veias a vertente literária, lembrou o facto de, na infância, os irmãos crescerem “com mais livros do que brinquedos”.

Relativamente ao seu próximo trabalho, o psiquiatra não levantou o véu. Adiantou, apenas, que “antes do livro estar acabado, não se sabe, sequer, se é um livro. Não sei classificar o que quero fazer, o meu sonho é pôr a vida entre as capas de um livro”, perspectivou o autor que, em jeito de agradecimento à UTAD e aos seus leitores, garantiu: “Vou tentar escrever livros que não vos envergonhem a vós, porque a mim, de certa maneira, envergonham-me sempre”.

António Lobo Antunes foi o segundo contemplado com o grau de doutor “Honoris Causa” da Universidade transmontana, sendo de recordar que esse título foi atribuído, pela primeira vez, em 1989, pelo então Reitor Fernando Real, a Rudolfhus Franciscus Marie Lubbers, na altura Primeiro-Ministro holandês

Nascido em 1942, em Lisboa, desde 1985 que António Lobo Antunes se dedica, exclusivamente, à escrita. “Memória de elefante”, “Os cus de Judas”, “A morte de Carlos Gardel”, “Tratado das paixões da alma”, “Conhecimento do inferno” e “Exortação aos crocodilos” são algumas das obras do escritor que, ao longo dos anos, foi acumulando galardões nacionais e internacionais, entre os quais destacamos, em 2000, o Prémio D. Dinis, instituído pela Fundação da Casa de Mateus.

 

Maria Meireles

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