Sábado, 16 de Outubro de 2021

Municípios transmontanos e durienses vão desenvolver Planos de Emergência

Nos próximos dias, as temperaturas vão voltar a descer no distrito de Vila Real, podendo mesmo chegar aos quatro graus negativos em alguns concelhos, como por exemplo, Montalegre, Boticas, Ribeira de Pena ou Murça. Evitar os constrangimentos habituais causados pela queda de neve é agora a preocupação dos vários agentes de protecção civil que, além de discutir soluções imediatas, estão ainda a projectar a criação de Planos Municipais de Emergência, que contemplem, entre outras situações de risco, a prevenção e actuação perante os nevões.

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Dar uma resposta mais assertiva em situações de risco, como a queda de neve, o deslizamento de terras ou os incêndios florestais, é o objectivo de 26 dos concelhos da região que, agrupados em Associações de Municípios, estão agora a desenvolver os Planos de Emergência, um projecto orçado em mais de um milhão de euros e que conta com o financiamento comunitário através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

“As quatro Associações de Municípios fizeram uma candidatura ao QREN para a criação dos Planos Municipais de Emergência. A candidatura foi aprovada e no caso do Douro Superior e da Terra Quente o processo até já está mais avançado. No nosso caso e no Douro Sul estamos a ultimar um caderno de encargos para haver um concurso público”, explicou Paulo Noronha, secretário-geral da Associação de Municípios do Vale do Douro Norte (AMVDN).

O mesmo responsável garantiu que o objectivo é conseguir criar um plano que possa ser trabalhado por todos e actualizado em permanência e não, como muitas vezes acontece, um “documento bonito que fica na gaveta”.

No seio dos planos será criado um guia de campo, uma publicação que reunirá um conjunto de informação adequada relativa a cada uma das situações de emergência previsíveis, que permita “saber quem é quem, e quem faz o quê”. “A ideia é poder distribuí-lo a todas as entidades que actuam no terreno para que saibam, de forma rápida e fácil, quem é, por exemplo, na zona de Vila Real, o responsável pela Guarda Nacional Republicana (GNR) ou pela Protecção Civil, e os respectivos contactos.

Segundo Paulo Noronha, o guia deverá ser criado num material resistente e num formato que caiba num bolso, que possa andar num fato de trabalho, mas que, ao mesmo tempo, “possa também ser substituído cada vez que mudam os responsáveis”.

Alvo de uma candidatura, já aprovada, no valor de mais de um milhão de euros, no âmbito dos Planos de Emergência, que deverão ficar prontos no decorrer do próximo ano, será ainda criada uma equipa técnica de acompanhamento permanente dos documentos, adquiridos equipamentos informáticos necessários e realizados vários exercícios de validação.

Paulo Noronha revelou que se trata de uma “ferramenta de informação geográfica” que não é nova, mas que, em Portugal, apenas está a funcionar em Lisboa, e que, para além das questões da neve, vai focar outras situações de risco inerentes à existência na região da ferrovia e dos rios, bem como a problemática dos incêndios florestais.

Álvaro Ribeiro, responsável pelo Gabinete de Protecção Civil Municipal, explicou que o objectivo é ter um “documento que traduza uma dinâmica ajustável permanentemente”, sendo possível, por exemplo, no que diz respeito à queda de neve, fazer uma análise imediata das estradas e localidades mais afectadas no caso de queda de neve prevista para determina altitude específica.

Relativamente aos nevões já registados este ano, o mesmo responsável sublinhou como um dos principais pontos negativos dentro da resposta dada pelos vários agentes de protecção civil, a falta de qualidade ao nível das comunicações. “Houve dificuldade em falarmos entre nós. O nosso sistema de rádio é pouco fiável e não tem uma cobertura a cem por cento para todos os locais. É uma situação que temos que superar através de outros procedimentos”, defendeu.

Álvaro Ribeiro referiu ainda a necessidade de manter uma informação o mais actualizada possível para a população em geral que, muitas vezes, congestionam os números das centrais telefónicas das operadoras de estradas, do próprio Centro Distrital de Operações de Socorro ou da GNR, muitas vezes pedindo informações impossíveis de dar naquele momento. A solução para ter uma actualização das condições em tempo útil, segundo o mesmo responsável, poderá passar pela utilização da internet, por exemplo, através da página da Câmara Municipal de Vila Real.

Essas e outras ideias e projectos foram apresentados numa sessão de formação e informação dinamizada pelo Gabinete Municipal de Protecção Civil de Vila Real com o intuito de preparar ou prevenir os agentes para a possibilidade de novos nevões na região.

Segundo o Instituto de Meteorologia, prevê-se uma queda acentuada das temperaturas no distrito de Vila Real nos próximos dias, tendo sido mesmo lançado o aviso amarelo, o segundo da escala de risco.

Prevê-se que as temperaturas atinjam, em Vila Real e Bragança, respectivamente, -1 e -4 graus, no entanto, os termómetros deverão descer mais acentuadamente no fim-de-semana, altura em que, em muitos concelhos do distrito vila-realense, as temperaturas poderão chegar aos quatro graus negativos.

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