Máquinas de projecção, máquinas fotográficas, cartazes, réplicas de aparelhos para reproduzir o som da chuva, do vento e da trovoada, cartazes e, até mesmo, cadeiras de uma das salas de espectáculos da história de Vila Real são alguns dos objectos que, durante anos, estiveram armazenados e que, depois de recuperados, já têm uma morada fixa: o Museu do Som e da Imagem.
Amanhã, pelas 21.30 horas, os transmontanos vão poder conhecer o Museu do Som e da Imagem, um espaço sedeado no Teatro de Vila Real, dedicado a história do som, do cinema e da fotografia que espera receber mais de 12 mil visitantes, por ano.
Fazendo uma viagem cronológica pelos espaços culturais da cidade, nomeadamente o Teatro de Vila Real (1846-1885), Teatro Circo (1892-1961) e Teatro Avenida (1930-1979), o Museu conta, ainda, com outros espaços, como a “Peça do Mês”, uma zona dedicada à história da fotografia, outra para a Imagem em Movimento e uma área de exposições temporárias que, amanhã, será inaugurada, com a exposição “A Avenida de Marius”.
Apesar do Museu se constituir como uma exposição de longa duração, Vítor Nogueira, Director da Culturval, Empresa Municipal responsável pela gestão do novo Museu, explicou que se pretende que o espaço museológico “seja dinâmico, interactivo” e que represente um papel importante, ao nível do Serviço Educativo.
“Partindo-se da história de Vila Real, pretende-se chegar a todo o mundo”, revelou o mesmo responsável, adiantando que se conta o percurso do som e da imagem, desde o início do século XIX, com a invenção da primeira lanterna mágica, até à década de 50.
Vítor Nogueira focou, entre outras peças disponíveis no Museu uma que se acredita ser única, em Portugal: um dos gira-discos que acompanhava a apresentação dos primeiros filmes, mas, também, as máquinas de projecção, um conjunto de duas cadeiras do Teatro Circo, um colecção de máquinas fotográficas de fole, réplicas de equipamentos utilizados para imitar os sons da chuva, da trovoada e do vento e, ainda, um visor estereoscópico, entre muitas outras relíquias.
“A história do som e da imagem, em Vila Real, sempre acompanhou de perto as inovações, a nível mundial”, explicou Vítor Nogueira, revelando que o facto de ter sido a primeira cidade com electricidade fez com que fosse também a primeira a divulgar as grandes novidades mundiais, como o cinema, ou, como era divulgado, na altura, “a fotografia com vida”.
O Museu de Vila Real vem juntar-se ao Museu de Arqueologia e Numismática e ao Museu de Etnografia (dinamizado pelo Centro Cultural de Vila Real, mas com o apoio da autarquia). No entanto, em breve, a cidade vai contar com um terceiro núcleo museológico, o Museu da Vila Velha.
Segundo Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, aquele espaço, criado de raiz, está, já, “praticamente concluído”, estando prevista a sua inauguração para o dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus.
“Mas ainda temos outro projecto, a criação do Museu da Electricidade”, lembrou o autarca, adiantando que se encontram já a decorrer as negociações para a aquisição da central eléctrica do Biel, o espaço que fez com que Vila Real fosse a primeira cidade portuguesa a poder contar com luz eléctrica.
“Há 14 anos, não tínhamos nenhum museu. Hoje, temos uma Rede Municipal de Museus”, sublinhou o autarca, adiantando que o Museu da Electricidade será um dos pólos do Museu do Douro.
Com um orçamento anual na ordem dos 30 mil euros, o Museu do Som e da Imagem conta com um espólio constituído com cerca de 100 peças e um conjunto de filmes, documentos e imagens que deverão, no futuro, dar corpo a um Centro de Documentação, à disposição de investigadores, curiosos e população, em geral.
Maria Meireles



