Sábado, 6 de Junho de 2026
InícioPeso da RéguaMinistro da Agricultura recebido com manifestação

Ministro da Agricultura recebido com manifestação

Num périplo de dois dias pela região duriense, António Serrano visitou explorações agrícolas, associações locais e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, mas não sem antes ser recebido por várias dezenas de manifestantes, que acusaram o ministro de ter uma “atitude antidemocrática” ao não receber em mãos um documento de protesto contra a proposta do Governo para o “saneamento financeiro” da Casa do Douro.

Apesar de reconhecer que a proposta negocial apresentada à Casa do Douro (CD) “não é perfeita”, António Serrano, ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, que no dia nove visitou várias instituições da Região Demarcada, garantiu que esta “acautela as principais preocupações do Governo, da CD e dos vitivinicultores”.

Uma opinião que não tem correspondência na região, e prova disso foi a manifestação que reuniu perto de uma centena de vitivinicultores à chegada de António Serrano ao Solar do Vinho do Porto, na Régua. “Já chega de más políticas, de má vontade contra o Douro, contra as cerca de 40 mil famílias que vivem da vinha e que estão próximas de entrar em falência”, defendeu Berta Santos, dirigente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO), que liderou o protesto.

Com vários cartazes e faixas em punho, os manifestantes não reagiram de imediato à chegada do ministro mas mostraram-se revoltados quando este não aceitou receber em mãos um documento reivindicativo, remetendo a entrega à sua assessora. “Teve uma atitude antidemocrática quando não aceitou o documento, quando não o quis receber”, gritavam alguns manifestantes.

Segundo Berta Santos, os problemas dos vitivinicultores durienses “são mais que muitos”, no entanto, a “machadada final” é a proposta apresentada pelo Governo à CD, “instituição que é fundamental para a produção” e que já está “moribunda, não por responsabilidades dos vitivinicultores, mas pelas más políticas que têm sido seguidas e que lhe retiraram competência”. “Sem ela ficamos pura e simplesmente na mão das grandes quintas e das casas exportadoras”, denunciou a dirigente associativa.

Relativamente à proposta em causa, Berta Santos acredita que o primeiro passo a dar na resolução dos problemas da CD é a devolução das competências que lhe foram retiradas, como “a atribuição do benefício, a regulação do mercado, a indicação de preços, o escoamento dos excedentes”.

De recordar que, no acordo negocial entregue ao organismo duriense para o pagamento da dívida de 110 milhões de euros, o Governo propôs a entrega dos vinhos empenhados da CD ao Estado.

“Uma proposta de má-fé”, é assim que a AVIDOURO classifica o documento já que, como defendem, a solução indicada “não vai resolver problema nenhum”, sendo ainda de realçar que o Governo propõe-se adquirir os vinhos a preços inferiores ao seu valor. “Não pagam efectivamente o que valem. O que querem com isso? Estão a pressionar a CD para que assine um acordo que é mau para a região, mau para os vitivinicultores”, defendeu Berta Santos.

Apesar de não falar com os manifestantes, depois da visita ao Solar do Vinho do Porto, António Serrano seguiu para a CD para uma reunião que, como o próprio classificou, “não foi de trabalho”, mas serviu sim para “tomar contacto com o funcionamento da instituição”.

“A nossa proposta foi feita. A CD tem estado a avaliá-la quer na sua direcção, quer no seu conselho geral. Estamos à espera que se pronuncie formalmente sobre ela em termos de votação”, frisou o ministro da agricultura, lembrando que se trata “das traves mestras” de um documento que “pode não ser perfeito”, mas é o “possível”.

“Tenho estado muito empenhado em ajudar, devo isso enquanto ministro. A CD é muito importante na região e fiz tudo até agora para fazer um acordo salvaguardando o interesse de todos. Não encontrando soluções mágicas, nem as melhores do mundo, estas são aquelas em que o país pode trabalhar num momento de grande dificuldade, de crise internacional profunda”, explicou.

Manuel António Santos, presidente da CD, reconheceu o empenho do ministro da Agricultura, enaltecendo a sua “simpatia, boa–vontade e abertura”, assegurando que este “tem tido atitudes que merecem o maior respeito”. Já ao falar da proposta negocial, o dirigente lamenta que esta não atinja os objectivos que foram proclamados inicialmente. “Podemos pagar a dívida com o que nos é devido. Não aceitamos, é inconcebível que esta seja moeda de troca para a assinatura de um acordo”, defendeu Manuel António Santos, deixando ao governante o desafio de “aperfeiçoar” a proposta que o próprio classificou como imperfeita.


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS