Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Mensagem Quaresmal para o Ano de 2015

Queridos Diocesanos e Irmãos, em Cristo. A Festa da Ressurreição é a Festa das Festas e é precedida da Quaresma, que precede a Páscoa e pede para nos deixar plasmar, por Jesus, morto e ressuscitado, que nos ensina a operar o bem comum e a ter as atitudes e sentimentos do Filho de Deus, que se fez um de nós, pois, "há mais alegria em dar que em receber" (Act 20,35), o qual passou a vida a fazer o bem, a consolar, a curar e a pregar o Evangelho aos Pobres, pedindo para O imitarmos e anunciarmos, sem separar o amor a Deus do amor ao próximo. De facto, os acontecimentos dramáticos do ano, lesivos da vida e dignidade humana, estão nos antípodas da atitude de Cristo, morto e ressuscitado. Há que ouvir o apelo do Papa em prol da reconciliação, não escravos mas irmãos! Há que pedir às pessoas de todos os credos e convicções para dialogarem e para, juntas, no amor, construírem o mundo novo, onde as pessoas gozem de direitos e deveres e as minorias sejam aceites e respeitadas.

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A fé em Cristo brilha, na vida renovada do crente e mostra que a encarnação do Filho de Deus, que, por nós, se entregou à morte, não foi em vão, pois, glorificou a Sua própria humanidade assumida, no seio da Virgem, para mudar e glorificar também as vidas dos que creem e a Ele se conformam. A novidade da Páscoa de Jesus reside na conversão, na renúncia ao pecado, à injustiça, à idolatria do auto-endeusamento, do dinheiro, do narcisismo e do desprezo dos outros, reduzidos a escravos descartáveis. Há que declarar a morte ao ódio, ao desprezo, à retaliação e à guerra. Não é lícito ferir, matar, ofender e fazer o mal, em nome de Deus, supremo bem, verdade e beleza. Antes, deve vingar, entre nós, a regra de ouro da justiça, que diz: "não faças ao outro o que não queres que o outro te faça a ti". Se Deus se fez homem e nos deu a maior prova de amor, que direito me assiste a fazer o mal, a odiar e ofender outros? O amor a Deus não dispensa o amor ao próximo, pois, "o que não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê" (1 Jo 4, 20). O amor a Deus, amor supremo e fonte de vida e verdade, para ser autêntico, obriga ao amor ao próximo, à busca da verdade e ao empenho, pela vida e pela dignidade de todos e cada um dos seres humanos, sobretudo dos mais necessitados.

Crescendo o poder e a técnica, cresce a soberba humana e diminui a solidariedade e o amor, imperando o egoísmo, a injustiça e a violência, no mundo. O feitiço do progresso volta-se contra o feiticeiro. Há que exortar à união, compaixão e solidariedade e imitar Cristo, fazer o bem, socorrer o próximo, amar, com solicitude, minorar o mal, cientes de que a partilha é o objetivo do itinerário cristão, sendo julgados pelo amor e bem feito aos pobres, que são os preferidos de Deus, que neles quer ser reconhecido e amado. Não há verdadeira fé cristã sem caridade e sem esperança em Deus, o Sumo Bem, Suma Verdade e Suma Beleza, que é a causa da nossa alegria e consolação.

A Coleta é tão antiga como a Igreja, sinal de partilha, elemento essencial da vida e da comunhão. No Concílio de Jerusalém, no ano 49, foi estabelecido o donativo fraterno para os pobres, a que S. Paulo foi fiel. Os Peditórios e o Contributo Penitencial, sob a tutela do Bispo, têm fins próprios, regulamentados e são sinal da co-responsabilidade eclesial, em prol do bem comum. Eles fazem parte da vida ordinária do cristão.

Além dos Peditórios, estabelecidos pela Igreja, como o de Sexta Feira Santa, para a Terra Santa, e do Contributo Penitencial Quaresmal da Abstinência da Cruzada, que é dado ao Bispo, os fiéis devem ainda praticar a Renúncia Voluntária e dar o donativo, que entenderem, para o fim indicado pelo seu Bispo. Para responder às necessidades, há que cultivar a compaixão e ajudar os indigentes, os filhos prediletos de Deus.

Este ano, a Renúncia será para os Pobres de cada uma das Conferências de S. Vicente de Paulo, destinando uma fatia igual do dinheiro recolhido, para as Crianças da Igreja da Guiné-Bissau, socorridas pela Fundação Fé e Cooperação, que, em 2015, celebra os Vinte e Cinco Anos de Cooperação, com as Comunidades de língua portuguesa, por mandato dos Bispos Portugueses. É uma forma de nos mostrarmos solidários com os pobres que estão perto e com os que estão longe, pois todos são filhos de Deus.

Que Deus nos ajude a dar com generosidade, dando do pouco que nos sobra, para ultrapassar a crise, cientes de que o bem não se faz sem benfeitores, sem obras, sem misericórdia e abertura de coração. São precisas pessoas, que ajudem os necessitados. A abundância de pobres pede mais voluntários, generosos, para os socorrer.

Saudações do bispo e irmão, que pede a esmola da oração e a ajuda aos necessitados e Vos agradece, unido, na fé, esperança e oração, pedindo a Deus que Vos abençoe e Vos recompense, pelo bem e ajuda aos pobres, que são os prediletos de Deus.

 

Vila Real, 24 de Janeiro de 2015

 

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