“Queremos trabalhar, só não queremos ser discriminados e boicotados”. O alerta foi deixando por mais de uma centena de empresários do sector automóvel que, reunidos de uma forma espontânea num movimento denominado “Todos contra o Imposto Sobre Veículos (ISV) 2009”, participaram num “encontro de emergência”, em Vila Real, no dia oito.
João Correia, empresário vila-realense do sector da importação de automóveis há 13 anos, e um dos mentores do movimento, explicou que os vários intervenientes do sector automóvel decidiram convocar “a reunião de urgência face a situação que se verifica no ISV 2009”, conseguindo juntar mais de uma centena de empresários de vários pontos do país, “desde Albufeira até Monção”.
Este aumento “vai gerar desemprego a milhares de pessoas através da falência de muitas empresas, não só do comércio mas muitas outras paralelas como transportadoras, transitários, despachantes, comércio de peças”, sublinhou o empresário, referindo a importância de deixar o alerta sobre a importância da revisão de um lei que, como consideram, “só pode ter resultado de um lapso do legislador”.
O ISV resulta da fórmula entre a componente da cilindrada e a componente ambiental, no caso dos veículos importados usados, e segundo a nova lei que entrou em vigor no início de Janeiro, “a componente ambiental, que é maioritária, deixou de ser considerada para efeitos de redução”, o que se traduz em aumentos de “50 a 60 por cento” no preço dos automóveis.
“Uma viatura de gama baixa, no caso de uma viatura de cilindrada 1560 centímetros cúbicos, que pagava 1675 euros de ISV, vai começar a pagar 3062 euros. Qualquer pessoa que saiba fazer contas vê como este agravamento é substancial”, sublinhou João Correia.
“É um aumento gravíssimo que pode chegar aos 70 por cento e que vai fazer com que o meu e outros stands de multimarcas de importação de usados possam paralisar”, lamentava Pedro Soares, proprietário de um stand de automóveis, em Aveiro, que já começa a ponderar a possibilidade de “fechar as portas”.
O mesmo importador dá outro exemplo, “no caso de viaturas do ano de 2005, a legalização em Dezembro ou em Janeiro representam uma diferença que podem chegar aos cinco mil euros”. “Não queremos ajudas, queremos que revejam o imposto e não prejudiquem mais a importação”, garante Pedro Soares.
O Movimento tem uma petição on-line contra o novo ISV, onde já reuniu mais de mil assinaturas e que irá ser entregue ao Governo. “Realça-se que o sector de importação de viaturas usadas representa à volta de 60 por cento das viaturas matriculadas em Portugal e que as empresas do sector são transversais a todo o território nacional, Norte e Sul, Litoral e Interior, sendo que a sua importância económico-social, embora não reconhecida, é muito significativa”, consideram os comerciantes num comunicado divulgado na reunião que garante mesmo que, “a título de exemplo, o possível fecho da Auto-Europa, do ponto de vista social, seria uma amostra ao nível do emprego perdido com a implosão do mercado de importação de viaturas usadas”.



