Vila RealMelhores condições não convencem feirantes

Melhores condições não convencem feirantes

Na terça-feira a ‘Feira dos Farrapos’ realizou-se, pela primeira vez, na sua nova morada: a Feira do Levante. O Nosso Jornal acompanhou as primeiras reacções dos comerciantes e problemáticas com o trânsito na zona. Apesar do descontentamento dos feirantes já não há volta a dar, uma vez que as obras do parque urbano da Nossa Senhora da Conceição já estão em curso.

“É só cinco euros”, “veja menina, mais barato não encontra”, “é só escolher”. Aos pregões que se ouviam na Nossa Senhora da Conceição, agora ecoam também, na nova Feira do Levante, expressões de descontentamento dos feirantes que, no dia 25, passaram definitivamente as suas tendas para o novo recinto.

Inaugurado no dia 25, o novo espaço custou aos cofres da autarquia 800 mil euros e foi pensado de forma a “garantir melhores condições, mais conforto e comodidade para feirantes e clientes”, defendeu Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real.

Apesar da confiança da autarquia no projecto, a verdade é que na manhã de terça-feira não se encontravam comerciantes satisfeitos com a mudança. “Colocaram-nos num autêntico buraco negro”, classificava José Soares que, com ironia, lamentou o facto de agora ter que vender apenas “botas, chinelos e sapatos brancos”, porque a sua única clientela serão os médicos.

Com alguma confusão e demora à entrada do recinto, vários feirantes garantiram que esperaram mais de uma hora até conseguirem ver a sua tenda completamente montada e, como nem todos partilham da boa disposição de José Soares, os ânimos exaltaram-se por várias vezes. “Não houve qualquer incidente”, explicou fonte da Polícia de Segurança Pública, contabilizando que estiveram no local cerca de duas dezenas de agentes com o objectivo de garantir uma mudança sem problemas.

Já bem perto das nove, o Nosso Jornal encontrou ‘Sílvio das Meias’, como é carinhosamente conhecido em Vila Real pelos seus 20 anos de comércio na feira vila-realense. “Tenho receio que diminua o volume de negócios”, reconheceu o feirante que, depois de uma manhã de negócios na Feira do Levante, viu o seu temor confirmado ao registar uma redução nas vendas na ordem dos 80 por cento, relativamente à última sexta-feira. “Até estiveram cá muitas pessoas, mas se calhar vieram só por curiosidade, porque comprar, não compraram”, lamentou.

Com um espaço maior do que aquele que tinha na Nossa Senhora da Conceição, Sílvio tem agora de suportar uma renda mensal de 241 euros pelos seus 40 metros quadros, o que faz da feira de Vila Real “uma das mais caras” entre todas em que participa.

José Morais Silva foi um dos primeiros clientes da nova feira. Habituado a deslocar-se, “sempre que precisava”, à Nossa Senhora da Conceição, o vila-realense até está satisfeito com a mudança, tendo em conta que agora pode ir à feira a pé.

Confiante de que as pessoas vão deslocar-se para ir à feira, José Silva apenas aponta o dedo ao facto de a nova infra-estrutura ter “um espaço mais limitado”, o que pode trazer “problemas para os tendeiros em dias de muito vento”.

Outra das problemáticas bem visíveis no primeiro dia de feira, foi o tráfego na Avenida da Noruega, com filas de carros a chegar à rotunda de acesso ao Itinerário Principal número 4. “A partir de agora temos que rezar para não ter acidentes às terças e às sextas- -feiras”, comentava um popular.

Durante a inauguração da feira, o autarca adiantou que está a ser negociada a aquisição de um terreno no outro lado do rio (adjacente à feira) onde, “num futuro próximo, será criado um novo espaço verde” e um “parque de estacionamento em patamares que, em conjunto com o estacionamento criado junto ao Centro Hospitalar, irá servir a feira.

O presidente da Câmara revelou que, ao contrário do que estava previsto no projecto inicial, não foi construída a infra-estrutura para receber o Café Esplanada o que se deveu a questões financeiras. No entanto, o local está preparado para receber a estrutura e será mesmo lançado um concurso público, em breve, para a adjudicação do espaço em causa.

No dia 24, a Câmara Municipal deu início às obras no espaço que durante mais de 20 anos foi utilizado para a realização da antiga “Feira dos Farrapos” e que dentro de pouco tempo verá nascer um jardim urbano.

“Esta intervenção visa promover a qualificação ambiental e paisagística daquela área, através do ordenamento do espaço público e incremento de zonas verdes na cidade, proporcionando à população um novo espaço de convívio e lazer”, garantiu a edilidade. Entretanto, já começou a intervenção junto ao Restaurante Museu dos Presuntos, onde vai ser construída uma rotunda e passeios adequados, e reestruturada a rede de iluminação.

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