Vidago e Murça foram as duas equipas finalistas da Taça AFVR, com o Murça a repetir pela segunda vez consecutiva a presença na final, que venceu no ano passado frente ao Vila Real, por 3-2, em Alijó. Mas, nesta final, os alvi-negros foram mais felizes e conquistaram a Taça após a lotaria das grandes penalidades, com a bancada cheia de adeptos no Artur Vasques Osório.
A turma orientada por Gilberto Gomes esteve sempre na frente do marcador, com Clemente a marcar logo aos 8 minutos. Na sequência de um pontapé de canto, Clemente saltou mais alto que toda a defensiva do Vidago e cabeceou para o fundo das redes, sem qualquer hipótese para Vieira. O Murça optava por dar a iniciativa de jogo ao adversário, tentando explorar o contra-ataque. No entanto, os vidaguenses sentiam algumas dificuldades para criar perigo para a baliza à guarda de Marco, que teve de se aplicar pela primeira vez aos 25’, depois de remate de Simi. Nos últimos dez minutos da primeira parte, o Vidago encostou o adversário “às cordas” e criou várias situações para chegar ao empate, com a mais flagrante a sair dos pés de Rendeiro, mas o remate bateu em cheio no poste. A bola ainda ficou na posse de Tiago que atirou para mais uma intervenção segura de Marco. O Murça regressou aos balneários com a vantagem mínima e o Vidago a carregar na procura da igualdade.
Ao intervalo, o técnico Gilberto Gomes deixou Adegas nos balneários e colocou em campo Loureno. Júlio Batista apostou nos mesmos atletas, que entraram empenhados em marcar o mais rápido possível e, logo, nos primeiros minutos desta segunda parte tiveram duas grandes situações para chegar ao golo. No entanto, Marco esteve muito atento e negou por duas vezes o golo ao Vidago. Golo esse que acabou por surgir aos 60’, através da conversão de uma grande penalidade por Pedro Adão, a castigar uma mão de Bruno dentro da área, que Iancu Vasilica assinalou de pronto para a marca de 9 metros. A resposta do Murça não tardou e Marito, de livre, fez um grande golo, com a bola a entrar no ângulo da baliza à guarda de Vieira, que nada poderia fazer perante o remate espectacular do número 10. Volvidos 5 minutos, o Vidago volta a chegar à igualdade. A bola é “picada” para a área onde aparece Simi, oportuno, a bater Marco pela segunda vez. Assistimos à melhor fase do jogo, onde se marcaram três golos em apenas 10 minutos. Já em cima do minuto 90, o capitão Bino atira a rasar a barra, na última oportunidade do tempo regulamentar.
No prolongamento, as equipas resguardaram-se, com receio de sofrer algum golo e esperaram pela lotaria das grandes penalidades, onde os jogadores do Vidago mostraram mais frieza e conseguiram marcar por quatro vezes (Pedro Adão, Tiago, Veras e Daniel), já o Murça apenas marcou por uma vez, e assim perdeu uma excelente oportunidade de voltar a vencer a Taça pelo segundo ano consecutivo.
No final, o Vidago levantou a Taça e festejou com os muitos adeptos que se deslocaram ao Estádio do Régua, que foram incansáveis no apoio à sua equipa.
As reações dos treinadores
Gilberto Gomes, treinador do Murça
“A sorte que tivemos durante o jogo, não a tivemos nas grandes penalidades”
O técnico derrota referiu que qualquer equipa merecia vencer a Taça, mas a sorte acabou por sorrir ao adversário na lotaria das grandes penalidades.
“Qualquer das duas equipas mereciam vencer a Taça. Na primeira parte, tivemos alguma sorte, já que o Vidago teve duas/três boas situações para marcar, mas não conseguiu. Na segunda metade, rectificamos posições e estivemos sempre na frente do marcador. Depois, quando estávamos a ganhar por dois a um, acabamos por sofrer um golo de forma infantil, mas é o futebol e estas coisas podem sempre acontecer. Hoje, estava confiante nas grandes penalidades, porque tenho bons executantes, mas não estiveram nada inspirados. A sorte que tivemos durante o jogo, não a tivemos nesta parte decisiva dos “penalties’ e acabamos por perder o jogo”.
Apesar da derrota, Gilberto Gomes fez um balanço positivo da temporada, sublinhando que este foi o último jogo à frente da equipa. “Ficamos em sexto lugar, o que foi bom, já que subimos dois lugar em relação à época anterior. Pena foi não termos ganho esta taça para juntar à que o Murça ganhou no ano passado. Confirmo a minha saída do comando técnico da equipa”.
Júlio Batista, treinador do Vidago
“Oferecemos este troféu ao presidente e à massa associativa que foi extraordinária no apoio à equipa”
O técnico vencedor sublinhou que a sua equipa tudo fez para vencer a Taça e que acabou por ser a justa vencedora deste troféu.
“Tivemos que correr sempre atrás do prejuízo, já que na primeira vez que o Murça foi à nossa baliza fez golo. Sabíamos que tínhamos de ultrapassar uma barreira que estava dentro de nós e foi isso mesmo que falamos ao intervalo. Na segunda parte, a equipa reagiu muito bem, soube chegar ao empate, mas logo de seguida sofremos o segundo golo num lance de bola parada. Mesmo assim, acreditamos sempre, porque era um jogo extremamente importante para o clube e demos tudo aquilo que tínhamos e que não tínhamos por esta vitória. Os jogadores saíram daqui esgotados, mas mereceram a conquista deste troféu. Esta é uma vitória essencialmente dos jogadores, que foram excepcionais. Queremos oferecer este troféu ao presidente e à direcção que sempre estiveram do nosso lado e a esta massa associativa que foi extraordinária do princípio ao fim no apoio à equipa. Obrigado a todos”.
Ficha Técnica
Jogo disputado no Estádio Artur Vasques Osório, em Peso da Régua.
Árbitro: Iancu Vasilica
Auxiliares: Nuno Fraguito e Bruno Costa
MURÇA – Marco, Toni, Bruno, Adegas (Loureno, 45’), Albino, Marito (André, 79’), Clemente, Hugo Ribeiro, João Vaz (Dinis, 102’), Bino, Fontoura.
Suplentes não utilizados: Dani, Hélio, Miguel e Topinha.
Treinador: Gilberto Gomes
VIDAGO – Vieira, Rendeiro, Guillaume, Pedro Adão, Simi (Telmo, 112’), Tiago, Portal (Veras, 97’), Hélio, Márcio, Ruca, Daniel.
Suplentes não utilizados: Geadas, Fábio, Tábuas, Koné e Esteves.
Treinador: Júlio Batista.
Ao intervalo: 1 – 0
Marcadores: Clemente (8’), Pedro Adão (60’), Marito (65’), Simi (70’).
Grandes Penalidades – Vidago (Pedro Adão, Tiago, Veras, Daniel) – Murça (Clemente)
Cartões amarelos: Adegas (38’), Albino (40’), Bruno (60’), Portal (64’), Hélio (65’), Pedro Adão (82’), André (99’).

