Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025
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Montalegre, Chaves e Santa Marta de Penaguião são as melhores

Os sistemas em baixa, relativos à qualidade da água para consumo humano de 2006 no distrito de Vila Real, apresentam números pouco animadores. O Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP) coloca o distrito, em termos de “ranking”, a ocupar a antepenúltima posição. Atrás de si, apenas se situam Viseu e […]

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Os sistemas em baixa, relativos à qualidade da água para consumo humano de 2006 no distrito de Vila Real, apresentam números pouco animadores. O Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP) coloca o distrito, em termos de “ranking”, a ocupar a antepenúltima posição. Atrás de si, apenas se situam Viseu e algumas ilhas dos Açores.

No que concerne ao Valor dos Parâmetros estabelecidos e referente à qualidade da água, Murça ocupa o último lugar, mas apresenta uma melhoria, em relação a 2005. Na cauda da tabela, estão também Mondim de Basto, Alijó, Vila Pouca de Aguiar e Régua. Em termos de incumprimento do total de análises, para o Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR), há algumas autarquias que não entregaram, totalmente, o número de análises exigidas. Estão nesta situação Mondim de Basto (214), Alijó (164) e Vila Pouca de Aguiar (84). Também Vila Real (EMAR) regista um “incumprimento de frequência” de 16 análises.

 

A importância da Barragem do Sordo, para Vila Real e Santa Marta

 

No “Top Five” da qualidade de água tratada no distrito, além de Montalegre, Chaves e Santa Marta de Penaguião, estão Vila Real e Ribeira de Pena. Este relatório que é editado, anualmente, foi elaborado com a colaboração de variadas entidades de alguma forma intervenientes no sector, contendo a informação mais relevante relativa à qualidade da água fornecida, aos utilizadores, pelas entidades gestoras no ano de 2006, referenciada a 31 de Dezembro desse ano e abordando a avaliação dessa qualidade de serviço por indicador de desempenho e por entidade gestora.

O Presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, Francisco Ribeiro, manifestou agrado pelos valores qualitativos da água tratada: “Esta posição que ocupamos na tabela do IRAR é motivo de satisfação, mas representa, também, um esforço, feito atempadamente, na criação de equipamentos e infra-estruturas de melhoramento da água de consumo público. Construímos uma Estação de Tratamento e mantivemos uma parceria com a Câmara de Vila Real, para a edificação da Barragem do Sordo que, agora, está integrada nas Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro. Refiro, ainda, a importância das verbas do I e II QCA que contribuíram para a concretização destes empreendimentos. Demonstra isto também uma aposta atempada e uma visão de futuro do Município. Hoje, temos água de qualidade, distribuída por todas as freguesias do concelho, o que reflecte, também, um nosso propósito: a melhoria da qualidade de vida da população do nosso concelho”.

 

Não é fácil gerir mais de duzentas origens de água, só num concelho

 

O Município de Montalegre lidera a tabela qualitativa da água ao domicílio. O seu Presidente, Fernando Rodrigues, em declarações ao Nosso Jornal, considera que “Montalegre teve sempre boa água, na distribuição domiciliária. Os números do IRAR reflectem todo um cuidado posto pela autarquia na rede em baixa que vai desde a origem até ao consumo”. O autarca, apesar de admitir que, “em tempos, houve alguns constrangimentos, relativos ao número de análises, pedidas pelo IRAR”, garante que, agora, “tudo é cumprido”.

“Não é fácil a uma autarquia gerir, qualitativamente, mais de duzentas origens de água, no seu concelho” – acrescentou.

Sabendo que Montalegre aderiu ao Sistema Multimunicipal da Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (ATMAD), Fernando Rodrigues adiantou que “apenas na vila e algumas aldeias, distribuídas ao longo da EN 103, serão abastecidas pelo novo sistema de abastecimento”. O resto “terá de ser a Câmara a assegurar”.

 

Tratamento de água, em dezassete sub-sistemas, é problemático

 

Murça, por si e desde 2001, tem revelado elevados défices qualitativos, na água de consumo público. Análises oficiais reflectem isto mesmo. Porém e desde 2005, a situação está a inverter-se. Os 11% de incumprimento aos valores estipulados em 2004, até aos 7% de 2006, traduzem esta melhoria. O Presidente da Câmara de Murça, João Teixeira, esclareceu o Nosso Jornal: “As análises de incumprimento nada têm a ver com os três grandes sistemas que abastecem a vila, mas, sim, com os pequenos dezassete micro-sistemas (furos, poços e outras origens que fornecem água a cerca de 25% da população. E aqui ainda é difícil de controlar. Nos grandes sistemas que abastecem a vila, Valongo de Milhais e Jou, não há problemas bacteriológicos. Situação que acontece com a captação do rio Tua que abastece a toda a freguesia de Candedo. Acrescento que a Câmara investiu, em 2005, no Sistema de Curros (com nova captação e nova estação de bombagem) um valor de 750 mil euros. Os 17 subsistemas e o seu tratamento de água, nestas pequenas origens, são problemáticos e são o busílis da questão. É aqui que surgem os problemas analíticos. É uma situação que se arrasta, desde alguns anos”.

 

As importantes origens das barragens da Chã e de Torre de Pinhão

 

Neste momento, a vila de Murça é abastecida pelo sistema do rio de Curros, em Mascanho, em paralelo pelo de Fonte Fria (Fiolhoso) que são duas fontes que fornecem de água a vila e a zona de montanha do concelho (Valongo de Milhais e Jou). Há, também, uma captação, em Sobreira, a qual faz o abastecimento de toda a freguesia de Candedo.

“Nestes, não há problemas de qualidade de água, porque têm equipamentos capazes de fazer o seu tratamento” – frisou João Teixeira que esclareceu, ainda: “No morro de S. Domingos, foi construído, pela ATMAD, um depósito de meio milhão de metros cúbicos de água, para abastecer a vila e as duas freguesias e já se está a pensar que, no futuro, acolherá o grande sistema. Temos. aqui à porta, as adutoras cheias de água, dentro do projecto de abastecimento da rede em alta das Águas de Trás-os-Montes. Quando o Sistema Multimunicipal da ATMAD, através das origens da Barragem da Chá e de Torre do Pinhão, abastecerem a vila, os problemas da qualidade e quantidade de água, acabarão” – frisou João Teixeira. A Barragem do Pinhão que está a ser construída nos limites de Sabrosa e Vila Pouca de Aguiar e que representa um investimento de 3,7 milhões de euros, está inserida no Sistema Adutor do Pinhão que engloba, ainda, uma Estação de Tratamento de Água (ETA), oito reservatórios, sete estações elevatórias e cerca de 100 quilómetros de condutas adutoras. Este sistema vai alimentar, complementarmente, os sistemas de abastecimento de Vila Chã (Alijó e Murça) e do Sordo (Vila Real, Santa Marta de Penaguião, Régua e Mesão Frio). Será esta, juntamente com a água da Barragem da Chã, a solução para todos os males que padece a água de consumo público, em Murça.

 

José Manuel Cardoso

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