Vila RealLojistas “desacreditaram” na Associação Comercial

Lojistas “desacreditaram” na Associação Comercial

Ao contrário do que o Nosso Jornal divulgou na semana passada, os lojistas do comércio tradicional de Vila Real ainda não estão abertos até às oito da noite. O horário especial de Natal, para já, e como já é tradição há anos, passa pela abertura das lojas aos sábados, domingos e feriados. Quanto ao volume de negócios nesta época festiva, as opiniões divergem, no entanto, um tema que parece ser consensual, é o desagrado com a actuação da Associação Comercial.

“Este ano já deixei de ser sócia”, contou ao Nosso Jornal uma das lojistas da Rua Direita confirmando assim o seu descontentamento perante a actuação da Associação Comercial e Industrial de Vila Real (ACIVR), que, como muitos defendem, por falta de dinheiro ou interesse “pouco tem feito pelo comércio tradicional”.

Alertado por um dos comerciantes do Centro Histórico, o Nosso Jornal foi confirmar o ajustamento de horário, anunciado pela ACIVR na altura da inauguração das luzes de Natal, para dar resposta às necessidades dos clientes vila-realenses que, afinal, ainda não passou à prática.

“Nenhum lojista está aberto até às oito”, garantiu Adelina Correia, proprietária da Sapataria Carlos, confirmando que o horário diferenciado que está a ser assumido pelos comerciantes na época natalícia é o da abertura aos sábados, domingos e feriados.

A mesma responsável confirmou que a ACIVR fez um inquérito sobre a disponibilidade dos lojistas para assumir o horário até às oito, cujos resultados não foram comunicados aos comerciantes. Sónia Cabral, da Big Bag Prendas, que durante o mês de Dezembro mantém o seu estabelecimento aberto não só aos fins-de-semana, mas também à hora do almoço, até aderiu à ideia, mas também lamentou que a associação não tenha feito o comunicado a indicar a efectivação da proposta.

Aloísio Monteiro, da loja Romano, assim como outros lojistas, não aderiu à readaptação do horário, defendendo que a melhor opção é mesmo a abertura aos fins- -de-semana, como, aliás, “já é prática há muito anos”, por parte dos comerciantes.

José Ricardo, presidente da ACIVR explicou ao Nosso Jornal que o que aconteceu foi uma “má interpretação” por parte da comuni- cação social sobre o que foi anunciado, sendo de esclarecer que os resultados do inquérito serão divulgados aos comerciantes no dia 17, altura a partir da qual, e até ao dia 25, os lojistas vão estar abertos até às 20h00. “74 por cento das lojas aderiram”, contabilizou o mesmo responsável, frisando também que a animação de natal terá início na mesma data.

Por outro lado, são alguns os lojistas que estão descontentes com a Associação Comercial. “Este ano já deixei de ser sócia”, explicou Hortense Maneta, da Ourivesaria Real que, defendendo que “não vale a pena pagar para que não façam nada pelo comércio”, levou assim ao limite o seu desagrado.

“Eu participo nas reuniões e até dou ideias que a Associação, apesar de as considerar interessantes, não as põe em prática, por falta de dinheiro”, explicou Sónia Cabral, sublinhando, no entanto, que a solução não passa por abandonar a ACIVR, mas sim por uma união ainda mais forte dos comerciantes. “Todos unidos fazemos a força”, defendeu a comerciante que há 20 tem a sua loja aberta no Centro Histórico.

Adelina Correia afirma que “os lojistas estão cansados de reclamar” quando a Associação Comercial “está mais preocupada com a formação profissional” do que em defender os interesses dos comerciantes.

Relativamente a um primeiro balanço sobre as vendas na época de Natal, a proprietária da Sapataria Carlos, que há 50 serve os vila-realenses, garante que esta continua a ser a melhor época do ano para os negócios, embora não se compare com os resultados que se alcançavam há alguns anos atrás. Também Sónia Cabral considera que apesar da crise, as pessoas mantêm a tradição de dar prendas no Natal, a diferença é que “em vez de gastar muito dinheiro compram coisas mais baratas”.

Mais negativa está a ser a época natalícia para outros comerciantes, como por exemplo, para Aloísio Monteiro que é tácito a considerar que, “não vale a pena inventar, este ano está a ser uma desgraça”. Hortense Maneta, da Ourivesaria Real, também considera que este ano “a situação está pior”, embora defenda ser possível fazer mais pelo comércio tradicional, assim o quisesse a Câmara Municipal de Vila Real e a ACIVR.

-PUB-


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais lidas

PRÉMIO