Sábado, 31 de Julho de 2021

Mais velhos mantêm a fé a ouvir a missa na rádio

É verdade que estamos na era das novas tecnologias da informação e da comunicação. No entanto, em muitas aldeias transmontanas, essa realidade ainda está longe de ser a alternativa para ouvir a “palavra do senhor”.

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A suspensão das missas, anunciada em março pela Conferência Episcopal Portuguesa, devido à pandemia do novo coronavírus, deixou os fiéis sem missa presencial, com as dioceses a apostarem nas redes sociais e meios de comunicação digitais para difundir as missas. 

Num território envelhecido, como Trás-os-Montes e Alto Douro, muitas pessoas ainda não têm acesso a essas plataformas online, por isso optam sobretudo por ouvir a missa na rádio ou ver na televisão, mantendo a tradição de seguir sempre a missa, pelo menos ao domingo.

Confinada em casa, como muitos portugueses, Maria da Glória, de 88 anos, vive numa aldeia a poucos quilómetros de Vila Real e não dispensa a missa, que agora só pode assistir na televisão ou ouvir na rádio. Apesar de conseguir manter a fé através dos meios de comunicação social mais tradicionais, esta católica revela à VTM que “nada substitui à missa presencial” na capela. “Não é a mesma coisa. A nossa concentração é muito maior e estamos em comunhão com Deus, com a sua presença entre nós”.

Apesar de os tempos terem mudado e não ter missa sempre ao domingo como gostaria, pelo menos uma vez por semana o “senhor padre vai à aldeia celebrar” a eucarística. “Vou sempre, só não vou se estiver doente. É um local onde me sinto bem”, sublinha, adiantando que compreende que nestes tempos de incerteza que vivemos, o melhor mesmo é não sair de casa. “Temos de cumprir, pois o vírus é perigoso e pode tirar-nos a vida de um momento para o outro”.

Apesar do confinamento, como vive numa aldeia com poucos habitantes, por vezes sai para ir buscar erva para os coelhos. “É perto, mas até vou por um atalho escondido para não estar em contacto com ninguém”. 

Nasceu antes da II Guerra Mundial, na qual Portugal não participou, mas acha que esta pandemia é a verdadeira guerra que a humanidade enfrenta em anos de “paz conturbada” e o receio da covid-19 está patente no seu rosto e nas suas palavras. “Quem não tem medo?, questiona, sustentando que “ninguém sabe o que lá vai encontrar”. Se viesse cá alguém dizer que lá se está bem, não tínhamos medo, assim temos”.

“Aquilo que vemos, é que os corpos dos mortos vão para um buraco, por isso quem quer ir para lá?”.

E é entre as quatro paredes de casa que muitos idosos transmontanos se protegem da pandemia, aproveitando a rádio e a televisão para manterem a chama da fé acesa e o contacto próximo com Deus.

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