Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Matilde, a história da menina “que quer continuar a vencer”

A luta pela vida é uma realidade de todos, mas para a pequena Matilde a primeira batalha foi travada logo à nascença, logo no primeiro suspirar… Há seis anos foi vítima de uma falha médica, hoje a vila-realense é uma “guerreira” que não se resigna à mercê do destino e segue a caminhada da vida somando vitórias, espalhando sorrisos e sem nunca olhar para trás

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Foi em 2008 que um erro médico ditou um futuro especial para Matilde Santos, uma vila-realense de palmo e meio que há seis anos luta, diariamente, contra sequelas ao nível motor que dificultam tarefas como andar, falar ou comer sozinha.

“Tive uma gravidez normal, trabalhei até um mês antes dela nascer” recorda Carmo Santos, mãe da Matilde, sublinhando que a vida mudou quando, com 42 semanas de gestação, uma parteira decidiu “provocar o parto”, contraindo a decisão inicial de fazer uma cesariana, que estava já marcada.

Na realidade, a menina tinha “três voltas do cordão umbilical no pescoço” e sofreu uma asfixia, quase morreu na tentativa de nascer e ainda teve que esperar nove horas para que a dita intervenção cirúrgica fosse feita de urgência. “Ela teve que ser reanimada, e na altura disseram que ela estava agitada mas que ia ficar bem, que iria ficar na neonatologia por precaução”, lembra a mãe.

O dia seguinte ditou a gravidade da situação e a menina, depois de ter uma convulsão, acabou por ser transferida para o antigo Hospital Maria Pia, em Lisboa, onde ficou nos cuidados intensivos durante 20 dias.

Foi em Lisboa que os pais puderam pegar pela primeira vez na filha ao colo, na altura sabendo já que as sequelas seriam impossíveis de evitar.

Com pouco mais de um mês e meio de vida, começou uma nova luta, uma luta diária pela recuperação, com sessões intensivas de fisioterapia e a aposta em diversas outras terapias que pudessem ajudar na evolução motora da pequena guerreira.

“No princípio contratamos uma fisioterapeuta para trabalhar em casa”, explicou Carlos Santos, pai da Matilde, referindo ainda que começaram pouco tempo depois com as terapias com cavalos e na piscina, um primeiro investimento na independência da Matilde que “durou anos”.

Carmo Santos lembra que como “pais de primeira viagem”, não sabiam se estavam a “fazer bem ou mal”, mas queriam continuar a lutar, continuar a fazer mais e começaram a investigar todas as possibilidades.

Uma das respostas em termos de terapias inovadoras surgiu quando encontraram um tratamento no estrangeiro, mas cada sessão de uma hora custava 250 euros, um valor que estava acima das possibilidades da família. Em 2013, o tratamento, denominado Cuevas Medek Exercises (CME), chegou a Portugal e a família Santos foi uma das primeiras a recorrer à terapia, numa clínica de reabilitação de Espinho.

“Em agosto estivemos em Lisboa com o fundador do método durante uma semana, e ele disse-nos que ela tinha muito potencial e muito trabalho pela frente”, recordou Carlos Santos.

Acordar todos os dias bem cedo, fazer as viagens de ida e volta a Espinho, e duas horas de terapia, fizeram o quotidiano da menina durante quatro meses seguidos, uma realidade que foi interrompida quando o pai ficou desempregado e o fundo de maneio começou a esgotar-se.

Com uma grande evolução, bem visível ao nível do ganho de massa muscular, do controlo da cabeça e do tronco e do apoio de mãos, não foram as dificuldades financeiras que fizeram a família desistir e, apesar de reduzir o número de dias de tratamento, a aposta na terapia mantém-se com dois a três dias por semana na clínica e em casa, religiosamente, graças ao pai que aprendeu parte dos exercícios com as fisioterapeutas.

Conscientes de que até que a Matilde ganhe a sua independência, são suas “pernas, pés e mãos”, mesmo com muitas dificuldades, os pais querem continuar a garantir a terapia, e para isso criaram um perfil no Facebook onde mostram ao mundo a luta da menina e apelam à solidariedade de quem puder ajudar através de apoio financeiro ou organização de eventos e campanhas de recolhas de fundos.

Mantendo em parte as suas capacidades cognitivas, a Matilde teima em seguir o caminho de uma criança sem dificuldades, frequentando atualmente a primeira classe da escola primária regular e dividindo a sala de aulas com colegas “que a adoram”.

Quanto ao futuro, o objetivo é a independência, é ensinar o corpo a responder às suas vontades e ensinar à vida que, mesmo perante as adversidades, é possível recolher as pedras encontradas no caminho para começar a construir um castelo…

 

Como ajudar:
NIB 0007 0000 00879797470 23 NOVO BANCO ou 0036 0055 99100148414 65 MONTEPIO GERAL
www.facebook.com/pages/A-Matilde-Quer-Continuar-a-Vencer/724632130888179

 

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