Uma septuagenária vive em Vale de Telhas, com dois filhos, numa casa sem água e luz. Uma figueira serve de WC. A mulher padece de alcoolismo e não tem condições de higiene. Os seus vizinhos pedem a urgente intervenção das instituições.
Maria Adelaide Carneiro, de 75 anos, é viúva, há cinco anos, vivendo com dois filhos, Fernanda Ruivo, de 30 anos, e Fernando Ruivo, de 35 anos, numa autêntica enxovia. A habitação está degradada, chove dentro dela, existem buracos no chão e não existe casa de banho. As “necessidades” são satisfeitas “num cortelho, por baixo das folhas de uma figueira” .
A cozinha, para quem entre nela, mais parece um refeitório para gatos, como comprovam as sete latas, colocadas no chão. Arrastando-se mais do que andando, Maria Adelaide recorre à fonte do Sardoal que ainda fica longe de casa. Maria dos Prazeres, uma vizinha que se preocupa com a situação chocante desta família, refere que, “às vezes, tenho que ser eu a abonar-lhes algum dinheiro, porque os duzentos e tal euros da reforma dela não dão para se alimentarem todo o mês. E eles não têm um prédio deles, para cultivar, não têm nada” – disse, para acrescentar: “Depois, há o problema da sua limpeza e higiene, cheira mal e precisava de alguém que lhe deitasse a mão”.
A população da aldeia vai sendo solidária, dando roupas e géneros alimentícios a esta família carenciada, no sentido de minimizar a miséria”. Uma miséria que é aceite, de forma resignada. “Nunca pedi ajuda, vivo aqui desde que o meu homem comprou a casa”.
Os filhos trabalham na agricultura, quando conseguem trabalho: “São trabalhadores e agarram o que aparece. A minha filha era para ser rapaz, descarrega tractores de estrume sozinha e ajuda o Sr. Padre, na missa”, diz Maria Adelaide que explicou a razão de beber “uma pinguita”, atribuindo esse hábito ao seu falecido marido: “Dizia sempre que as mulheres dele tinham de comer e beber bem”.
Jmcardoso




