“Este Governo é uma praga para o interior” acusou Rui Santos, presidente da Federação Distrital de Vila Real do Partido Socialista (PS), ao denunciar o encerramento de 11 das 14 repartições de finanças do distrito, uma medida prevista no âmbito do Plano de Redução e Melhoria da Administração Central (PREMAC).
Segundo os socialistas, a intenção é fechar todos os serviços de finanças do distrito à exceção dos localizados em Vila Real, Chaves e Peso da Régua, o que vai afetar “centenas de trabalhadores”. “Alguns irão para mobilidade especial e outros terão que aceitar serem deslocados para outras cidades”, sublinhou o mesmo responsável político.
Rui Santos acredita que o Governo escondeu a informação “durante a campanha eleitoral” uma vez que se tratam de mais “cortes cegos, de falta de estratégia que afeta a todos, em especial o interior” do país.
Segundo o mesmo responsável, o PREMAC prevê o encerramento de uma média de 50 por cento das repartições, sendo que em Vila Real esse número escala até aos 78,57 por cento. “Este Governo quer exterminar o interior”, acusa o socialista.
Para fazer face a mais uma ronda de encerramentos de serviços no distrito vila-realense, Rui Santos lançou o desafio “a todos os autarcas, sem exceção”, para que “tomem uma posição em defesa do interior”.
“Vamos fazer um convite a todos os que se sentem enganados para que se juntem a nós, para se revoltarem contra a situação numa ação conjunta contra o Governo”, revelou o socialista, adiantando ainda que vai alargar o convite ao presidente da distrital do Partido Social-Democrata.
Em conferência de imprensa, Rui Santos, que no dia 29 foi eleito presidente da Câmara Municipal de Vila Real, lembrou que os autarcas do distrito têm vários motivos para se revoltarem contra o Governo, nomeadamente o encerramento anunciado dos Tribunais, a paragem nas obras do Túnel do Marão, o encerramento da Pousada da Juventude de Vila Real, a extinção do Polo de Turismo do Douro e da sede local do Instituto de Desporto de Portugal, a introdução das portagens mais caras do país e a suspensão da carreira aérea Bragança-Vila Real-Lisboa, entre outros.
Mais, o mesmo responsável garante ainda que depois do encerramento das repartições de Finanças, “dentro de pouco tempo” será a vez dos serviços da Segurança Social serem alvo de encerramentos a nível local.
“Tem que haver forma de impedir esses encerramentos”, defendeu.
Considerando que a situação é “demasiado má para ser verdade”, o socialista frisou que o encerramento de serviços motiva “os cidadãos a dirigirem-se para o litoral”, num “ciclo perverso que levará inevitavelmente ao fecho do interior do país”.
No que diz respeito ao distrito de Bragança, o PREMAC prevê que sejam encerrados nove dos atuais 12 serviços de Finanças locais, mantendo-se apenas os localizados na capital brigantina, em Mirandela e em Vila Flor.
Segundo os socialistas, a extinção destes serviços já deverá ser contemplada no Orçamento do Estado para 2014, ou seja, no início do próximo ano as repartições de Finanças deverão começar a encerrar.
Sindicato contra encerramentos
“Vila Real, e os transmontanos em geral, exigem serviços públicos de qualidade, acessíveis em igualdade para todos os cidadãos e entidades, assegurando igualmente os direitos e postos de trabalho dos trabalhadores existentes nesta região”, defendeu a direcção distrital do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, em comunicado.
O sindicato revelou ainda que está “disposto, em conjunto com outras entidades do distrito (municípios, juntas de freguesia, partidos políticos, associações de cidadãos ou quaisquer outras), a combater estas medidas altamente discriminatórias e lesivas dos interesses da população local”.
No mesmo documento o sindicato lembra que “o combate à fraude e à evasão fiscal não se faz com meras alterações legislativas, nem tão pouco com o encerramento de 50 por cento dos Serviços de Finanças”.





