Sábado, 16 de Outubro de 2021
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Luta das transportadoras não passou em branco no distrito

No total, mais de cem camiões de empresas sedeadas no distrito fizeram notar nas estradas a sua indignação com o aumento dos preços dos combustíveis e a introdução de portagens nas SCUT. “Queremos que o primeiro-ministro ponha a mão na consciência”, revelou, ao Nosso Jornal, um empresário que adianta desde logo que, se nada mudar, “mais vale fechar em Portugal” e recomeçar noutro país…

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Primeiro, uma concentração que juntou, no dia 14, cerca de 40 camiões no Itinerário Principal número quatro (IP4), depois, no dia seguinte, uma marcha lenta na Auto-estrada 24 que contou com cerca de 70 veículos pesados. Assim se fez sentir no distrito o protesto das empresas transportadoras contra o aumento no preço dos combustíveis.

“As empresas já estão a trabalhar com alguma dificuldade e acredito que muitas empresas não se irão aguentar”, sublinhou Manuel Barradas, proprietário, há cerca de 15 anos, da empresa Auto Barradas, que na segunda-feira participou na concentração de camiões no IP4.

No encontro, que começou ao início da tarde e decorreu na zona de Arrabães, chegaram a marcar presença perto de quatro dezenas de veículos pesados, sendo que, ao final da tarde, já pouco mais de 15 estavam parados nas bermas da estrada.

Segundo uma fonte da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana (GNR) presente no local, o protesto decorreu sem problemas de maior, não tendo sido cortado o trânsito.

O empresário vila-realense, que trabalha a nível nacional no sector do transporte de inertes, testemunha que, se antes o abastecimento era feito em qualquer bomba, agora há que “procurar as que vendem o gasóleo mais barato”. “Tinha que haver um gasóleo profissional. Era assim que tinha que ser, afinal de contas também trazemos riqueza ao país”, defendeu.

Além do aumento no preço dos combustíveis, nas justificações para o protesto, soma-se a introdução de portagens nas SCUT, entre as quais na A24 e na A4.

Marco Grilo foi um dos empresários do sector das transportadoras que participou na marcha lenta realiza na terça-feira, uma iniciativa que levou 70 camiões a percorrerem o troço da A24, entre Chaves e Pedras Salgadas, em três horas.

Já em Pedras Salgadas, o empresário também relatou, ao Nosso Jornal, as dificuldades sentidas no sector. “Se isto continuar assim, não sabemos como nos vamos desenrascar”, referiu Marco Grilo, proprietário da Brita Grilo e FlaviBetão, empresa que mantém hoje 32 camiões e dá emprego a mais de 45 pessoas.

“Para já, ainda não reduzimos o número de funcionários”, revelou o empresário flaviense, deixando, no entanto, a certeza de que, se não houver um retrocesso no preço dos combustíveis e na medida de introdução das portagens, “mais vale fechar em Portugal e abrir a empresa noutro país”.

Apesar de no distrito de Vila Real as manifestações dos camionistas terem decorrido de forma pacífica, o mesmo não aconteceu noutras zonas do país, sendo de sublinhar, por exemplo, o apedrejamento de camiões e mesmo a detenção de um dirigente do movimento de paralisação das transportadoras.

Convocado pela Associação de Transportadores de Terras, Inertes, Madeiras e Afins (ATTIMA) e pela Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), até à hora de fecho desta edição o protesto mantinha-se a nível nacional, com várias iniciativas de luta a decorrer de Norte a Sul do país.

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