Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Loja de Turismo, wireless gratuita, quiosques eletrónicos e redução de impostos

A capital do distrito não é imune à desertificação que está a afetar os centros históricos das principais cidades do país. Menos gente, desinvestimento, esvaziamento de serviços públicos, comércio tradicional em queda e falta de dinâmicas de atratividade e criatividade de modo a estancar esta “hemorragia” que continua a crescer. Sensível a esta situação, a Câmara de Vila Real tenta inverter esta tendência e vai apostar em “medidas promotoras e capazes de valorização”.

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Os centros históricos são pequenos “territórios urbanos” que pouco a pouco vão sendo despovoados de pessoas e serviços. Vila Real não tem escapado a esta realidade e a “debandada” é para a outra “margem” do Corgo. A Avenida Carvalho Araújo, Rua Direita, entre outras artérias, são zonas onde é vigente esta tendência. Por isso, a autarquia local está a avaliar toda esta conjuntura e prepara-se para criar instrumentos promotores de atratividade e novas dinâmicas para estes locais. Esta intenção foi avançada ao Nosso Jornal pelo município vila-realense, através do seu presidente, Rui Santos, e do vereador Adriano de Sousa, responsável pelo Ordenamento do Território e Planeamento Urbano, entre outras funções.

Uma das intenções avançadas que poderá inverter esta realidade, passa por a edilidade arrendar ou alugar habitações e depois cedê-las aos jovens. O presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Rui Santos, confirmou isto mesmo ao Nosso Jornal e adiantou outras ações. “A crise dos centros históricos não se confina apenas à nossa cidade, mas sim a nível nacional. Comparativamente com outras áreas comerciais, os centros históricos ficam a perder. Para nós é um desafio reabilitar o centro histórico. Não só o espaço físico, mas principalmente a dinâmica das lojas comerciais e de quem lá vive. Neste sentido já reativamos um instrumento que é a delimitação das áreas de reabilitação urbana onde o nosso centro histórico já está inserido”. O autarca sublinhou já alguns benefícios que poderão surgir. “Neste espaço pode haver a intervenção de privados que terão o IVA reduzido, isenções de IMI e taxas inferiores e em alguns casos até isenção. Por outro lado, tentaremos dentro de pouco tempo, e olhando para o próximo quadro comunitário de apoio, ver que tipo de intervenções poderemos fazer, que pode passar pela compra ou aluguer de áreas habitacionais para um público específico, sobretudo jovem, que possa ali residir e animar o centro histórico. Pensamos ainda que esta área deve ter um mix de lojas tradicionais, mas também na área da hotelaria, nomeadamente bares de tapas com horários diferenciados”.

 

Loja de Turismo inaugurada no verão e a Casa de Diogo Cão pode conhecer novo rumo

A retirada de alguns serviços públicos da zona histórica não foi bem vista pelo atual executivo. A edilidade tenta agora pelo menos manter os poucos que restam e aproveitar a criação de outros. “Estamos a tentar contrariar o esvaziamento dos serviços públicos. Queremos acreditar que o Centro de Emprego encontre no centro histórico as boas instalações que procura. Até agora não fomos contactados pelo Governo para retirar este serviço. Outro ponto de interesse é o espaço do cidadão. Estamos atentos à criação deste serviço e se o mesmo avançar, tudo faremos para que fique situado precisamente neste espaço urbano. Dentro de dois meses vamos inaugurar a Loja de Turismo de Vila Real, na Casa dos Marqueses, na avenida Carvalho Araújo. Acrescento também que a sala de visitas da cidade, como é a Avenida Carvalho de Araújo, tem sido um polo de eventos e de animação com a realização de várias atividades”.

Em relação ao futuro, a edilidade acredita que alguns projetos trarão inovação ao centro histórico. “Será instalada uma rede wireless gratuita nesta zona. Serão colocados painéis informativos e quiosques eletrónicos que darão um novo impulso ao centro histórico. Além disto, estamos a ponderar fazer beneficiações na casa do Diogo Cão, num processo de geminação com uma cidade angolana, onde há muitos vila-realenses a trabalhar, e isso pode permitir a criação de uma associação de amizade”.

Rui Santos falou sobre a mudança de local das festas de Santo António. “O novo espaço tem características únicas e trazer o Santo António para a vila Velha foi uma decisão sensata e centralizadora. Adianto que mais iniciativas poderão surgir, contando aqui com o Museu da Vila Velha como um elemento importante para atrair pessoas ao espaço”.

O autarca deu uma receita conclusiva: “engenho, arte, vontades e uma estratégia pensada”.

 

Trânsito e centro histórico incompatíveis e parqueamentos gratuitos não serão solução

Por sua vez, Adriano de Sousa deixou bem claro que ter parqueamentos gratuitos não é a melhor solução para atrair pessoas. “O estacionamento gratuito é um erro. Neste momento, temos as ruas que tínhamos há 30 ou 40 anos e o número de carros aumentou mais de 20 vezes. Ou seja, nós temos de regular a oferta (zonas de estacionamento) e a procura (número de carros). Se fosse gratuito as pessoas estacionavam os carros de manhã até ao fim do dia. Temos tido algumas reclamações dos comerciantes sobre o trânsito no centro histórico. Este, por natureza, é pedonal, mas criou-se uma tendência ao longo dos anos para ignorar esta restrição que foi definida pela câmara. Agora, vamos regular esta questão, embora não possamos fazer um corte radical com a prática existente. Temos que fazer ações pedagógicas. Teremos de sensibilizar os comerciantes, criar animação e promover junto dos restaurantes a colocação de esplanadas, que podem criar um ambiente de desincentivo à circulação e estacionamento automóvel. É muito desagradável estarmos numa esplanada e ver ao lado da mesa passar um carro. Disciplinar, regular e valorizar o espaço de identidade da cidade é fulcral”, concluiu.

Depois de salientar que o parqueamento está concessionado e por isso haver pouco espaço de manobra, a edilidade tem vontade de fazer um estudo global sobre o parqueamento da cidade. Neste sentido, de acordo com Adriano Sousa está praticamente delineado um esquema de circulação para o centro que privilegia os residentes no âmbito de algumas práticas correntes, como são as cargas e descargas comerciais.

Em relação ao património classificado, Adriano Sousa defendeu parcerias. “Não damos o devido valor ao nosso centro histórico, as pessoas que vêm de fora é que o elogiam e o valorizam. Este processo não passa só pela autarquia, mas também pelos próprios comerciantes e uma associação do setor, para se definirem políticas, em que a câmara deverá ter um papel regulador”.

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